<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109</id><updated>2012-01-13T13:57:57.709-02:00</updated><category term='romance'/><category term='ensino'/><category term='outros olhos'/><category term='poesia'/><category term='a novíssima literatura'/><category term='Ana Cristina Cesar'/><category term='leitura'/><category term='citação'/><category term='prosa que dá prêmio'/><category term='livro'/><category term='música'/><category term='amor'/><category term='blog'/><category term='Maria Gabriela Llansol'/><category term='mercado editorial'/><category term='tropicália'/><category term='livraria'/><category term='cinema'/><category term='Clarice Lispector'/><category term='Drummond'/><category term='ai que divertido'/><category term='entrevista'/><category term='astrologia'/><category term='tradução'/><category term='fazer crítica'/><category term='biblioteca'/><category term='alheava'/><title type='text'>quase resenha</title><subtitle type='html'>&lt;i&gt;o monumento não tem porta&lt;/i&gt; / crítica literária</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>91</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6282259849456332745</id><published>2011-09-01T13:48:00.001-03:00</published><updated>2011-09-01T13:49:53.075-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros olhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>foguete</title><content type='html'>&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=NTr92RrFDOsC&amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false"&gt;Então&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;quando Pessoa escrevia o &lt;i&gt;Mensagem&lt;/i&gt;, o Supra-Camões não se tratava de uma superação qualitativa, mas sim de uma superação mística, poética&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;emulação do gênero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não do gênero "epopeia". E sim do gênero "gênio" e do gênero "nação" (&lt;i&gt;minha pátria é minha língua&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se - pensando na tradição hoje - de emular. Não é uma linha sucessória e competitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Como ser, hoje, o Supra-Camões?Aí está uma questão de projeto. Camões não me interessa. Quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo. [Aqui estou autobiográfico]. Super-Lispector, então?&amp;nbsp;Qualquer que seja o máximo da Arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super-Cachorro Vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu gênero é a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6282259849456332745?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6282259849456332745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/09/foguete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6282259849456332745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6282259849456332745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/09/foguete.html' title='foguete'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6084723479133129533</id><published>2011-06-05T16:36:00.001-03:00</published><updated>2011-06-05T16:38:29.975-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maria Gabriela Llansol'/><title type='text'>o texto que resta</title><content type='html'>(primeiras impressões de maria gabriela llansol)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a primeira impressão é esta: ela mata tudo. nivela, achata, deixa indistinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando lemos algo pela primeira vez, essa leitura se baliza pelas referências que já temos, as leituras anteriores. por vezes uma nova leitura é um sofá novo numa sala. outras vezes, é o mesmo sofá velho, visto de novo. pode ser também uma nova janela, uma porta, um cômodo escuro descoberto ou até (é isso que busco, urano) a destruição da casa inteira. mas há sempre um antes e um entorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o antes e o entorno que encontrei com llansol foi certa tradição francesa do excesso de palavras e da supervalorização do texto como um em-si para o qual tudo tende e no qual tudo morre, se ata e se dilui. os vazios de flaubert, o mundo-que-existe-para-virar-livro de mallarmé, a obsessão de catálogo de barthes. tenho a literatura francesa na prateleira da preguiça, e está aí um sofá de que qualquer hora me livro, espero um dia amar a frança, vamos ver no que vai dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no brasil, quem vai muito pra isso é o haroldo de campos. &lt;i&gt;galáxias&lt;/i&gt; é um texto triste, punheta triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mesma que eu li nas muitas vezes em que abri um livro ou um texto de llansol para tentar me aproximar. "o texto, o texto, o texto" ela diz. o sol tão claro lá fora, e nela "o texto o texto o texto". uma escrita sobre a escrita, sobre a divindade da escrita, me deixa enraivecido e intolerante. porque me lembra também certa poesia brasileira a partir dos anos 90, acadêmica, neoparnasiana, fraca e melindrosa. vazia, mas se achando cheia, pedestal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;óbvio que a escrita é um tipo de experiência. e, como tal, deve ser escrita. mas a escrita-experiência (assim como qualquer outra experiência?) não existe sozinha, assim como o corpo não existe sozinho. não quero usar a masturbação como metáfora do ruim, mas bem: quem só se masturba não troca energias com ninguém. não tem repertório. a escrita, em si, não é repertório algum. e escrever não faz nada de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pela primeira vez consegui ler mais de vinte páginas de um texto da llansol. o livro se chama &lt;i&gt;a restante vida&lt;/i&gt;. me foi indicado com entusiasmo há um ano, e quando o abri, abriram-se de vez as minhas comportas de raiva contra essa llansol, que me pareceu medíocre, mesquinha, cínica, sendo tudo isso uma crueldade com a qual eu me recuso a pactuar, há jeitos mais vivos e mais divertidos de ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a gaja está à minha volta. um ano depois, tenho de novo nas mãos &lt;i&gt;a restante vida&lt;/i&gt;. e, após ter folheado muita coisa dela e ter inundado a cidade com ódio, resolvi brigar de frente. e acolher. duelo, dueto, espada e balança. também não vou ficar arrancando a relva do chão que a gente pisa, feito mulher desprezada e raivosa. fiz da llansol minha montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, lidas vinte páginas, tive um click de compreensão, uma entrada no texto que talvez seja uma porta, uma janela. pode ser um pano de prato. mas pronto, está aqui. primeiro pensei: "que &lt;i&gt;o texto&lt;/i&gt; é um personagem". depois, que não, não, está mais para objeto. &lt;i&gt;o texto&lt;/i&gt; é um &lt;i&gt;&lt;a target="_blank" href="http://3.bp.blogspot.com/_L2c0NscUOkI/TG1RX-oMXKI/AAAAAAAAAFM/XcwS_xTALVo/s1600/precious.jpg"&gt;my precious&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. ou, melhor, talvez: uma batata quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senti isso agora, há pouco, no ônibus. não sei como vai continuar a leitura. talvez eu faça aqui um diário dessa leitura, era uma boa, o diário de uma aproximação hostil. de todo modo, quis, antes de continuar, registrar as primeiras más impressões, que são um estrato em que esse fóssil vai ser investigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6084723479133129533?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6084723479133129533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/06/o-texto-que-resta.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6084723479133129533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6084723479133129533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/06/o-texto-que-resta.html' title='o texto que resta'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3573549012853988308</id><published>2011-05-10T14:28:00.002-03:00</published><updated>2011-05-10T14:28:26.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><title type='text'>Crítica e comunicação</title><content type='html'>[...] uma crítica cinematográfica de ordem puramente estética deve estar reservada às revistas, nas quais o crítico, não sendo obrigado a falar sobre todos os filmes indiscriminadamente, pode se dedicar aos poucos que apresentarem algum interesse artístico. Quanto à crítica de jornal (o nome de crônica talvez ficasse melhor), esta, para existir, terá que aceitar forçosamente o ponto de vista do público, isto é, terá que encarar os filmes que visam divertir apenas sob este ângulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Decio de Almeida Prado, nos anos 1940 [?])&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3573549012853988308?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3573549012853988308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/05/critica-e-comunicacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3573549012853988308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3573549012853988308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/05/critica-e-comunicacao.html' title='Crítica e comunicação'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7251674916875149436</id><published>2011-03-07T09:30:00.003-03:00</published><updated>2011-03-07T09:30:28.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tropicália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>hipótese de trabalho</title><content type='html'>&lt;i&gt;A hora da estrela&lt;/i&gt; é &lt;i&gt;o &lt;/i&gt;livro tropicalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7251674916875149436?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7251674916875149436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/03/hipotese-de-trabalho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7251674916875149436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7251674916875149436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/03/hipotese-de-trabalho.html' title='hipótese de trabalho'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3173619250938547142</id><published>2011-03-05T09:58:00.000-03:00</published><updated>2011-03-05T09:58:03.016-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><title type='text'></title><content type='html'>La novela moderna nace del distanciamiento de los autores respecto de sus personajes, produciendo una voluntaria e irónica suspensión del juicio moral que fundamenta el oficio mismo del escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-160535-2011-01-16.html)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3173619250938547142?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3173619250938547142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/03/la-novela-moderna-nace-del.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3173619250938547142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3173619250938547142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/03/la-novela-moderna-nace-del.html' title=''/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-944934238975622970</id><published>2011-02-20T15:14:00.000-03:00</published><updated>2011-02-20T15:14:57.098-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><title type='text'>crítica literária</title><content type='html'>que o trabalho do crítico é educar o público&lt;br /&gt;e o do artista, educar o crítico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pound bate muito nessa tecla da educação&lt;br /&gt;que, me parece, já vem de muito antes&lt;br /&gt;cícero? santo agostinho? eu ando perdendo toda a erudição&lt;br /&gt;não sei mais citar ninguém&lt;br /&gt;é uma aposta num modo de pensar&lt;br /&gt;fichas na mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comecei este blogue pra tentar escrever crítica literária fora dos moldes acadêmicos e jornalísticos. e mais próximo do modo como eu lia quando era adolescente. uma crítica mais impressionista do que profissional. "profissional" quase sempre significa rabo preso, e é isso que eu não queria. nem o rabo preso das relações pessoais, nem o rabo preso das correntes teóricas. uma crítica com o lirismo dos bêbados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que nunca fiz uma autoavaliação do blogue. sempre que tentei, entrei num tom muito pomposo. fiquei tão refestelado em mim que falei "bleh não quero mais" e larguei isso aqui. agora tou pensando se tem de ser realmente assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;verdade que conheci muita gente legal por causa deste blogue. disso não posso reclamar mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez o caminho seja - acho que foi sempre nessas circunstâncias em que me saí melhor - não encerrar nada. deixar o respiro ficar só respirando. e depois não ficar achando que fiz pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é difícil, porque tem que lembrar o tempo todo que o que eu quero é isso, e não outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhuma coerência. nenhuma reverência. não quero saber da crítica que não é libertação. as bichas dizem "meu cu!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o monumento não tem porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-944934238975622970?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/944934238975622970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/02/critica-literaria.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/944934238975622970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/944934238975622970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/02/critica-literaria.html' title='crítica literária'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4889641470098640676</id><published>2011-01-15T10:12:00.000-02:00</published><updated>2011-01-15T10:12:50.322-02:00</updated><title type='text'>a pena da galhofa, a tinta da melancolia</title><content type='html'>é a receita da aparente cordialidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;legado de Clarice e Machado: rir das crueldades. Ser cruel, afinal o mundo é cruel, denunciar a crueldade do mundo com a crueldade de si, e rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da perspectiva da morte, tudo adquire importância máxima e mínima. "Por quê?", eu me pergunto. "Se vou morrer", respondo triste. "Se vou morrer", malicio, sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O homem é o único animal que ri, e é rindo que ele mostra o animal que é", Millôr Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helene Cisoux faz a teoria do riso da medusa? De que a característica feminina é o riso que petrifica. Algo assim. Mona Lisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilda Hilst também vai nessa. Provoca na gente um riso de gente que se descobre morta. E define Deus: "uma superfície de gelo ancorada no riso" - polpa galhofuda para uma casca cortante. E em outro verso: "mora na morte quem procura Deus na austeridade". A única afirmação possível da vida no niilismo radical: rir pra não chorar. Se nada, nada, nada, ó se nada existe ou vale, se você lembra da morte e a morte te abraça / melhor mesmo é dar risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa dos mortos mexicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro que tem o humor bem característico é o Drummond. Uma vez eu ri quando o professor leu "e como ficou chato ser moderno, agora serei eterno" e o professor ficou um pouco bravo, falou "sim, é engraçado, mas é sério". Drummond devia ser um tipo muito divertido. O humor dele é mais leve que o dos outros, os trocadalhos: "O amor bate na porta, o amor bate na aorta / fui abrir e me constipei". Ou a piada de firma mais metafísica da língua portuguesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mundo mundo vasto mundo,&lt;br /&gt;se eu me chamasse Raimundo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drummond entendeu melhor que "mora na morte quem...". Seu humor é bobo e fácil, sem-gracinha e sem crueldade. Especialmente nos primeiros livros. E aparece sempre como um descanso para o insuportável da vida. A vida é insuportável, mas, se não temos solução, temos rima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensando, agora, dei de admirar o humor do Drummond. Sem escárnio. Pela tradição, o escárnio é dirigido a pessoas baixas, o riso é provocado pelos inferiores. Recurso comum na sátira é inferiorizar os superiores, mas, que eu me lembre, isso se faz atribuindo a eles características dos inferiores. Nas de Gregório de Matos, você ri do prefeito comparando-o a um negro. No fim das contas, a gente está sempre rindo de negros. Esse procedimento é especialmente usado pela Hilda Hilst, que é uma moralista, mas também aparece em Clarice e Machado. Drummond, por outro lado, que eu me lembre, só ri dos jogos das palavras. Uma opção estética e política que me parece eticamente melhor. Embora o homem seja o lobo do homem e a crueldade o único direito humano universalmente reconhecido, independente das culturas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4889641470098640676?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4889641470098640676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/01/pena-da-galhofa-tinta-da-melancolia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4889641470098640676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4889641470098640676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2011/01/pena-da-galhofa-tinta-da-melancolia.html' title='a pena da galhofa, a tinta da melancolia'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5294519115790688317</id><published>2010-09-01T00:01:00.000-03:00</published><updated>2010-09-01T00:01:32.833-03:00</updated><title type='text'>De viagem</title><content type='html'>o livro é portátil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem todos. alguns são troções imensos, pesam nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava lendo &lt;i&gt;O lobo da estepe&lt;/i&gt;, mas acabei de desistir dele: é muito chato, pesadão, o objeto leve não compensa. É a história de um homem que fica sendo melhor do que os outros, mas só na cabeça dele. É a história de todo o intelectualismo burguês, e eu lá quero saber?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora saio de viagem e preciso decidir: então o quê? Preciso do livro pelo menos pra chegar lá aonde eu vou. Lá eu pretendo encontrar outro, um melhor, o maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a gente sempre espera encontrar Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou viajar pra outra língua, e quero muito levar a minha, que nem um chocolate na bolsa, uma delícia minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5294519115790688317?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5294519115790688317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/09/de-viagem.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5294519115790688317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5294519115790688317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/09/de-viagem.html' title='De viagem'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6813717212612937087</id><published>2010-08-19T10:09:00.001-03:00</published><updated>2010-08-19T10:10:42.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>O amor nos tempos do cólera</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizer "amor" tantas vezes que o amor se dissolva (não que ele suma).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As narrativas possíveis do amor. O amor é um &lt;i&gt;topos&lt;/i&gt; (um lugar-comum) literário. O amor burguês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor romanceado é o amor burguês. Do romance nasce o melodrama e a telenovela, filha direta do folhetim. &lt;i&gt;O amor nos tempos do cólera&lt;/i&gt; é o grande catálogo das narrativas de amor, namoros proibidos desfeitos num desinteresse súbito casamentos de toda vida suicídios putaria fetichista até o amor distraído, que só percebe depois que chega, está tudo lá. O que Barthes fez (em &lt;i&gt;Fragmentos de um discurso amoroso&lt;/i&gt;), García Márquez fez bem feito. O livro do francês destrincha o amor, seu dicionário enciclopédico de elucubrações conceituais, como faz &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/07/meu-coracao-galinha-de-leao.html"&gt;Sophie Calle&lt;/a&gt; - esta em forma de galeria, não de livro. Já García Márquez usa a própria argila do conceito, sua história, seu prazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tempos do cólera. A história se passa na virada do século XIX para o XX. Foi publicada em 1985. Como referência epidêmica, a aids. Não que García Márquez cite isso em algum momento, ou dê a entender, e talvez nem fosse sua intenção permitir essa associação. Inclusive:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;uma crítica que se proponha anti-heteronormativa deve atentar - se não priorizar - o fato de &lt;i&gt;O amor nos tempos do cólera&lt;/i&gt; ser o grande catálogo do amor &lt;i&gt;heterossexual&lt;/i&gt;. Aliás, essa é uma chave de leitura que eu não tinha tido ainda: pois a história de García Márquez desfila uma série de relações que, apesar de variadas, jamais subvertem hierarquias de gênero, raça e classe, para falar dos três pilares clássicos dos discursos de minoria. Portanto, são histórias que reafirmam um determinado modelo de relação, que pode muito bem ser autoritário do ponto de vista de quem está fora da ou submetido à relação. Isso faz da minha leitura, que foi substancialmente de prazer, uma leitura alienada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A leitura é um ato político. Uma leitura não alienada é aquela que tem consciência disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6813717212612937087?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6813717212612937087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/o-amor-nos-tempos-do-colera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6813717212612937087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6813717212612937087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/o-amor-nos-tempos-do-colera.html' title='O amor nos tempos do cólera'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4824212888518355002</id><published>2010-08-16T21:04:00.001-03:00</published><updated>2010-08-16T21:06:13.364-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><title type='text'>gosto</title><content type='html'>&lt;b&gt;Eu só acredito em um Deus que saiba como dançar.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o título do post ia ser "critério", mas então eu pensei: que critério é posterior. Ou, quando anterior, ele impede o ritmo novo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elx vem dançando na sua direção. É pegar ou largar. Livros são assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4824212888518355002?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4824212888518355002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/gosto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4824212888518355002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4824212888518355002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/gosto.html' title='gosto'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8417280846762367380</id><published>2010-08-04T13:40:00.000-03:00</published><updated>2010-08-04T13:40:13.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>poesia</title><content type='html'>hilda hilst, em determinado momento, citando bataille:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sinto-me livre para fracassar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se o sucesso é a ordem das coisas, a palavra sequestrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a boa poesia é aquela que mina por dentro a tradição da boa poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8417280846762367380?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8417280846762367380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/poesia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8417280846762367380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8417280846762367380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/poesia.html' title='poesia'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3211876368657985179</id><published>2010-08-02T15:35:00.000-03:00</published><updated>2010-08-02T15:35:14.332-03:00</updated><title type='text'>a estante essencial</title><content type='html'>amarro os livros em cordas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito uma fila de elefantes indianos, infinita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conheci uma estante que não tem nada além do essencial. a dona, que é uma pessoa iluminada, me disse: aqui cada um tem sua história. dedicatórias, um pouco de tudo, os títulos sem acúmulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero ter uma estante assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora penso: que as prateleiras rompem em enxurrada, natureza wins e a represa em quedas-d'água iguaçu se torna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os livros inundam a sala, barulho, tsunami tomam o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pra minha próxima vida quero levar isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3211876368657985179?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3211876368657985179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/estante-essencial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3211876368657985179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3211876368657985179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/08/estante-essencial.html' title='a estante essencial'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4017688099961605924</id><published>2010-05-07T00:59:00.000-03:00</published><updated>2010-05-07T00:59:11.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='astrologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><title type='text'>Tropeçavas nos astros desastrada</title><content type='html'>Agora, toda quarta-feira eu escrevo na &lt;a href="http://saturnalia.com.br/category/biblioteca-do-mundo/"&gt;&lt;strong&gt;Biblioteca do Mundo&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://saturnalia.com.br/"&gt;Saturnália&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, um site de astrologia lá de Curitiba. Não faço previsões nem amarração do amor, a não ser que o amor se amarre nesse meu jeito de corpo. É uma coluna fixa sobre literatura, mais ou menos nos moldes do que eu escrevo aqui, mas -&amp;nbsp;até agora - com menos pretensão teórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que quando o Guimarães Rosa morreu, e ele lia até Platão no original, esperavam uma biblioteca eruditissíssima na casa dele. Mas nas prateleiras vazias só havia um manual de astrologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que era um saber erudito antes de virar revista barata em banca de jornal. Faz sentido. Imagine quem seria capaz de ler os textos clássicos, ao menos os renascentistas, tanto latim pra pouca gente. As estrelas falam de nós, mas não nos compreendem. Astrologia é um trabalho de tradução e um saber sobre o tempo. Gosto muito de uns versos simples da Orides Fontela: "tudo / se move". É o final de um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem o final lindo do Inferno de Dante. Quando ele e Virgílio passam por Lúcifer, que é o mais fundo do inferno, o ralo. E do lado de baixo do Diabo aparecem aos pés da montanha do Purgatório: "E quindi uscimmo a riveder le stelle". E então saímos, a rever as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligando&amp;nbsp;os estudos astrológicos aos literários, vejo dois caminhos principais. Me parece que o estudo dos arquétipos seja o mais óbvio. Bachelard diz que o arquétipo é um convite à ação - e não uma imagem estagnada, como a gente também pode pensar. Como "convite à ação", Vênus é um movimento, um ritmo, mais do que um conceito. Sendo assim, a estrela Vésper da obra de Manuel Bandeira poderia ser um lumiar para a leitura de seus poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não entendo isso, mas é o que tem pra hoje.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro caminho seria o de unir o tempo astrológico ao da historiografia literária, percebendo as convergências (e os hiatos?) entre algumas obras e movimentos artísticos e os movimentos dos astros. A astrologia como marcação temporal da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha intenção não é trilhar nada disso. Agora agorinha mesmo nem intenção tenho. Às quartas-feiras estou aprendendo muito. A coluna se chama &lt;a href="http://saturnalia.com.br/category/biblioteca-do-mundo/prateleira-mercurio/"&gt;&lt;strong&gt;Prateleira Mercúrio&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7vV22LRNrpk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7vV22LRNrpk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4017688099961605924?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4017688099961605924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/05/tropecavas-nos-astros-desastrada.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4017688099961605924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4017688099961605924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/05/tropecavas-nos-astros-desastrada.html' title='Tropeçavas nos astros desastrada'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4996936522334851757</id><published>2010-03-22T09:59:00.003-03:00</published><updated>2010-03-22T10:15:35.233-03:00</updated><title type='text'>Húmus (sobre Problemas de Gênero, de Judith Butler)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;o ponto de partida crítico é o presente histórico&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento feminista luta pela igualdade política entre homens e mulheres, partindo do pressuposto que às mulheres é relegado um papel secundário e subalterno no cotidiano. Em &lt;em&gt;A dominação masculina&lt;/em&gt;, Pierre Bourdieu observa que o próprio corpo feminino é montado para conferir à mulher fragilidade e fraqueza: o salto ato, a bolsa a tiracolo, os brincos, a saia são elementos que limitam os movimentos da mulher, dificultando seus gestos, tolhendo-os e deixando-a disponível para o uso do homem. Para serem menos vulneráveis, os soldados raspam o cabelo, assim o inimigo tem um lugar a menos para prendê-los. Incapazes de correr e cheias de penduricalhos, as mulheres têm menos chance de resistir ao inimigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa estrutura heteronormativa de pensamento, a dualidade "homem&amp;nbsp;X mulher" é bélica,&amp;nbsp;autocomplementar e absoluta. Nada existe fora dela, portanto também os conflitos se dão dentro dela.&amp;nbsp;No movimento LGBT, é comum&amp;nbsp;classificar a homofobia como uma forma específica de machismo: o gay não&amp;nbsp;sofre violência por ser homem, mas por se associar simbolicamente à mulher; da mesma forma, a lésbica sofre violência por recusar seu papel de mulher submetida ao desejo&amp;nbsp;do homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais do que&amp;nbsp;revelar as razões da violência, esse tipo de explicação revela, quando analisamos seus pressupostos, que mesmo nas chamadas relações homoeróticas, entre pessoas do &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt; sexo, o binarismo "homem X mulher" é a medida de todas as réguas, o limite de ação e de pensamento de qualquer pessoa, independente da sua condição e do seu lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Judith Butler defende que esse binarismo é uma ficção totalizadora, na qual as relações de poder se dão e tendem a se manter. Assim, ao lutar pelos "direitos das mulheres", o feminismo parte do mesmo paradigma imperialista e excludente no qual se baseia a dominação masculina, ou seja, a divisão das pessoas em categorias "homem" e "mulher" e, nessas categorias, a divisão de poder e a instituição da hierarquia violenta. "Homem" e "mulher", argumenta Butler, são &lt;em&gt;estilos&lt;/em&gt;, não identidades. &lt;em&gt;Ser homem&lt;/em&gt; é ser um performer de práticas repetidas&amp;nbsp;identificadas ao masculino, a tal ponto que se mantém, bruxuleante, uma constância de corpo que é socialmente apreendida como uma essência "homem". A masculinidade, então, &lt;a href="http://naminhacanja.blogspot.com/2007/02/pois-masculinidade-no-um-dado-mas-um.html"&gt;não é um dado, mas um projeto&lt;/a&gt;. A tarefa que Butler propõe ao feminismo é&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;situar as estratégias de repetição subversiva facultadas por essas construções &lt;/em&gt;[de gênero]&lt;em&gt;, afirmar as possibilidades locais de intervenção pela participação precisamente nas práticas de repetição que constituem a identidade e, portanto, apresentar a possibilidade imanente de contestá-las.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outras palavras, não se trata de lutar pelos "direitos das mulheres", mas de subverter a própria categoria "mulheres" para, na política, lutar também&amp;nbsp;pelos direitos do que essa categoria não abrange. Se a identidade é um efeito de práticas e discursos, ela não é determinada e/ou determinante da política, mas sim é, ela própria, o lugar da política. Cito a autora mais duas vezes:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu argumento é que não há necessidade de existir um "agente por trás do ato", mas que o "agente" é diversamente construído no e através do ato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as condições que possibilitam a afirmação do "eu" são providas pela estrutura de significação, pelas normas que regulam a invocação legítima ou ilegítma desse pronome, pelas práticas que estabelecem os termos de inteligibilidade pelos quais ele pode circular.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu sofro uma agressão, verbal ou física, por ser socialmente identificado como "gay", essa agressão não é dirigida a mim &lt;em&gt;pessoalmente&lt;/em&gt;, embora ela me agrida &lt;em&gt;pessoalmente&lt;/em&gt;. A agressão é dirigida ao indíviduo que atua, deliberada ou inadvertidamente, num campo performático-semântico identificado como subalterno. Funciona mais ou menos como o dispositivo visual do Exterminador do Futuro, que numa multidão identifica o objeto que deve ser exterminado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um homem que bate numa mulher está, ao mesmo tempo, agredindo um indivíduo e agredindo um estilo. Da mesma forma, um homem que bate em outro mais baixo, ou mais afeminado, ou mais gordo, ou negro, ou de qualquer modo marcado com algo que o identifique como alguém que foi feito para apanhar. Isso tem uma dupla face na medida em que pressupõe (pensando na&amp;nbsp;matriz heteronormativa) que o homem foi feito para bater.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquecendo por um momento as especificidades de gênero que nos trazem a este problema, poderíamos pensar num binarismo mais abrangente, que seria o de "quem bate X quem apanha" dentro de uma relação específica e contingente, que produz uma relação um pouco mais permanente como campo simbólico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão é que eu quero que o meu direito&amp;nbsp;de não ser agredido seja garantido pelo Estado. Os movimentos sociais de minorias discursivas (como o feminista, o negro e o LGBT) buscam garantir esse direito através de uma prática de institucionalização do discurso. Eu, como indivíduo particular e privado, não tenho direito algum no Estado. É apenas no momento em que eu me coloco como cidadão político (o eu da &lt;em&gt;civitas&lt;/em&gt;, o eu da &lt;em&gt;pólis&lt;/em&gt;), ou seja, como indivíduo público e comum, constituinte do e tutelado pelo Estado, que posso reivindicar o meu lugar &lt;em&gt;de direito&lt;/em&gt; no cotidiano do Estado. Se o que me exclui do meu lugar de cidadão político é uma prática específica de corpo que me torna momentaneamente inelegível (eu, quando identificado como gay, me torno objeto de violência), Butler propõe justamente que &lt;em&gt;essa&lt;/em&gt; prática - e, portanto, &lt;em&gt;esse&lt;/em&gt; estilo - seja ressignificado, não para que eu adquira direitos como esse estilo, mas para que eu elimine a hierarquia das identidades ao mostrar que o não-gay também é um estilo e apenas um estilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tudo acontece no terreno da performance, Butler propõe a política como uma intervenção local, já que a performance e o discurso são o local da realidade. O "fato de uma identidade ser um efeito significa que ela não é nem inevitavelmente determinada nem totalmente artificial e arbitrária", portanto, se não nos é possível viver sem essas práticas discursivas (pois não existe um ser anterior à prática), o que podemos fazer é parodiar o discurso dominante e, assim, viver novas possibilidades discursivas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;6.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desmanche da &lt;em&gt;coisa pública&lt;/em&gt; - que percebemos (ou deixamos de perceber) particularmente no Brasil, com sua política teleológica proveniente do catolicismo português -, associado&amp;nbsp;às políticas neoliberais,&amp;nbsp;parece que&amp;nbsp;faz do indivíduo a últma trincheira da &lt;em&gt;coisa pública&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;7.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas se a política é tradicionalmente associada ao masculino, e se os movimentos sociais se empenham em desapropriar a política desse campo simbólico e distribuir suas terras igualitariamente para todxs, quero saber onde ficam as práticas associadas ao feminino, ao menor, ao subalterno. Está claro (está bastante escuro) que o desejo-necessidade pela "melhoria de vida" está intrinsecamente relacionado com o desejo-necessidade pelos símbolos e lugares onde se alocam aquelxs que têm efetiva e atualmente as "melhores condições". Na independência haitiana, os negros escravizados tomaram o poder político e econômico da elite branca. Em Moçambique, o governo retirou os privilégios dos ex-colonos, igualando-os em direitos à população moçambicana. Nada disso me parece errado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, não posso eu,&amp;nbsp;macho forte e dominante, por outro lado também ser mulher?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.....................................................................................&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;P.S.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro &lt;em&gt;Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade&lt;/em&gt;, no Brasil foi publicado terrivelmente pela Ed. Civilização Brasileira em 2003. A edição tem tantos problemas de revisão que chega até a dificultar o entendimento e faz a gente se perguntar (o que pode ser uma coisa boa, afinal desalienante do objeto-livro)&amp;nbsp;se a tradução não está também nos passando a perna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma entrevista legal com a Judith Butler pode ser lida &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-026X2002000100009&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso&amp;amp;tlng=pt"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4996936522334851757?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4996936522334851757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/03/humus-sobre-problemas-de-genero-de.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4996936522334851757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4996936522334851757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/03/humus-sobre-problemas-de-genero-de.html' title='Húmus (sobre Problemas de Gênero, de Judith Butler)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4407089110114916005</id><published>2010-02-06T18:06:00.004-02:00</published><updated>2010-02-06T18:22:32.451-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Faz de conta que todo mundo morreu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma leitura psicanalítica dos filmes de zumbi? Faz tempo que eu não pego o Freud, mas do que me lembro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;b&gt;duplo&lt;/b&gt; é um conceito que narra o reconhecimento que temos de um outro que julgamos similar a nós mesmos, mas que, em dado momento, revela-se estranho. Por lógica e analogia, essa esquisitice que reconhecemos no outro que julgávamos ser similar a nós faz com que reconheçamos, em nós, também a esquisitice do outro. Ou a possibilidade de esquisitice, como a que vemos no outro. Logo, não nos reconhecemos mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Freud cita um conto em que o personagem vê da sua janela, em outra janela, uma mulher por quem se apaixona. No desenrolar do conto ele acaba descobrindo que a mulher não é uma mulher, mas um autômato, uma boneca-robô criada por um artífice-cientista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A palavra usada por Freud para esse conceito é &lt;b&gt;unheimlich&lt;/b&gt;: o prefixo "&lt;i&gt;un-&lt;/i&gt;" é uma espécie de negação e a palavra "&lt;i&gt;heimlich&lt;/i&gt;", ao mesmo tempo em que significa "oculto, clandestino", é derivada de "Heim", que significa "lar, casa".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O morto-vivo costuma aparecer nos filmes como a polpa animal do humano. Fundamentalmente, ele é desprovido de afeto e constituído por fome e esquecimento. A necessidade de devorar pode, ocasionalmente, levar ao desenvolvimento de uma inteligência muito primária, mas às vezes suficiente para devorar seres humanos desesperados que deixam de raciocinar com clareza devido ao medo e ao cansaço. Paradoxalmente, é a própria inumanidade dos zumbis que faz com que eles persistam num caminho em que os humanos coadjuvantes (nunca os protagonistas, como em qualquer filme de terror) acabam falhando. O grande poder do zumbi é a sua persistência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim como o robô é um duplo inorgânico e o vampiro é um duplo maligno, o zumbi é um duplo exclusivamente corporal. Bruce La Bruce, no filme &lt;b&gt;Otto; or, Up with dead people&lt;/b&gt;, leva ao extremo a corporalidade do zumbi ao colocar os mortos-vivos para transar. Nesse pornô macabro, o morto devora os intestinos de um homem e depois mete o pau duro na barriga aberta. Os mortos comem duplamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;George Romero, por sua vez, faz dos zumbis uma alegoria da sociedade de consumo ao filmá-los lado a lado com manequins de loja de roupa&lt;b&gt;*&lt;/b&gt; no filme &lt;b&gt;Madrugada dos mortos&lt;/b&gt;. No título original, &lt;b&gt;Dawn of the dead&lt;/b&gt;, o tom apocalíptico é mais enfático: "dawn" é a alvorada. O pastor evangélico anuncia a nova era dizendo, talvez uma citação bíblica, que "quando os mortos não tiverem mais espaço no inferno, eles andarão entre os vivos". Na sequência de abertura da refilmagem de &lt;b&gt;Madrugada dos mortos&lt;/b&gt;, Johnny Cash canta seu Apocalipse country &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=875R8kHxzrA"&gt;"The man comes around"&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; e se sucedem imagens de zumbis atacando, mas também de guerras e mesmo de manifestações de massa (como a imagem de uma mesquita cheia, com todas as pessoas se inclinando ao mesmo tempo para rezar). A sequência remete à primeira parte do filme &lt;b&gt;Nossa música&lt;/b&gt;, de Godard, em que o espectador é bombardeado por cenas de destruição tanto de filmes de ficção quanto de registros históricos, a ponto de você não saber qual é qual e tudo o que resta é a própria destruição, intransitiva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;#&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Escrevi isso lendo &lt;b&gt;&lt;a href="http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/3164,1.shl"&gt;esse texto aqui&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; e o título é da &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OUQL8rFOjJg"&gt;música dos Homophones&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;#&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;*&lt;/b&gt; Sylvia Plath escreveu o poema &lt;b&gt;"Os manequins de Munique"&lt;/b&gt;, parece que com menções aos campos de concentração nazistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.&lt;br /&gt;Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os teixos inflam como hidras,&lt;br /&gt;A árvore da vida e a árvore da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprendendo suas luas, mês após mês,&lt;br /&gt;sem nenhum objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jorro de sangue é o jorro do amor,&lt;br /&gt;O sacrifício absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu&lt;br /&gt;Eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus&lt;br /&gt;sorrisos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses manequins se inclinam esta noite&lt;br /&gt;Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nus e carecas em seus casacos de pele,&lt;br /&gt;Pirulitos de laranja com hastes de prata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insuportáveis, sem cérebro.&lt;br /&gt;A neve pinga seus pedaços de escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém por perto. Nos hotéis&lt;br /&gt;Mãos vão abrir portas e deixar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sapatos no chão para uma mão de graxa&lt;br /&gt;Onde dedos largos vão entrar amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essas domésticas janelas,&lt;br /&gt;As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.&lt;br /&gt;E nos ganchos, os telefones pretos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cintilando&lt;br /&gt;Cintilando e digerindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudez. A neve não tem voz.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4407089110114916005?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4407089110114916005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/02/faz-de-conta-que-todo-mundo-morreu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4407089110114916005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4407089110114916005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/02/faz-de-conta-que-todo-mundo-morreu.html' title='Faz de conta que todo mundo morreu'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6283110274803506726</id><published>2010-01-25T11:52:00.000-02:00</published><updated>2010-01-25T11:52:52.567-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biblioteca'/><title type='text'>Debaixo de água e no ar ao contrário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No que a literatura tem de afeto gratuito, feito uma dádiva de ninguém, você andando pela rua passa uma ponte e de repente percebe a belezura de um rio: que é um deslizar de águas. No nosso olhar, elas são só o movimento, sem origem nem destino, e está bem estarem as margens ali, em consonância com as ondas marrons que podiam ser de terra, as margens mesmo que sejam cimentadas, é que a beleza não escolhe ideologia pra pousar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela entrevista famosa pra TV Cultura, uma parte Clarice Lispector diz que, quando não escreve, está morta. Se existe uma verdade, junto com a Lispector eu escolho esta: é graças à arte que a gente vive.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/S12Y-8Dy4hI/AAAAAAAAAfg/d-9ZaiVlCFs/s1600-h/Klee.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="317" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/S12Y-8Dy4hI/AAAAAAAAAfg/d-9ZaiVlCFs/s400/Klee.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que não é nenhuma ideia original - aliás, como nenhuma outra. Um texto muito bonito - "A arte como procedimento", de Chklovski - diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis que para devolver a sensação de vida, para sentir os objetos, para provar que pedra é pedra, existe o que se chama arte. O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte é o procedimento da singularização dos objetos e o procedimento que consiste em obscurecer a forma, aumentar a dificuldade e a duração da percepção. O ato de percepção em arte é um fim em si mesmo e deve ser prolongado; &lt;i&gt;a arte é um meio de experimentar o devir do objeto, o que é já "passado" não importa para a arte.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa &lt;i&gt;experiência do devir&lt;/i&gt; é a esperança palpável que uma leitura traz quando toca a gente. "Palpável" porque aí não se trata de um ancoramento no futuro, mas sim de um voo firme simultâneo a um pouso leve no presente: o que Gandhi se recusa a chamar de "Verdade" e chama de "experiência com a verdade". Quando lemos um texto que nos faz experienciar a verdade, temos um encontro de matérias (as nossas mãos, o papel do livro) que se transforma num êxtase de sentidos (como quando lemos uma frase e os olhos se desviam do livro, porque o corpo pede). É a vida intensa, concentrada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, a literatura não pode ser isolada da experiência material e histórica da leitura. Uma biblioteca é um depósito de possibilidades, mas jamais se poderá ditar as palavras em que os outros se satisfarão, de modo que se torna bastante compreensível porque, para muitas pessoas, as aulas de literatura do colégio se tornam um fardo e, posteriormente, uma lembrança ruim e engraçada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No &lt;i&gt;ABC da Literatura&lt;/i&gt;, Pound desenvolve a ideia de que a literatura deve apenas ser ensinada aos que realmente se interessarem por ela. Realmente, quando tomamos a literatura como um conjunto de referências históricas e conceituais (o cânone ou, no caso de Pound, o &lt;i&gt;paideuma&lt;/i&gt;), faz sentido que não seja de interesse geral um aprofundamento nos meandros desses referenciais. No livro &lt;i&gt;Como falar dos livros que não lemos&lt;/i&gt;, Pierre Bayard advoga que, sendo impossível a qualquer pessoa ler todas as obras canônicas existentes, o que se deve esperar é uma mínima familiaridade com seus títulos e com a importância que atualmente se dá a cada uma delas. Esse pragmatismo do senso histórico pode ser bastante útil para uma sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também porque, assim, talvez seja possível a gente separar a literatura como uma instituição da literatura como experiência estética. Se mencionar Paulo Coelho numa discussão letrada pode entortar muitos narizes, imagino que a "singularização do objeto" sentida com a leitura de &lt;i&gt;O alquimista&lt;/i&gt; não deva ser objeto de desqualificação ou repúdio por parte de ninguém que não queira se fortalecer com o rebaixamento alheio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei esse texto querendo falar do Caio Fernando Abreu, de como eu gostava dos livros dele quando era adolescente e de como ele salvou minha vida. Sendo que, hoje, já não vejo grande coisa na maior parte dos seus contos. Isso é muito bonito no texto, tanto na escrita quanto na leitura: a novidade se impõe pelo acaso e é mais gostoso se a gente estiver disposta a abraçá-la. Um galho boiando no rio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6283110274803506726?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6283110274803506726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/debaixo-de-agua-e-no-ar-ao-contrario.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6283110274803506726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6283110274803506726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/debaixo-de-agua-e-no-ar-ao-contrario.html' title='Debaixo de água e no ar ao contrário'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/S12Y-8Dy4hI/AAAAAAAAAfg/d-9ZaiVlCFs/s72-c/Klee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7138648081552063705</id><published>2010-01-12T14:14:00.001-02:00</published><updated>2010-01-12T14:33:08.148-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa que dá prêmio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>Fracasso livre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na contracapa de &lt;i&gt;Amavisse&lt;/i&gt;, editado pela Massao Ohno em 1989, Hilda Hilst publica um poema que é uma espécie de fecho do seu livro, um apêndice de fora / e, por isso mesmo, talvez um reto ou um rabo. Não encontrei o poema nas edições das Obras Reunidas pela Globo, mas lembro da citação que ela faz de Bataille ao final: "Sinto-me livre para fracassar".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De modo geral, a poesia de Hilda Hilst nunca teve a brutalidade vulgar de sua prosa. Embora em nenhum momento ela tivesse medo das palavras, inclusive dos barbarismos universais ("Extasiada, fodo contigo / Ao invés de ganir diante do Nada."), é fácil perceber uma mudança significativa de tom entre os textos em verso e os contos e romances da autora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo o trabalho de HH pressupõe e ficcionaliza Deus como um Ser anterior e superior, mas ao mesmo tempo imediato e corpóreo pela Sua crueldade inerente. Se Deus é criador de todas as coisas e se toda a vida provém de Deus, e se "É crua e dura a vida", Deus então é uma criança malvada e esquiva que nos inventa a chafurdar, que aperta a campainha e sai correndo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Um arco-íris de ar em águas profundas."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O "sinto-me livre para fracassar" de certa forma anuncia (no sentido de que &lt;i&gt;noticia&lt;/i&gt;) o abandono da dicção sublime para mergulhar nas lamas profundas do sexo, o charco da literatura que é a pornografia. Após &lt;i&gt;Amavisse&lt;/i&gt;, HH publicou sua então polêmica trilogia pornográfica, composta por &lt;i&gt;O caderno rosa de Lori Lamby&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Contos d'escárnio. Textos grotescos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Cartas de um sedutor&lt;/i&gt;, acrecida de um quarto volume, o único em verso, os contos de fada satíricos de &lt;i&gt;Bufólicas&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hilda Hilst e Clarice Lispector têm muitas semelhanças de trajetória. Gosto disso. E Clarice Lispector publicou, também já com uma &lt;i&gt;carreira consagrada&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A via crucis do corpo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Quando cheguei em casa uma pessoa me telefonou para dizer-me: pense bem antes de escrever um livro pornográfico, pense se isto vai acrescentar alguma coisa à sua obra. Respondi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já pedi licença a meu filho, disse-lhe que não lesse meu livro. Eu lhe contei um pouco as histórias que havia escrito. Ele ouviu e disse: está bem. Contei-lhe que meu primeiro conto se chamava "Miss Algrave". Ele disse: "grave" é túmulo. Então lhe contei do telefonema da moça chorando que o pai morrera. Meu filho disse como consolo: ele viveu muito. Eu disse: viveu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a pessoa que me telefonou zangou-se, eu me zanguei, ela desligou o telefone, eu liguei de novo, ela não quis falar e desligou de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se este livro for publicado com &lt;i&gt;mala suerte&lt;/i&gt; estou perdida. Mas a gente está perdida de qualquer jeito. Não há escapatória.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A via crucis do corpo&lt;/i&gt;, que num primeiro momento se apresenta como um livro de contos, vai aos poucos tomando forma de um diário desleixado, às vezes de um caderno de anotações e, por que não?, de um blogue. Pois é uma intimidade que se expõe nos seus métodos e também nos seus afazeres mais banais. "Ah, já sei o que vou fazer: vou mudar de roupa. Depois eu como, e depois volto à máquina. Até já. / Já comi. Estava ótimo. (...)". Como em &lt;i&gt;A hora da estrela&lt;/i&gt;, n'&lt;i&gt;A via crucis do corpo&lt;/i&gt; Lispector simultaneamente marmoriza e dinamita a si mesma enquanto Autora, Escritora, Celebridade. Assim como os últimos trabalhos de Hilda Hilst, os últimos livros de Lispector escrevem não apenas as histórias que contam, mas também as das pessoas que as contam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Uma vez fui a Campos de táxi-aéreo e fiz uma conferência na Universidade de lá. Antes me mostraram livros meus traduzidos para braille. Fiquei sem jeito. E na audiência havia cegos. Fiquei nervosa. Depois havia um jantar em minha homenagem. Mas não agüentei, pedi licença e fui dormir. De manhã me deram um doce chamado chuvisco, que é feito de ovos e açúcar. Comemos em casa chuvisco durante vários dias. Gosto de receber presente.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Surge assim que o dispositivo "Literatura", usado para justificar os livros, é esvaziado de significado. "Pois é. Sei lá se este livro vai acrescentar alguma coisa à minha obra. Minha obra que se dane. Não sei por que as pessoas dão tanta importância à literatura. E quanto ao meu nome? que se dane, tenho mais em que pensar. / Penso por exemplo na amiga que teve um quisto no seio direito (...)".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa do blogue que eu disse lá em cima. Escrever um blogue hoje é uma coisa muito besta. Tem até aquela antologia digital da Heloísa Buarque de Holanda. Que eu nem li, então nem sei se é besta. Mas blogues são bestas no sentido de que a coisa já está dada e você só precisa brincar com ela. Admira mesmo é uma dicção tão semelhante à mais banal de hoje ter sido usada em 1974. Ou mesmo mais tarde, pela Ana Cristina Cesar. Aí eu já acho que é profetismo. E antena da raça. Mas só estou escrevendo isso pra relativizar e pra situar bem os termos. Porque não quero ser mal interpretado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7138648081552063705?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7138648081552063705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/fracasso-livre.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7138648081552063705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7138648081552063705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/fracasso-livre.html' title='Fracasso livre'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8807677407872887645</id><published>2010-01-03T20:47:00.003-02:00</published><updated>2010-01-03T20:54:11.843-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><title type='text'>Romances</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas só à base de romances nenhum espírito consegue evoluir. O prazer que tal leitura pode oferecer não compensa o desgaste do caráter. Com os romances aprendemos a nos meter nos sentimentos de toda espécie de gente. Facilmente, convertemo-nos nos personagens que nos agradam. Todo e qualquer comportamento passa a ser compreensível. Docilmente, entregamo-nos a propósitos alheios, e assim perdemos de vista, por muito tempo, os nossos próprios. Romances são cunhas que o autor - um comediante que escreve - faz penetrar na personalidade de seus leitores. Quanto mais exatos seus cálculos sobre o tamanho da cunha e a capacidade de resistência, maior a fenda na personalidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Elias Canetti, &lt;i&gt;Auto-de-fé&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(o personagem que pensa isso é um moralista. Mal da citação, que tira de contexto e transforma um lampejo num axioma. Uma meia-mentira numa verdade completa. A última frase desse parágrafo é "Os romances deveriam ser proibidos pelo Estado", que, se literariamente não tem nada de genial, tirada da situação desse romance se transforma num desses pedantismos reacionários disfarçados de performance. Ficção, fora da ficção. A gente deveria parar de citar e dizer só o que se diz. A citação é um esconderijo. A não ser quando ela é um raio.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8807677407872887645?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8807677407872887645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/romances.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8807677407872887645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8807677407872887645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2010/01/romances.html' title='Romances'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-762624436989500960</id><published>2009-12-16T15:06:00.002-02:00</published><updated>2009-12-16T15:08:36.576-02:00</updated><title type='text'>Querido azul</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última grande viagem que fiz sozinho, levei poucos livros. O ônibus demorou dois dias e meio pra atravessar o sul do Brasil, os pampas argentinos, subir e descer os Andes e chegar a Santiago. Nesse trajeto li &lt;i&gt;O velho e o mar&lt;/i&gt;, do Hemingway. Uma edição de bolso em inglês com uma capa xurumbrega. Gostei de uma imagem do texto que dizia algo sobre tartarugas sendo mortas de modo cruel, parece que se lhe cortam os membros e ela continua viva e doendo. O narrador comparava o velho à tartaruga, mas não lembro de que jeito. Na mesma viagem, na volta, li num conto do Cortázar e achei bonito:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;TORTUGAS ANIMALES DELICADOS. ALGO TONTOS, NO DISTINGUEN. UNA LASTIMA.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levei também o &lt;i&gt;Invenção de Orfeu&lt;/i&gt;, do Jorge de Lima. Cada vez que eu pego nesse livro, tenho a impressão de que é, sei lá, o &lt;i&gt;maior livro de poesia brasileira do século XX&lt;/i&gt;, um rótulo assim. O-maior-acontecimento-místico-ao-lado-do-&lt;i&gt;Mensagem&lt;/i&gt;-de-Fernando-Pessoa. Muito denso e malucão. Mas não consigo ler porque a minha edição é muito ruim, pequenininha gorducha espremida nela mesma, e esse é um livro de e s p a ç o s . São dez cantos ao todo, acho, e eu ainda não consegui passar do IV.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora estou lendo o &lt;i&gt;Auto de Fé&lt;/i&gt;, do Elias Canetti. Mas não é um livro bom pra levar em viagens: muito grande, pesa na mochila. E parece que a estória se passa dentro de uma biblioteca. Que quero eu com bibliotecas? Pegar avião, caçar borboleta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-762624436989500960?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/762624436989500960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/querido-azul.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/762624436989500960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/762624436989500960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/querido-azul.html' title='Querido azul'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7582913195560016829</id><published>2009-12-11T12:03:00.001-02:00</published><updated>2009-12-11T12:07:16.836-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>Confissões de leitura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro, como produto, independe do texto. Quero dizer: qualquer texto pode ser formatado assim ou assado. Uma boa edição com ilustrações bonitas e voalá, temos um bom livro - de folhear, amor táctil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O texto é apenas um dos componentes da leitura. (Machado de Assis, na biblioteca, sempre teve cheiro de pó)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comprei um livro lançado neste ano. Tive ânsia de tê-lo. Fui ler e. Era um doce bonito de gosto vagabundo. Cuspi, dei embora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De uma propaganda da &lt;a href="http://www.estantevirtual.com.br/"&gt;Estante Virtual&lt;/a&gt;: compre em sebos, as livrarias estão cada vez mais achatadas em lançamentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eu vejo um museu de grandes novidades.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz que perguntavam pro Drummond "e a literatura contemporânea?", e ele respondia "Estou atrasadíssimo nos gregos."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que perguntaram pra Clarice "que conselho você dá aos jovens escritores" e ela: "Que escrevam."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;§&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Floradas na serra&lt;/i&gt; é um romance de Dinah Silveira de Queirós que foi um sucesso na época, 1939. Deu filme com Cacilda Becker nos anos 50. É a história de um grupo de jovens que vai para Campos do Jordão, acho, tratar da tuberculose. A narrativa alterna amores cândidos com golfadas de sangue, mas não chega a ser melodramática. Parece que Cacilda Becker protagonizou o filme no papel da antagonista do livro, a fatal Lucília, que recusa tratamentos e se envolve com muitos homens, mas se fode e termina com uma costela a menos - por conta da tuberculose. Tirar costelas era um tratamento extremo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Lucília&lt;/i&gt; também é título de um romance do Alencar que conta a história de uma mulher forçada pela vida a se prostituir, mas ela tem um bom coração. O nome da heroína e do livro devem remeter ao pirilampo, vagalume, também &lt;i&gt;lucíola&lt;/i&gt;, como uma luz fraca e incerta que atravessa densidades escuras até sumir da nossa vista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7582913195560016829?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7582913195560016829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/confissoes-de-leitura.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7582913195560016829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7582913195560016829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/confissoes-de-leitura.html' title='Confissões de leitura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2561414671794607773</id><published>2009-12-03T13:05:00.002-02:00</published><updated>2009-12-03T13:08:00.030-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Cristina Cesar'/><title type='text'>Caixa-preta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;As aparências desenganam. Estou desenganada.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lance da contracultura: referências não compartilhadas. Um texto que diz&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.&lt;br /&gt;Memórias de Copacabana. Santa Clara às três&lt;br /&gt;da tarde.&lt;br /&gt;Autobiografia. Não, biografia.&lt;br /&gt;Mulher.&lt;br /&gt;Papai Noel e os marcianos.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;põe na mesa, no aleatório, o diário pra ser espiado. E o diário se expia quando o leitor abraça a memória alheia, embebe-se nela, o reality show acirra as brigas em casa: cada membro da família toma pra si as feridas das pessoas quaisquer que estão na tela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;i&gt;A teus pés&lt;/i&gt;, o texto medusa-sereia. Fagocita a pessoa que lê, traga-a na comunhão que diz &lt;i&gt;suas memórias cotidianas são tão importantes quanto as minhas&lt;/i&gt;. Depois petrifica a leitura num ritmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como única evidência de um desastre, sumário dos destroços. A caixa-preta é encontrada e nós a acessamos como registro histórico, a pista definitiva pro mistério. Mas o poeta é um fingidor ("A gente sempre acha que é / Fernando Pessoa") e Ana C. não é tonta: finge a pista, decola e aterrisa um OVNI, maravilha, apoteose. Em diversos poemas encena a mulher fatal:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;"Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher&lt;br /&gt;moderna."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Te apresento a mulher mais discreta&lt;br /&gt;do mundo: essa que não tem nenhum segredo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fotogramas do meu coração conceitual.&lt;br /&gt;De tomara-que-caia-azul-marinho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ATRAS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão,&lt;br /&gt;por injunções muito mais sérias, lustrar pecados&lt;br /&gt;que jamais repousam?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aviso que vou virando um avião. Cigana&lt;br /&gt;do horário nobre do adultério."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... santa que te toma as duas mãos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Abre a boca, deusa&lt;br /&gt;(...) as mulheres gostam&lt;br /&gt;de provocação"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu fiz tudo pra você gostar,&lt;br /&gt;fui mulher vulgar&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;bem viada, vândala"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, Pedro, não quero mais brincar de puta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Acordei com coceira no hímen."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sou linda; gostosa; quando no cinema você roça&lt;br /&gt;o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais&lt;br /&gt;quem desejo, que me assa viva"&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostosa e independente, esfinge e joguete. Imagens atribuídas mais ou menos a qualquer escritora até então (Clarice Lispector, Patrícia Galvão, Sylvia Plath, Virginia Woolf, Alejandra Pizarnik). Ana C. escreve uma pose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;("Caixa-preta" é o título de um poema, escrito à Ana C, do &lt;a href="http://www.4shared.com/file/158678497/51f36584/cantos-de-estima.html"&gt;cantos de estima&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2561414671794607773?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2561414671794607773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/caixa-preta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2561414671794607773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2561414671794607773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/12/caixa-preta.html' title='Caixa-preta'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4397595202246383205</id><published>2009-11-27T00:10:00.002-02:00</published><updated>2009-11-27T00:13:41.283-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>Ano que vem mês que foi</title><content type='html'>&lt;div style="background-color: white; color: #4c1130; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Se temos uma tradição e queremos fazer algo de novo dentro dela, não só teremos de senti-la, mas conhecê-la. E é este conhecimento que vai nos dar a possibilidade de criar algo novo e coerente com ela. Só a retomada da &lt;i&gt;linha evolutiva&lt;/i&gt; pode nos dar uma organicidade para selecionar e ter um julgamento de criação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso, 1966&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #4c1130; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Toda geração tem que, num pequeno espaço de tempo, arrodeada por uma relativa obscuridade, compreender seu tempo pra fazer a antítese dela.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tom Zé, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=oGis3wxKWbk"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4397595202246383205?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4397595202246383205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/ano-que-vem-mes-que-foi.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4397595202246383205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4397595202246383205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/ano-que-vem-mes-que-foi.html' title='Ano que vem mês que foi'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2188411806638134832</id><published>2009-11-25T21:02:00.002-02:00</published><updated>2009-11-25T21:04:00.960-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky. Confissão de leitura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a ler deu desgosto no estômago.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;"E os mortos voltarão à vida", exclamou o xamã na noite, e seu grito ecoou e foi ouvido. O céu estava particularmente belo, em tons arroxeados com nuvens esparsas e finas fatiando a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E havia o medo. Havia o medo em todos os cantos. Hoje em dia, os homens temem bobagens; outrora, temiam a noite e a morte. Não importava a arma no coldre.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Exclamou na noite", "o céu belo", "a marquesa aceitou o chá", "E havia o medo. Havia o medo". Nas primeiras linhas a gente percebe: é uma paródia, uma emulação de faroeste. Isso a capa já havia dito. Eu é que começo cada livro esperando encontrar X Grande Escritorx da Minha Geração.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de poucas horas, já havia lido mais da metade do romance. "É um nada", pensei. Em nenhum momento levantei os olhos do livro para estranhar as palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao final da leitura, percebi que estava me divertindo. Apesar de nos últimos capítulos o livro assumir de vez um recurso didático de ficar se justificando, se explicando à guisa de metalinguagem, coisa que aparece no livro inteiro. Mas eu me divertindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me ocorreu que, não só na poesia, mas também na prosa. Diversão tem sido uma constante. Pensei na presença do folhetim no século XIX. Alexandre Dumas, José de Alencar. A "alta literatura" produzindo entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o buraco negro é o paradigma da leitura. Perder-se no vácuo. Uma literatura da alienação, a grande do século XX? Kafka, Lispector, Faulkner. Mesmo noutra linha. Bukowski, por exemplo. Alguém sempre te chuta as muletas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora: não será também isso datado? Essa uma literatura netunoplutoniana, talvez uraniana (netuno as névoas, plutão a morte, urano a ruptura, os três planetas descobertos de 1781 pra cá). E agora, Plutão deixando de ser planeta, nós num tempo sem profundidade escura (o blablá do pós-moderno).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto Dumas, Alencar. &lt;i&gt;Saint-Clair das Ilhas&lt;/i&gt;. E "literatura" é um conceito romântico. Dante não tinha interioridade freudiana. Até o século XVIII, em grande parte, o que hoje a gente chama de literatura era reprodução de gêneros. A crítica é descritiva, a poética era prescritiva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Divertido, sim, o &lt;i&gt;Areia nos dentes&lt;/i&gt;. Isso é um problema?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2188411806638134832?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2188411806638134832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/areia-nos-dentes-de-antonio-xerxenesky.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2188411806638134832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2188411806638134832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/areia-nos-dentes-de-antonio-xerxenesky.html' title='Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky. Confissão de leitura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2491880178749272572</id><published>2009-11-20T17:40:00.004-02:00</published><updated>2009-11-20T17:53:56.796-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>Projeções &amp; narrativas de si: notas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;a alegria é a prova dos nove &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A premissa de que a literatura, desde o fim do século XIX, encena um derrotismo do sujeito. Procede? Uma falha absoluta da existência, vanidade. O não-autor que não-diz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou isso é invenção da crítica? Será que é a crítica literária que, desde os anos 1940, empreendeu esse projeto de literatura desencantada?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que isso é um projeto político de apatia?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O suicídio é uma atitude extrema. Que personagens de romances / que poemas encenam o suicídio? Clarice Lispector, num conto (acho que de &lt;i&gt;A bela e a fera&lt;/i&gt;), a personagem-narradora conversando com um homem que pensa em se matar diz que não nos é permitido o suicídio, que o nosso dever é querer viver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha adolescência, Clarice Lispector era sinônimo de autoaniquilação. Era assim que a gente lia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Os sofrimentos do jovem Werther&lt;/i&gt; é de 1774. Todo o romantismo &lt;i&gt;emo&lt;/i&gt; oitocentista é evocado pelos adolescentes góticos que curtem cemitério, aquela necrofilia do Álvares de Azevedo. Mas aí acho que o suicídio é mais alegórico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O suicídio de Sylvia Plath e de Ana Cristina Cesar, como fato, têm muito mais força e veracidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sylvia Plath particularmente. Sua obra é considerada suicida. Em &lt;i&gt;A redoma de vidro&lt;/i&gt;, espécie de autobiografia (o que é autobiografia?), a personagem principal é uma suicida frustrada. Assim como o eu-lírico de "Lady Lazarus".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, &lt;i&gt;Ariel&lt;/i&gt;. Quando Plath morreu, deixou o livro pronto. Ted Hughes editou-o. Sua alteração mais significativa foi a inclusão, como último poema do livro, de "&lt;a href="http://www.sylviaplath.de/plath/edge_po.html"&gt;Edge&lt;/a&gt;", talvez o último poema escrito por Plath.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Beira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher está perfeita.&lt;br /&gt;Morto, seu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo veste o sorriso da conquista,&lt;br /&gt;A ilusão de uma Grega necessidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorre nos cortes de sua toga,&lt;br /&gt;Nus, seus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pés parecem dizer:&lt;br /&gt;Viemos tão longe. Acabou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada filho morto encolhido, cobra branca,&lt;br /&gt;Um em cada pequena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tigela de leite, agora vazia.&lt;br /&gt;Ela os dobrou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao seu corpo como pétalas&lt;br /&gt;De uma flor que fecha quando o jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espeta e odores sangram&lt;br /&gt;Da funda e doce garganta da dama da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua não tem porque ficar triste,&lt;br /&gt;Atenta com seu chapéu de osso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sabe como funcionam essas coisas.&lt;br /&gt;O escuro dela quebra e draga.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cerca de vinte anos depois, &lt;i&gt;Ariel&lt;/i&gt; foi republicado, agora como o tinha planejado Sylvia Plath. O último poema é "Wintering", o inverno. O poema fala sobre mel e seu último verso é&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;The bees are flying. They taste spring.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"As abelhas voam. Saboreiam primavera." E Plath dedica &lt;i&gt;Ariel&lt;/i&gt; a seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O suicídio não é apático. A melancolia é.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo na arte &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt;: a Marilyn de Andy Warhol é uma paródia melancólica, não afirmativa. Como a música de Tom Zé, "a Brigitte Bardot está ficando velha / envelheceu antes dos nossos sonhos". Marylin já tinha morrido quando Warhol reproduziu seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A música pop, no entanto. A música &lt;i&gt;disco&lt;/i&gt; é afirmativa: "I am what I am", "I will survive", "Hey boy, there's no need to feel down", "I've got all my sisters with me".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na literatura, a alegria? Só consigo pensar no Guimarães Rosa. Como uma alegria que não passa pelo filtro do cinismo ou da ironia. A visão do peru no quintal, a de uma árvore enorme. Logo depois, a morte. Mas não é uma morte de derrota, porque não é &lt;i&gt;racional&lt;/i&gt;. É o menino que vê a morte, aprende com a morte, mas ele vive a morte com seu corpo fresco de menino, como uma surpresa, não uma fatalidade. &lt;i&gt;Olha o menino, ui ui ui&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na música é mais fácil encontrar essa atitude. Caetano Veloso. Alegria e generosidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é mais difícil encontrar na música pop é o suicídio. Os astros da música geralmente esgotam a vida. Janis Joplin, Cazuza. Mesmo Kurt Cobain não cantava o derrotismo. "Eu sou tão feio, mas tudo bem / Você também, a gente quebra os espelhos. // Manhã de domingo é todo dia / E eu não ligo, não tenho medo".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/USZzH1L6nKU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/USZzH1L6nKU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O suicídio aparece nessa música aí debaixo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KjQ2k1hU5aQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KjQ2k1hU5aQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ela se jogou da janela do quinto andar&lt;br /&gt;Nada é fácil de entender&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;6. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pop destes últimos anos. Girls just wanna have fun. Lady Gaga parodia e homenageia o kitsch. É quase tropicalista (kkkkkkkkkk). Será legal ler o &lt;i&gt;Rilke Shake&lt;/i&gt; vendo um show da Lady Gaga?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QQJ9Vi8GLok&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QQJ9Vi8GLok&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2491880178749272572?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2491880178749272572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/projecoes-narrativas-de-si-notas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2491880178749272572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2491880178749272572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/projecoes-narrativas-de-si-notas.html' title='Projeções &amp; narrativas de si: notas'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4700865262983882966</id><published>2009-11-18T13:24:00.003-02:00</published><updated>2009-11-18T13:42:13.023-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheava'/><title type='text'>alheava (4)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois caminhos principais n&lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/"&gt;o trabalho&lt;/a&gt;: uma via seca e outra úmida. (A nomenclatura eu estou tirando do livro &lt;i&gt;Tarô ou a arte de imaginar&lt;/i&gt;, de Alberto Cousté, p. 35, onde há a seguinte esquematização das vias de ação no mundo e de acesso ao conhecimento:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Via seca:&lt;/i&gt; Solar. Masculina. Racional. Conhecimento dedutivo. Extroversão. Ordem dórica.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Via úmida:&lt;/i&gt; Lunar. Feminina. Intuitiva. Conhecimento indutivo. Introversão. Ordem jônica.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquematismos à parte...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Lima Pinharanda &lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/2007/03/texto-joo-lima-pinharanda-alheava.html"&gt;observa&lt;/a&gt; que as modalidades de exposição da memória, em &lt;i&gt;alheava&lt;/i&gt;, são "através de documentação objectiva (fotos, maquetas, plantas, textos de época) ou de recontares e rememorações subjectivas, sujeitos às alterações provocadas por estratégias de imagem e por lapsos discursivos fruto do próprio passar de tempo". Num primeiro momento, a gente pode dizer que a objetividade aparece numa &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_J-w-tHGIBg8/RhrXHKUs9QI/AAAAAAAABMA/5ehLq6ZvHHo/s1600-h/IMG_0286.jpg"&gt;caixa&lt;/a&gt; ou num &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufADRaDbsI/AAAAAAAAAbA/fMExHotpy7Q/s1600-h/alheava07.jpg"&gt;mapa&lt;/a&gt; que, didaticamente, encenam o deslocamento físico de Moçambique a Portugal ou o deslocamento político de Portugal a Moçambique. Por outro lado, as "rememorações subjectivas" residiriam nas &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_J-w-tHGIBg8/RgiEZE5gVvI/AAAAAAAAATc/IgbVOvQdwls/s1600-h/F1020006.JPG"&gt;fotos de família&lt;/a&gt;, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em "Fotografia: uma pequena suma", Susan Sontag identifica a fotografia ("a maneira inelutavelmente 'moderna' de ver") à frieza do fragmento da aparência. "Como somos modernos (e se temos o hábito de olhar fotos, somos modernos por definição), compreendemos que todas as indentidades são construções. A única realidade irrefutável - e nossa melhor pista para a identidade - é a aparência que as pessoas têm". E em outro trecho: "a fotografia não é uma espécie de agitação moral ou social, destinada a nos incitar a sentir e a agir, mas sim um projeto de notação. Olhamos, registramos, reconhecemos. Essa é uma maneira mais fria de olhar. É a maneira de olhar que identificamos como arte." Nessa concepção, portanto, a fotografia é o subjetivo de tal modo objetivado que sai dos caminhos intuitivos para se integrar à razão fraca (que é a razão moderna), que mesmo fraca não se funde à não-razão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não creio que Susan Sontag estivesse pensando nas fotos de família. Essas, ainda que passem pelos mesmos procedimentos básicos de qualquer fotografia, geralmente não se destinam à exposição pública. Mesmo quando mostradas numa festa, após uma exposição rápida elas voltam para o silêncio dos álbuns, que são guardados no escuro dos armários e é esse o lugar delas, o lugar que elas ocupam na memória de quem as tirou - diferentemente das fotografias profissionais que, mesmo guardadas no escuro, na intenção do fotógrafo estão alocadas em alguma parede à vista dos outros. Portanto as fotos de família estão baseadas especialmente no afeto. E, no afeto, a aparência não é "a única realidade irrefutável", mas certamente é uma das realidades irrefutáveis para a vivência do carinho e das saudades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao expôr publicamente suas fotos de família, um artista pode deslocar para o status de arte algo que, para os parentes e antepassados que tiraram aquelas fotos, deveria ter apenas um status afetivo. Hoje, essa é uma atitude bastante plausível, dado que a superexposição é o que dá estatuto de realidade ao indivíduo (vide Facebook) (lendo também Lipovetsky, "Narciso ou a estratégia do vazio").&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vendo, no entanto, o conjunto do projeto &lt;i&gt;alheava&lt;/i&gt;, me parece que esse não é (o único?) o motivo das fotos. Isso quando se percebe que as duas vias - a seca/objetiva e a úmida/subjetiva - são, talvez, uma única via - de mão dupla. A documentação oficial, alojada num foco pessoal, transforma-se em rememoração afetiva. Nas nossas gavetas, junto com as fotos íntimas, estão &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_J-w-tHGIBg8/RhFxej3ezNI/AAAAAAAAAsY/vJv3oZB9y8U/s1600-h/alheava+MH+registo+avo.jpg"&gt;a certidão de nascimento&lt;/a&gt;, a conta do banco, o panfleto entregue na esquina. A memória afetiva não é nada de menos. Vide as canções do Roberto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, todo esse material trazido a público em registro de &lt;i&gt;arte&lt;/i&gt;. Daí me ocorrem duas coisas: primeiro, a proposta de uma discussão política (histórica, estética, tudo isso é político também). Depois, o aceno para uma comunhão afetiva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwQRS_FzA2I/AAAAAAAAAdw/mKeKw1_VFN0/s1600/alheava11.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwQRS_FzA2I/AAAAAAAAAdw/mKeKw1_VFN0/s400/alheava11.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwQRpXgzMWI/AAAAAAAAAd4/4rA901qwdRU/s1600/alheava12.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwQRpXgzMWI/AAAAAAAAAd4/4rA901qwdRU/s400/alheava12.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/search/label/alheava"&gt;esta&lt;/a&gt; é uma aproximação gradativa do trabalho&lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/"&gt; alheava&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4700865262983882966?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4700865262983882966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/alheava-4.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4700865262983882966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4700865262983882966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/alheava-4.html' title='alheava (4)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwQRS_FzA2I/AAAAAAAAAdw/mKeKw1_VFN0/s72-c/alheava11.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4485161589892092505</id><published>2009-11-17T22:41:00.001-02:00</published><updated>2009-11-17T22:54:51.958-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>Os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do que eu conheço, o &lt;i&gt;Rilke Shake&lt;/i&gt; é o melhor da literatura brasileira comercial dos últimos treze anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwLOGqrs3tI/AAAAAAAAAdo/1nK7obkFRbE/s1600/tarot_torre.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwLOGqrs3tI/AAAAAAAAAdo/1nK7obkFRbE/s400/tarot_torre.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um livro coeso, em que não há poemas de sobra ou destoantes. Além disso, é um livro que, sozinho, inaugura um tom, uma dicção. A última vez que isso aconteceu foi com o &lt;i&gt;A teus pés&lt;/i&gt;, em 82.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;dentadura perfeita, ouve-me bem:&lt;br /&gt;não chegarás a lugar algum.&lt;br /&gt;são tomates e cebolas que nos sustentam,&lt;br /&gt;e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita.&lt;br /&gt;ah, sim, shakespeare é muito bom,&lt;br /&gt;mas e beterrabas, chicória e agrião?&lt;br /&gt;e arroz, couve e feijão?&lt;br /&gt;dentinhos lindos, o boi que comes&lt;br /&gt;ontem pastava no campo. e te queixaste&lt;br /&gt;que a carne estava dura demais.&lt;br /&gt;dura demais é a vida, dentadura perfeita.&lt;br /&gt;mas come, come tudo que puderes,&lt;br /&gt;e esquece este papo,&lt;br /&gt;e me enfia os talheres.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;i&gt;Rilke shake&lt;/i&gt; tem um descompromisso. Acho que a palavra é essa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descompromisso é um termo inexistente no cânone brasileiro. Aí vem a Angélica e faz A poesia do descompromisso, alinha o blasê na tradição da grande poesia. Mas não é descaso. Dá risada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A arte moderna é essencialmente (estruturalmente) de ressentimento. Na literatura, o século XX se construiu sobre o estar-fora-de-lugar de Baudelaire e Kafka. Clarice Lispector, atestam &lt;a href="http://www.claricelispector.com.br/"&gt;as capas da Rocco&lt;/a&gt;, só interessa naquilo que a inclinação de uma cabeça tem de melancólico. E seria uma boa enumerar a constante do suicídio nos últimos cem anos, assim como da morte no que ela tem de sofrimento individual, e não de acontecimento público.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem um lugar em que o Nietzsche diz que o excesso de consciência histórica causa embotamento da vida. Isso já no século XIX. Lembro agora da G.H., presa entre a barata e a porta, vendo do alto do seu apartamento a evolução das civilizações africanas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No &lt;i&gt;Rilke shake&lt;/i&gt;, não se trata de uma recusa da tradição intelectual. Mas de uma alternativa à &lt;i&gt;decadência da civilização ocidental&lt;/i&gt;, alternativa que aparece em grande parte pela atenção à memória afetiva criada dentro da indústria cultural.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Nunca estudei isso de "indústria cultural", nunca li Adorno, mas me parece que um livro de Gertrude Stein e um cd do Roberto Carlos, numa prateleira, gozem do mesmo estatuto de presunto.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;r.c.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade/ do que aprendi nas canções/ é verdade/ nem saberão/ descrever com tanta precisão/ aquela janela da bolha de sabão/ meu bem eu li a barsa/ eu li a britannica/ e quando sobrou tempo eu ouvi/ a sinfônica/ eu cresci/ sobrevivi/ a privada de perto/ muitas vezes eu vi/ mas a verdade é que/ quase tudo aprendi/ ouvindo as canções do rádio/ as canções do rádio/ quando meu bem nem/ a verdadeira maionese/ puder me salvar/ você sabe onde me encontrar/ e se a luz faltar/ num cantinho do meu quarto/ eu vou estar/ com um panasonic quatro pilhas AAA/ ouvindo as canções do rádio&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4485161589892092505?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4485161589892092505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/os-grandes-colecionadores-de-mantras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4485161589892092505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4485161589892092505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/os-grandes-colecionadores-de-mantras.html' title='Os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwLOGqrs3tI/AAAAAAAAAdo/1nK7obkFRbE/s72-c/tarot_torre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7980851669137869584</id><published>2009-11-15T17:06:00.004-02:00</published><updated>2010-05-07T01:00:01.487-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ai que divertido'/><title type='text'>Procurando crítica literária?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwBQq4D04fI/AAAAAAAAAdg/rAyoCBxhol4/s1600-h/procurando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwBQq4D04fI/AAAAAAAAAdg/rAyoCBxhol4/s320/procurando.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(a imagem é do &lt;a href="http://surdina.com/"&gt;surdina&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;o "hahahahahahahahahahahaha" é meu :&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7980851669137869584?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7980851669137869584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/procurando-critica-literaria.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7980851669137869584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7980851669137869584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/procurando-critica-literaria.html' title='Procurando crítica literária?'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SwBQq4D04fI/AAAAAAAAAdg/rAyoCBxhol4/s72-c/procurando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3766415158529613127</id><published>2009-11-15T15:59:00.005-02:00</published><updated>2009-11-18T13:40:56.593-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drummond'/><title type='text'>Drummond prolixo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um poema como&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Cota zero&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stop.&lt;br /&gt;A vida parou&lt;br /&gt;ou foi o automóvel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(em &lt;i&gt;Alguma poesia&lt;/i&gt;, de 1930)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é raridade nos livros de Drummond. Essa concisão de piada, que aparece uma ou duas vezes no &lt;i&gt;Alguma poesia&lt;/i&gt;, parece que só vai reaparecer no &lt;i&gt;Lição de coisas&lt;/i&gt;, de 1962, no qual é evidente a influência da poesia concreta. Nesse livro também está o primeiro movimento de retração macropolítica da poesia de Drummond, que, na parte "Memória", já antecipa um pouco do que será o &lt;i&gt;Boitempo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;O sátiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hildebrando insaciável comedor de galinha.&lt;br /&gt;Não as comia propriamente - à mesa.&lt;br /&gt;Possuía-as como se possuem&lt;br /&gt;e se matam mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mansueto e escrevente de cartório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(em&lt;i&gt; Lição de coisas&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa aula, o professor &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4787478T7"&gt;Alcides Villaça&lt;/a&gt; contou que, quando foi lançado o &lt;i&gt;Boitempo&lt;/i&gt;, em 1968, ele esperava ansiosamente por uma poesia engajada, um novo &lt;i&gt;A rosa do povo&lt;/i&gt;. Era o primeiro livro de poemas inéditos de Drummond desde 1962 e, consequentemente, desde o golpe militar de 1964.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ler &lt;i&gt;Boitempo&lt;/i&gt;, portanto, foi decepção e indignação. No ano do AI-5, o poeta afrouxava e ia falar do sítio, da infância, das coisas miúdas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A rosa do povo&lt;/i&gt; é o Momento Grandioso da poesia drummondiana. Publicado em 1945, ano do fim do Estado Novo, diz-se que o livro já circulava clandestinamente entre intelectuais e artistas, escondido da ditadura de Getúlio Vargas. É um livro que canta a afirmação do mundo melhor, da transformação social que está em curso e resultará na realização da utopia socialista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, sempre cientes do limite do alcance (Drummond tem &lt;a href="http://saturnalia.com.br/category/estudando-astrologia/saturno-estudando-astrologia/"&gt;Saturno&lt;/a&gt; domiciliado em Capricórnio, em sextil com o Ascendente. [&lt;a href="http://www.astro.com/astro-databank/Andrade%2C_Carlos"&gt;Fonte&lt;/a&gt;]), os poemas de &lt;i&gt;A rosa do povo&lt;/i&gt; não encenam a glorificação didática que era comum no pensamento e na literatura de esquerda, afins ao realismo soviético, e que vai aparecer com muita força em alguns poemas de &lt;i&gt;Dentro da noite veloz&lt;/i&gt;, de Ferreira Gullar (1975).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;i&gt;A rosa do povo&lt;/i&gt;, os olhos "são pequenos para ver / o mundo que se esvai em sujo e sangue, / outro mundo que brota, qual nelumbo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- mas vêem". O ser humano, bicho da terra tão pequeno, minúsculo perto da enormidade da destruição e da vida que se agita, não consegue nunca se fazer deus ou, junto com seus irmãos, formar uma harmonia coreografada de musical hollywoodiano. Mas ele tem olhos e vê. Todo coração é uma célula revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poeta do finito e da matéria,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;boca tão seca, mas ardor tão casto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dar tudo pela presença dos longínquos,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sentir que há ecos, poucos, mas cristal,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não rocha apenas, peixes circulando&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sob o navio que leva esta mensagem,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e aves de bico longo conferindo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sua derrota, e dois ou três faróis,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;últimos! esperança do mar negro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa viagem é mortal, e começá-la.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saber que há tudo. E mover-se em meio&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a milhões e milhões de formas raras,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;secretas, duras. Eis aí meu canto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o livro dos poemas longos, de versos longos. O tom épico envolve as palavras pela duração epopeica dos poemas, mas também pela sintaxe prosaica. Drummond escreve, sem floreios, poemas com a sintaxe corriqueira do português.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sequer conheço Fulana,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vejo Fulana tão curto,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fulana jamais me vê,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas como eu amo Fulana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amarei mesmo Fulana?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou é ilusão de sexo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a linha do busto,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;da perna, talvez do ombro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amo Fulana tão forte,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;amo Fulana tão dor,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que todo me despedaço&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e choro, menino, choro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3766415158529613127?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3766415158529613127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/drummond-prolixo.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3766415158529613127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3766415158529613127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/drummond-prolixo.html' title='Drummond prolixo'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8515785816078599988</id><published>2009-11-09T22:55:00.009-02:00</published><updated>2009-11-17T00:25:00.810-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>A novíssima literatura</title><content type='html'>&lt;object height="132" width="353"&gt;&lt;embed src="http://www.goear.com/files/external.swf?file=444a7bd" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" quality="high" width="353" height="132"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É só um palpite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a gente fala em "poesia de uma época", há uma questão que antecede a própria poesia, que é a seleção que fazemos do que vamos considerar "poesia" e relevante como tal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso é a especificidade e o ônus de qualquer leitura geracional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tem também que o que a gente quer é a brasa na nossa sardinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas então.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses dias eu percebi homogeneidades nas minhas referências.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do final dos anos 70 e começo dos 80 no Brasil, o que a gente escolhe hoje é a chamada &lt;i&gt;poesia marginal&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;geração mimeógrafo&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;geração do desbunde&lt;/i&gt;. Poetas que circularam pelo Rio de Janeiro e talvez por São Paulo entranharam o tropicalismo como poética e, na tradição do modernismo de Oswald de Andrade, o humor como método.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse rasga-coração vai dar frutos tão maduros quanto a Ana Cristina Cesar, que faz lirismo de televisão, e o Paulo Leminski, que faz rockstar do poema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos anos 90, no entanto, a poesia &lt;i&gt;mainstream&lt;/i&gt; bebe da obsessão formalista à Haroldo de Campos, dos impulsos épicos de Drummond e João Cabral e do acanhado melancólico de um Manuel Bandeira. Disso aparece uma dicção que, &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/como-educar-meninxs.html"&gt;se eu fosse o Antonio Candido nos anos 40&lt;/a&gt;, eu diria "pouco viril".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo está preocupado, então, com os insondáveis da linguagem o deslocamento do poeta no mundo contemporâneo ao mesmo tempo em que faz uma poesia de concisão que pretensamente deve se autobastar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O épico no lírico sem épico sem lírico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Drama.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A galera que está sendo eleita hoje como a boa nova jovem poesia pela mídia dá risada dessa pretensão poética.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ponto em comum com a poesia marginal talvez seja só o humor. Mas é um humor de outro modo, mais cínico e cético.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você me diz: nunca dês um nome a um trem&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sempre é outro trem a passar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu digo: ha. Ha ha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ha ha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;(de "Rufus", do &lt;a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2008/08/ismar-tirelli-neto-mencionado-por-alice.html"&gt;Ismar Tirelli Neto&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ponto em comum com a poesia dos anos 90 são as referências literárias. Que são evocadas com certo descaso. Na verdade é mais uma briga com a Grande Poesia do que uma devoção solene às suas conquistas verbivocovisuais. O ponto em comum então, se é que existe, é mais temático, e não de método.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;na banheira com gertrude stein&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertude&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se alguém passasse um pano molhado na vidraça&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;enorme de um edifício público&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;debaixo d’água eu hein gertrude stein? não é possível&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que alguém goste tanto de fazer bolha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a toalha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e sai correndo pelada a bunda enorme descendo a&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;escada e ganhando as ruas de st.-germain-des-prés&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(da &lt;a href="http://www.lyrikline.org/index.php?id=162&amp;amp;L=0&amp;amp;author=af02&amp;amp;show=Poems&amp;amp;cHash=467b19cf8e"&gt;Angélica Freitas&lt;/a&gt;, no &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Rilke Shake&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O verdadeiro descaso é com os cânones e a posição cânonica dxs Grandes Poetas. Legal que esta é uma geração extremamente escolarizada, jovenzinhos de classe média que cresceram num país em que se falou muito em democratização e, especialmente, democratização do ensino. E que escrevem dando de ombros às instituições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;a novíssima literatura &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você quer um dia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ser estudado&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;numa sala de aula qualquer&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por uma turma de pirralhos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que vão zoar suas roupas hoje modernas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;falar que o que você escreveu é chato pra caralho&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fazer chifrinho na sua foto&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;interrogação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;queira morrer antes&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;comendo caramelos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a estranha paixão de Hitler&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;caramelos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;(de Bruna Beber, em &lt;/i&gt;&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=if6BfJH4sdcC&amp;amp;source=gbs_navlinks_s"&gt;A fila sem fim dos demônios descontentes&lt;/a&gt;&lt;i&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Me ocorreu agora que o hip hop não tem registro de humor. É só reparar na molecada de periferia vestida de rapper. Os meninos, principalmente. O próprio gingado da caminhada simula que se carrega um peso. A classe social também é um fator geracional.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;adendo: &lt;/b&gt;esse poema da Bruna Beber é bastante citado por aí. Pra analisar a poesia contemporânea, mais legal acho que era analisar as reportagens que têm sido feitas sobre a poesia contemporânea. A leitura deste post vai por aí, especialmente na seleção dos poemas. Bom observar também que tem toda uma mancomunação implícita entre as editoras, os jornais, quero dizer, uma sardinha lava a outra. Legal também seria fazer um recorte geracional contra isso. Mas, ao mesmo tempo, tem também que eu não posso simplesmente fingir que nada me afeta e que eu não gosto desse tom isento e pueril dos poemas de hoje. Então bora fazer a nossa &lt;a href="http://atlasatras.blogspot.com/2009/11/eu-nunca-imprimi-tanta-avidez-sobre-uma.html"&gt;antítese&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Nota mental: e a prosa nesses termos? Deve ser divertido pensar no estrago que a Clarice Lispector fez na literatura séria, tudo quanto é contista e romancista atribulado com angústias interiores.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8515785816078599988?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8515785816078599988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/novissima-literatura.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8515785816078599988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8515785816078599988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/novissima-literatura.html' title='A novíssima literatura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5300022201081522789</id><published>2009-11-04T16:59:00.001-02:00</published><updated>2009-11-04T17:03:41.851-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blog'/><title type='text'>Anotações sobre o blog</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá pra 2002, era uma pauta bastante comum dos suplementos culturais &lt;i&gt;se o blogue pode ser considerado literatura ou não&lt;/i&gt;. E dá-lhe entrevista com a Clarah Averbuck, que na época estava estourando com o &lt;a href="http://brazileirapreta.blogspot.com/"&gt;brazileira!preta&lt;/a&gt; e lançava o primeiro livro, &lt;i&gt;Máquina de Pinball&lt;/i&gt;, com textos que em grande parte tinha surgido do blogue dela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje as pautas são outras, &lt;i&gt;se o livro digital vai acabar com o livro impresso&lt;/i&gt;, a chatice é a mesma. E os blogues, como você bem sabe, já não são mais novidade e blablablá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ana Cristina Cesar profetizou o blogue. Com seus diários inventados, "jazz do coração". O blogue, em princípio, era um diário publicado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;18 de fevereiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me exercitei muito em escritos burocráticos, cartas de recomendação, anteprojetos, consultas. O irremovível trabalho da redação técnica. Somente a dicção nobre poderia a tais alturas consolar-me. Mas não o ritmo seco dos diários que me exigem!&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O blog, hoje, sendo um meio tão maleável quanto o livro / não tanto um gênero textual quanto uma mídia. Os melhores que eu conheço talvez sejam o &lt;a href="http://tedouumdado.virgula.uol.com.br/"&gt;Te dou um dado?&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/"&gt;antologia do esquecimento&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Tdud?, uma estrutura de post quase permanente: título, citação, texto, imagem. A piada não tem paradeiro certo. Embora nós a esperemos sempre no texto, que funcionaria ao menos como conector causal da ironia, é frequente que ela esteja em um negrito na citação ou na associação inesperada entre título e imagem. Mais frequente mesmo é que ela esteja no post todo, interligada entre as partes, o que deixa a coisa mais engraçada possível. &lt;a href="http://tedouumdado.virgula.uol.com.br/2009/10/cantinho-do-eufemismo/"&gt;Por exemplo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já o &lt;a href="http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/"&gt;antologia do esquecimento&lt;/a&gt; é um blog "sério". Henrique Fialho publica vários posts por dia, boa parte deles com citações de poemas ou de depoimentos de escritores. É um bom blog de leitor / um blog de um bom leitor / que antologiza sem cerimônia / e que não desperdiça espaço nem tempo, como provavelmente eu estou fazendo agora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5300022201081522789?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5300022201081522789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/anotacoes-sobre-o-blog.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5300022201081522789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5300022201081522789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/anotacoes-sobre-o-blog.html' title='Anotações sobre o blog'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3579417762457432261</id><published>2009-11-03T20:49:00.004-02:00</published><updated>2009-11-04T01:25:13.825-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mercado editorial'/><title type='text'>Julgando um livro pela capa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste blogue eu só publico ensaios de crítica literária e mais nada. Meu objetivo não é fazer jornalismo cultural, em primeiro lugar porque eu não gosto de jornalismo cultural, em segundo lugar porque já tem muita gente fazendo isso, alguns até que bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas de vez em quando o entusiasmo precisa ser compartilhado, né, e este post aqui é pra dizer das delícias que me tomam quando eu topo com alguma coisa da &lt;a href="http://www.naoeditora.com.br/"&gt;Não Editora&lt;/a&gt;, que conheci há alguns meses, quando trabalhava numa livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.naoeditora.com.br/" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SvCyumKWAEI/AAAAAAAAAbo/jkpzf7MPltk/s320/banner_mundocult.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro brasileiro é muito cafona, você não acha? Algumas edições saem bonitas, vá lá, naquele molde comercialzão da Companhia das Letras. A Globo tem feito umas coisas legais, com edições sóbrias como as das obras da Hilda Hilst, do Roberto Piva, do &lt;i&gt;Livro das Mil e Uma Noites&lt;/i&gt;. Mas desde o &lt;i&gt;boom&lt;/i&gt; da Cosac Naify, os livros brasileiros têm buscado cada vez mais um ideal chic-dondoca, mesa de centro da sala de estar, uma coisa &lt;i&gt;kitsch&lt;/i&gt; que dói, pronto-falei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como são caros!!! Eu, que mal sei do meu umbigo, não vou me meter a escrever sobre mercado editorial. Mas me parece uma canalhice não estarem todos os editores do Brasil fazendo hora extra para repensar o livro nacional, sua distribuição, seu custo. Opinião de leigo. E de leitor sem salário.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, os livros da Não custam por volta de 20 reais. E não se metem a pocket books, como fazem os da Companhia de Bolso. Nem &lt;i&gt;são&lt;/i&gt; pocket books, como os da L&amp;amp;PM (que, aliás, estão cada vez mais caros, só pode ser a inflação). Se você ainda não encontrou nenhum, vá para uma livraria e confira: edições elegantes, leves e saborosas como nunca se viu. E que dão a impressão de que o livro saiu da necessidade do texto, e não do ego da editora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Textos esses que prometem. Não sei se cumprem - o meu porquinho tem quase moedas o bastante pra que eu consiga comprar meu primeiro exemplar (comprar comprar comprar comprar) -, mas parece que sim. Se não bastarem as críticas favoráveis que romances como &lt;a href="http://www.naoeditora.com.br/catalogo/areia-nos-dentes/"&gt;Areia nos dentes&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.naoeditora.com.br/catalogo/o-professor-de-botanica/"&gt;O professor de botânica&lt;/a&gt; têm recebido, no site tem como degustar um pouco de cada texto caso o seu porquinho também esteja amargando a gripe A.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E já que estamos falando dos livros que não lemos, a Não Editora acaba de lançar o &lt;a href="http://www.naoeditora.com.br/catalogo/desacordo-ortografico/"&gt;Desacordo ortográfico&lt;/a&gt;, coletânea de textos que traz inclusive Manoel de Barros, Luandino Vieira e Pepetela (!!!) e que deve valer uma espiada. Afinal, que mal pode haver em julgar um livro pela capa?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;:)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Em tempo: &lt;/i&gt;outra editora bacana é a &lt;a href="http://www.linguageral.com.br/site/index.asp"&gt;Língua Geral&lt;/a&gt;. Nem tudo está perdido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3579417762457432261?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3579417762457432261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/julgando-um-livro-pela-capa.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3579417762457432261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3579417762457432261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/julgando-um-livro-pela-capa.html' title='Julgando um livro pela capa'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SvCyumKWAEI/AAAAAAAAAbo/jkpzf7MPltk/s72-c/banner_mundocult.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5251309780931526356</id><published>2009-11-02T21:16:00.003-02:00</published><updated>2009-11-02T22:13:08.544-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>Tradução livre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amigo meu, latinista, me contou que no Brasil, do pouco que se traduz de textos clássicos, muito é repetido. Cada um quer deixar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a sua&lt;/span&gt; tradução da Ilíada ou do raio que o parta. E pouca gente vai para o garimpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haroldo de Campos, no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A arte no horizonte do provável&lt;/span&gt;, diz que a tradução que &lt;a href="http://www.triplov.com/poesia/Holderlin/Cinco-poemas/index.htm"&gt;Hölderlin&lt;/a&gt; fez da Antígona de Sófocles era motivo de riso pra gente como Goethe e Schiller. Schelling (ao que tudo indica) escreveu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Se Sófocles tivesse falado a seus atenienses de maneira tão desgraciosa, emperrada e  tão pouco grega, como é pouco alemã esta tradução, seus ouvintes teriam abandonado às carreiras o teatro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haroldo mostra que, mais tarde, gente como Benjamin e Brecht diria exatamente o contrário, louvando a tradução de Hölderlin no que ela tinha de poético, independente do que fosse inexato (que era a crítica que lhe faziam, o poeta não saber o grego). E Haroldo cita um outro alemão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nossas versões, mesmo as melhores, partem de um princípio falso. Pretendem germanizar o sânscrito, o grego, o inglês, em lugar de sanscritizar o alemão, greicizá-lo, anglizá-lo. Têm muito maior respeito pelos usos de sua própria língua do que pelo espírito da obra estrangeira... O êrro fundamental do tradutor é fixar-se no estágio em que, por acaso, se encontra sua língua, em lugar de submetê-la ao impulso violento que vem da língua estrangeira.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Haroldo de Campos escreveu, mais de uma vez, que não se trata de descartar as traduções acadêmicas de conceitos esmerados, mas apenas de entender que a tradução poética trabalha em outros termos, que ele chama de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;transcriação&lt;/span&gt;. Nos passos de Hölderlin, Haroldo propõe que toda tradução poética seja uma recriação do poema original num outro poema, também este original, também ele semente da semântica, tão poema quanto o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entusiasmo criativo, não sei se tanto do Haroldo quanto dos díscipulos que vivem por aí exaltando a pérola do poético do Parnaso, é um crivo, no entanto, talvez tão raso quanto o acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso a partir do livro do Todorov, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A literatura em perigo&lt;/span&gt;, em que ele escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Uma concepção estreita da literatura, que a desliga do mundo no qual ela vive, impôs-se no ensino, na crítica e mesmo em muitos escritores. O leitor, por sua vez, procura nos livros o que possa dar sentido à existência. E é ele quem tem razão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;E também a partir da afirmação de &lt;a href="http://www.sibila.com.br/index.php/critica/592-joao-adolfo-hansen-conversa-sobre-critica-e-literatura-brasileira-contemporanea"&gt;João Adolfo Hansen&lt;/a&gt;. O entrevistador afirma que uma tradução feita por Alberto Mussa de poemas árabes tem "profundas idiossincrasias culturais, de um meio pastoril-arcaico e relações tribal-patriarcais e pensamento mágico-religioso, [que] afinal não se materializam numa linguagem poética que a torne suficientemente interessante para o leitor contemporâneo". Hansen responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quanto ao que me diz sobre sua leitura dos poemas árabes, teríamos que discutir os regimes de historicidade da poesia. Aqui, justamente, acho que está o nó da questão da crítica. Não é possível lê-los considerando a historicidade deles como uma vantagem, não um ônus? Lê-los se despersonalizando num devir-árabe-pastoril-arcaico-mítico-religioso? Por que o presente tem que dar a última palavra sobre o interesse de algo estranho a ele? Porque é o único tempo real que temos?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradução pode, talvez, ser um trabalho nem de atualização poética nem de precisão conceitual. Quem sabe se fosse apenas um ato de estima? É no que estou pensando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5251309780931526356?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5251309780931526356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/traducao-livre.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5251309780931526356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5251309780931526356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/11/traducao-livre.html' title='Tradução livre'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1840158881443610466</id><published>2009-10-28T01:40:00.007-02:00</published><updated>2009-10-28T02:08:18.461-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheava'/><title type='text'>alheava (3)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um mapa / o conhecimento visual em escala / / / nos antigos mapas da china os monstros marinhos / sendo um mapa a projeção de uma vontade de mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a representação. mundo das ideias, mundo real, deus fez o homem a sua imagem e semelhança / teleologia do táctil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui abaixo, o óbvio: moçambique deixa de fazer parte do mapa português. o alfinete marcamapas cravado no intervalo de uma ideia. o mundo como seria se / um grande globo de países destacáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se o conhecimento é uma reapresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perceber o óbvio?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufADRaDbsI/AAAAAAAAAbA/fMExHotpy7Q/s1600-h/alheava07.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 302px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufADRaDbsI/AAAAAAAAAbA/fMExHotpy7Q/s400/alheava07.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397493840871648962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufAkeNve2I/AAAAAAAAAbI/GZzQ0Dpbb1A/s1600-h/alheava08.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 265px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufAkeNve2I/AAAAAAAAAbI/GZzQ0Dpbb1A/s400/alheava08.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397494411245353826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufAtDGpbTI/AAAAAAAAAbQ/3TV6zvecMxs/s1600-h/alheava09.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufAtDGpbTI/AAAAAAAAAbQ/3TV6zvecMxs/s400/alheava09.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397494558586662194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(a chave da representação / acho que a percebo, mas não me parece tão interessante. é porque o óbvio não me interessa.?. / as referências imagéticas são um deserto na nossa cabeça / de dunas móveis, areias / um deserto muito vivo. talvez eu queira mais o fogo do súbito do que esse garimpo da percepção. ou, mais: será que esse movimento assim durado cabe no espaço das frases?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;delicadeza precisa cuidado&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufDQEGIcSI/AAAAAAAAAbY/DgT5NUZhPkA/s1600-h/alheava10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufDQEGIcSI/AAAAAAAAAbY/DgT5NUZhPkA/s400/alheava10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397497359171612962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/search/label/alheava"&gt;esta&lt;/a&gt; é uma aproximação gradativa do trabalho&lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/"&gt; alheava&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1840158881443610466?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1840158881443610466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-3.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1840158881443610466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1840158881443610466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-3.html' title='alheava (3)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SufADRaDbsI/AAAAAAAAAbA/fMExHotpy7Q/s72-c/alheava07.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7584129204137949245</id><published>2009-10-25T20:21:00.000-02:00</published><updated>2009-10-25T20:22:03.818-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>O que é a poesia?</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CRU9OTVn43U&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CRU9OTVn43U&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7584129204137949245?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7584129204137949245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/o-que-e-poesia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7584129204137949245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7584129204137949245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/o-que-e-poesia.html' title='O que é a poesia?'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5651042725483845449</id><published>2009-10-19T00:39:00.006-02:00</published><updated>2009-10-19T03:03:29.570-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>A pele perdida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para S.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a menina Isabella Nardoni foi atirada da janela do apartamento pelo pai e pela madrasta, nós nos deliciamos de assunto durante quanto tempo? Entre a queda da menina e a prisão dos assassinos houve todo tipo de manifestação emocional nas casas, nas escolas, nos telejornais e programas de auditório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer caso policial que envolva violência - de preferência sexual - contra crianças merece destaque no site da Folha de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a infância é uma categoria de compreensão histórica, quero dizer, não universal nem atemporal, a violência contra a criança também o é. Em &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-83332006000100010&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso"&gt;um artigo publicado nos Cadernos Pagu&lt;/a&gt;, a pesquisadora Tatiana Savoia Landini analisa as notícias publicadas no jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Estado de São Paulo&lt;/span&gt; com relação a esse tema. Recolhendo reportagens de dois períodos diferentes (o início e o final do século XX), Tatiana identifica uma mudança significativa não só na quantidade e no detalhamento (crescentes) dessas notícias, como também uma mudança &lt;span style="font-style: italic;"&gt;do que&lt;/span&gt; é considerado crime ou abuso. Vale a pena lê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito que seja eticamente pertinente, em hipótese alguma, a defesa de atos violentos cometidos por causa de uma dissimetria de poder já estabelecida. Assim como não proponho a relativização da dor, de qualquer dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é justamente por isso que me deixa puto da vida a demonização que se faz d&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o pedófilo&lt;/span&gt; e a vitimização que se faz d&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a criança&lt;/span&gt;, ambos achatados por um senso moral raso que desconsidera a complexidade humana e a especificidade de cada caso, tendo como objetivo exorcizar um mal e não resolver um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor deve ser respeitada. Qualquer que seja essa dor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StvjE4FlNiI/AAAAAAAAAZk/MASQ8jjJTLU/s1600-h/mysteriousskin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 236px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StvjE4FlNiI/AAAAAAAAAZk/MASQ8jjJTLU/s400/mysteriousskin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394154651621078562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1945, tropas aliadas libertam a Holanda da ocupação nazista. Num vilarejo de pescadores, um menino assiste à chegada de um minúsculo exército canadense, responsável por correr dali um contingente alemão ainda menor. No meio desse exército, um soldado chama a atenção do menino - e o soldado, por sua vez, não tira os olhos do garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa cidadezinha do oeste estadunidense, dois meninos entram para um time de beisebol. Um deles, Neil, se torna o melhor jogador do time; o outro, Brian, é um menininho desengonçado e tímido demais para jogar bem. Dez anos depois, Brian continua sendo um rapaz tímido e desengonçado, Neil ainda é o dono da bola e o treinador do time de beisebol sumiu do mapa, deixando apenas rastros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/For_a_lost_soldier"&gt;For a lost soldier&lt;/a&gt; (Holanda, 1992) e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mysterious_Skin"&gt;Mysterious Skin&lt;/a&gt; (EUA, 2005) são filmes que encenam relacionamentos sexuais entre adultos e crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mysterious skin&lt;/span&gt; é um filme narrado sob dois pontos de vistas, um para cada menino. Eles não se conhecem e, aos dezoito anos, a vida leva cada um dos dois a reviver o abuso sexual sofrido na infância. Em duas cenas maravilhosamente sintéticas, cada um dos meninos recebe chuva sobre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brian, sentado no escuro à noite e apavorado, sente os primeiros pingos de água fria. Neil, por sua vez, sorrindo sobre um fundo claro, recebe no rosto rodelinhas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;froot loops&lt;/span&gt;, aquele cereal colorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeroen, o menino de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;For a lost soldier&lt;/span&gt;, fica fascinado pelo soldado bonitão. Aos doze anos, ele sente desejo - cada vez mais difícil de refrear - pelos meninos e homens com quem convive. O soldado mais tarde diria, numa língua que o menino holandês seria incapaz de compreender, que, no momento em que seus olhares se cruzaram ele percebeu que o menino era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;diferente&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa então uma dança de sedução. O soldado, Walt, já tem o repertório corporal da cópula. Jeroen, no entanto, ainda não possui nenhum repertório de canalização do desejo sexual. Esse hiato entre os dois faz com que, à medida que Walt se aproxima fisicamente do menino, Jeroen se afaste fisicamente do homem e depois, encontrando espaço para se movimentar, aproxime-se tateando um ritmo próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos nove anos de idade, Neil já se masturba com frequência e fica fascinado quando vê o treinador do time, que encarna o homem das suas fantasias: alto, forte, de bigode (estamos nos anos 80). A casa do treinador, então, é o sonho de qualquer menino, cheia de doces e videogames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O treinador faz com que Neil se sinta à vontade, convidando-o várias vezes à sua casa antes de transar com o menino. Aos poucos, ele faz com que Neil se encaixe em uma série de situações de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fetiche&lt;/span&gt;: grava sua voz, tira fotos, brinca de posições e atividades diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mysterious skin&lt;/span&gt;, todas as cenas de sexo remetem diretamente a clichês da indústria pornográfica. Quando Neil, mais velho, trabalha como garoto de programa em Nova Iorque, um de seus clientes tira as roupas, se põe de quatro na cama e diz algo como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;agora fode o meu cu apertado com essa sua rola dura de moleque&lt;/span&gt;. O repertório de sacanagem em inglês é infinito e Neil o vivencia desde a infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;For a lost soldier&lt;/span&gt;, por outro lado, se passa nos anos 40, num espaço quase pré-cinema. Anterior, portanto, à proliferação massiva da imagem que vivemos hoje. As experiências, parece, são mais narrativas do que imagéticas. Jeroun e Walt brincam entre si, mas são brincadeiras que não anteveem um resultado. Ao contrário das atividades propostas pelo treinador, que visam atingir determinada composição cênica, como nos livros do Marquês de Sade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;For a lost soldier&lt;/span&gt;, o que poderia parecer um filme sobre o abuso sexual na infância se transforma, suavemente, numa história de amor. As únicas violências existentes no filme são a violência da guerra, que pelos inusitados caminhos de Eros é o que acaba unindo o casal, e a violência do próprio Amor, que tem o dom de ser tão contrário a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mysterious skin&lt;/span&gt; / não há sombra de amor. Apenas rupturas, coisas rasgadas e deixadas, faltas que ficam. Brian passa o filme inteiro tentando descobrir o que aconteceu com ele quando criança, pois não se lembra de nada e seus pesadelos frequentes parecem apenas desviá-lo dos fatos. Neil se empenha em proliferar o fetiche, mantendo o seu corpo no estado de objeto de prazer em que o treinador o usava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walt retorna ao Canadá junto com as tropas aliadas, deixando o menino Jeroen desolado. No momento em que o filme começa, Jeroen adulto (intepretado por si mesmo, o autor da autobiografia que inspirou o filme) monta um espetáculo de dança em que pretende rememorar essa fase de sua vida. Ele nunca mais soube de Walt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o treinador desaparece. Assim como Walt, ele não se despede. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mysterious skin&lt;/span&gt; dá a entender que o treinador é um criminoso em série, tendo talvez partido para outra cidade em busca de outro menino. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;For a lost soldier&lt;/span&gt; dá a entender que o soldado, não podendo mais ficar no país estrangeiro nem se despedir propriamente de Jeroen (pois eles não falam a mesma língua), volta à sua insuportável vida canadense, levando consigo o amor do menino.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5651042725483845449?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5651042725483845449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/pele-perdida.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5651042725483845449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5651042725483845449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/pele-perdida.html' title='A pele perdida'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StvjE4FlNiI/AAAAAAAAAZk/MASQ8jjJTLU/s72-c/mysteriousskin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7321573457041760561</id><published>2009-10-16T00:00:00.006-03:00</published><updated>2009-10-16T00:42:03.807-03:00</updated><title type='text'>O livro das mil e uma noites</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As histórias do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livros das Mil e Uma Noites&lt;/span&gt; são todas engenhosas. Numa, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ifrit&lt;/span&gt; (eu não sabia, mas o gênio também tem um quê de demônio) que o pescador liberta de uma urna lacrada quer matar o pescador. "Mas por quê?!", pergunta o pescador, "se eu te salvei da prisão!". E o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ifrit&lt;/span&gt; responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nos primeiros cem anos que eu fiquei preso nessa urna, eu pensava ai eu vou conceder todas as vontades de quem me livrar desta prisão. E nos primeiros cem anos ninguém me livrou da prisão. Nos mil anos seguintes, eu pensava ai eu vou conceder três desejos para quem me livrar desta prisão. E nos mil anos seguintes ninguém me livrou da prisão. Então, cheio de raiva, eu comecei a pensar ai eu vou matar com a pior das mortes quem me livrar desta prisão. Aí você apareceu, pescador, e me salvou. Por isso é absolutamente imperioso que você morra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece um monte de coisas, que eu não vou ficar contando agora. O pescador e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ifrit&lt;/span&gt; entram num duelo de argumentos mas, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro das Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;, os argumentos são todos narrativos e, para convencer alguém a fazer o que você está pedindo, é necessário contar a história de um vizir invejoso que um dia disse ao rei que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias, muito mais numerosas que as noites, vão se fagocitando mutuamente, de modo que os personagens se multiplicam e chega um ponto em que você não reconhece mais um espaço narrativo delimitado, pois tudo se desenrola simultaneamente e as narrativas se cruzam como fios de um tapete louco, múltiplas e desordenadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;, do Pasolini, é a recriação mais perfeita que pode existir dessa técnica narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa, no entanto, me motivou a vir escrever aqui. Foi imaginar que essas estorinhas engenhosas que fazem pop-up pelo livro talvez não fossem tão impressionantes se não fosse a unidade que lhes dá Sherazade e seu ofício de adiar a execução à qual o rei quer submetê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei, convencido de que é impossível que as mulheres sejam fiéis, resolve casar-se a cada dia com uma moça diferente e mandar matá-la assim que a manhã chegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sherazade, pela contação de histórias que deixam o marido com mais curiosidade do que ódio, se empenha em acabar com a desgraça causada pela decisão do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estórias nelas mesmas lembrariam talvez algo como as fábulas de La Fontaine, que têm lá sua delícia, mas se esgotam assim que terminam. Entrecruzadas, no entanto, as narrativas de Sherazade causam microexplosões na ficção e, tão variadas, são como a telenovela que deixa a gente emocionada apreensiva divertida vivendo junto e sem querer que aquilo termine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito bonita essa dimensão narrativa, essa função de dar movimento ao leitor. Ler as noites de Sherazade à noite pode ser um péssimo negócio. No livro, as personagens nunca dormem: Sherazade, sua irmã e o rei ficam até o amanhecer envolvidos pela história. Então levantam-se, vão ao dia e, ao retornarem ao quarto, a história prossegue de onde havia parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sono é uma pequena morte, onde as luzes se apagam e a gente abre espaço pro desconhecido. No &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro das Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;, tudo o que se faz é adiar a morte pela afirmação da capacidade de inventar. Não é preciso dormir, faz Sherazade, para sonhar. No filme de Pasolini um personagem sorri de alegria ao dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A verdade não está num só sonho, mas em muitos sonhos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7321573457041760561?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7321573457041760561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/o-livro-das-mil-e-uma-noites.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7321573457041760561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7321573457041760561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/o-livro-das-mil-e-uma-noites.html' title='O livro das mil e uma noites'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3516220247272856036</id><published>2009-10-14T22:42:00.007-03:00</published><updated>2009-10-28T00:27:05.841-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheava'/><title type='text'>alheava (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ainda a falar do trabalho &lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/"&gt;alheava&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais me impressiona é a dosagem do tempo. Não me lembro, agora, de ver nada parecido em literatura. Talvez o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boitempo&lt;/span&gt;, do Drummond, três livros publicados durante onze anos / também neles a memória. Mas nunca li nenhum deles com atenção para dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez anos é o tempo há que Manuel Santos Maia realiza o seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Maia mistura objetos pessoais e públicos num mesmo espaço de afeto / num mesmo espaço de exposição. Onde se reúnem fotos de família, móveis da avó, notas de dinheiro, mapas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaDHR-5geI/AAAAAAAAAZU/dIlFux2Tu_Q/s1600-h/alheava05.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 268px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaDHR-5geI/AAAAAAAAAZU/dIlFux2Tu_Q/s400/alheava05.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392641764932288994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaDCjP5KPI/AAAAAAAAAZM/d74TRrVL7ME/s1600-h/alheava04.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaDCjP5KPI/AAAAAAAAAZM/d74TRrVL7ME/s400/alheava04.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392641683667626226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É da história comum de Portugal e Moçambique. Essa miscelânea de registros / na memória não há espaço para avareza. Sobre a memória, Ecléa Bosi escreve num ensaio&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Existe, dentro da história cronológica, outra história mais densa de substância memorativa no fluxo do tempo. Aparece com clareza nas biografias; tal como nas paisagens, há marcos no espaço onde os valores se adensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) A sociedade industrial multiplica horas mortas que apenas suportamos: são os tempos vazios das filas, dos bancos, da burocracia, preenchimento de formulários...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Se a substância memorativa se adensa em algumas passagens, noutras se esgarça com grave prejuízo para a formação da identidade. É grave também nesse processo o ofuscamento perceptivo, ou melhor dizendo, subjetivo, uma vez que afeta o sujeito da percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas aparecem com menos nitidez dada a rapidez e descontinuidade das relações vividas; efeito da alienação, a grande embotadora da cognição, da simples observação do mundo, do conhecimento do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse tempo vazio a atenção foge como ave assustada.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alheava&lt;/span&gt;, a substância memorativa não se adensa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;à revelia&lt;/span&gt; dos macropoderes com seus trâmites impalpáveis, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;juntamente a&lt;/span&gt; eles. Como nos &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-1.html"&gt;exercícios de matemática coloridos com lápis de cor&lt;/a&gt;, os despojos de oficialidade que os governos derrubam sobre a nossa memória são ressignificados e entram nas veias das nossas lembranças de um modo que, talvez, a máscara da alienação não seja capaz de sustentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto no afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No afeto, a alienação das horas mortas / das imagens mortas / pode adquirir significados imprevistos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaMbs2mkGI/AAAAAAAAAZc/pyyDdcNLYyI/s1600-h/alheava06.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 268px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaMbs2mkGI/AAAAAAAAAZc/pyyDdcNLYyI/s400/alheava06.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392652011347284066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(esses posts estão sendo escritos a duras penas e impressões parcamente concatenadas. Eu agradeceria muito alguma ajuda, viu)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3516220247272856036?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3516220247272856036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-2.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3516220247272856036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3516220247272856036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-2.html' title='alheava (2)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/StaDHR-5geI/AAAAAAAAAZU/dIlFux2Tu_Q/s72-c/alheava05.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-9139911299183261892</id><published>2009-10-07T22:33:00.007-03:00</published><updated>2009-10-28T00:27:31.202-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheava'/><title type='text'>alheava (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A memória da dor / é muito do que se diz e que circula por aqui. Bastante gente diz que os quatrocentos anos de escravidão, os quinhentos de matança de índios, os cem de república policial. Que a tortura durante o regime militar de 1964. Que é possível que o trauma / esse íntimo incognoscível e doloroso da psicanálise /que o trauma possa ser coletivo. E o tratamento para o trauma / desejo de Saúde / é o rasgo dos discursos, Pandora abrindo a caixa no divã. Ou nas artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As metáforas hospitalares deixam-nos doentes do passado. Um trauma é encalacrado como tumor. Se coletivo, nós vivemos a metástase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso as metáforas sejam reversíveis / com o projeto &lt;a href="http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/"&gt;alheava&lt;/a&gt;, de &lt;a href="http://manuelsantosmaia.blogspot.com/"&gt;Manuel Santos Maia&lt;/a&gt;, me ocorre pensar que a alegria pode ser uma ação de busca de um presente perdido no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer busca implica um movimento. E todo movimento, por ser o oposto da &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/search?q=melancolia"&gt;melancolia&lt;/a&gt; (desencanto com o passado, medo do futuro, tristeza no presente, ação paralisada), já tem em si um princípio de alegria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1HNiaeCmI/AAAAAAAAAYU/sec4N6-5Qlo/s1600-h/alheava01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 276px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1HNiaeCmI/AAAAAAAAAYU/sec4N6-5Qlo/s400/alheava01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390042626934049378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1HYW6ug5I/AAAAAAAAAYc/f_T1fFvCP2Q/s1600-h/alheava02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1HYW6ug5I/AAAAAAAAAYc/f_T1fFvCP2Q/s400/alheava02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390042812826682258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já que em 2016 haverá Olimpíadas no Rio de Janeiro, é legal que a gente considere que o Estado-Nação está nos nossos corpos / assim como nos documentos / mas também no nosso afeto. Um dos divertimentos da psicanálise é dissecar o sonho / historiciza os símbolos / e ninguém há de depor contra o materialismo histórico que como prática de pensamento não só é de muita valia contra o despotismo teocrático como é inerente à organização social burguesa que conta os segundos como moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se a gente novamente conseguir retroceder na análise / e tentar entender, antes, o amor dos lápis de colorir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1LOT8G4MI/AAAAAAAAAYk/-ZspOAuhVS8/s1600-h/alheava03.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1LOT8G4MI/AAAAAAAAAYk/-ZspOAuhVS8/s400/alheava03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390047038274986178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-9139911299183261892?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/9139911299183261892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/9139911299183261892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/9139911299183261892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/10/alheava-1.html' title='alheava (1)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ss1HNiaeCmI/AAAAAAAAAYU/sec4N6-5Qlo/s72-c/alheava01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8819844586779426500</id><published>2009-09-30T20:19:00.005-03:00</published><updated>2009-11-18T14:14:04.692-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><title type='text'>Notas de leitura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os grandes textos são os que transformam o modo de ler" - Ricardo Piglia em entrevista publicada no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O laboratório do escritor&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É basicamente o argumento de Jorge Luis Borges no texto &lt;a href="http://www.galeon.com/kafka/borges2.htm"&gt;Kafka e seus precursores&lt;/a&gt;. Após citar quatro precursores da escrita e do pensamento de Kafka, Borges observa que esses precursores nada têm a ver entre si além do fato de que, neles, podemos ver traços kafkianos. E Borges conclui: "O fato é que cada escritor cria seus precursores. Seu trabalho modifica a nossa concepção do passado, como há de modificar o futuro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto que leva a uma mudança no modo de ler funciona como uma luz muito forte que, após ser encarada fixamente, atordoa a retina e para onde quer que você olhe haverá cores e estrelas que não estavam lá antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que, com a leitura, os danos à vista costumam ser permanentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também o Borges quem menciona que, por estar tão espalhado e presente pelo mundo, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro das Mil e Uma Noites&lt;/span&gt; já é "parte prévia da nossa memória". Essa afirmação é particularmente interessante por dizer "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nossa&lt;/span&gt; memória".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pode dizer que vivemos num mundo kafkiano, se na nossa retina estiverem as cores de Kafka. Assim como as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mil e Umas Noites&lt;/span&gt; estão na memória daqueles que as viram, ainda que pelos olhos de outros, mesmo que esses outros não as tenham visto, mas ouvido de outros que também podem não ter visto etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o fato de o Brasil ter pressuposto a escravidão por quatrocentos anos faz com que, boa parte do tempo, eu pressuponha a escravidão agora em 2009. A escravidão, como fato histórico, é precursora do meu presente não apenas na cronologia, mas cognitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer que 170 milhões de pessoas compartilham o meu passado cronógico, mas quantas pessoas compartilham desse pressuposto fenomenológico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esse foi um exemplo, não estou emitindo juízo de valor)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso discurso sobre o passado é uma opção por uma concatenação narrativa de fatos eleitos. E é um discurso invariavelmente do agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O sol é do tamanho do meu pé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a leitura é sempre uma leitura-agora. A leitura é como uma reação química, que só acontece na duração de contato entre dois elementos num determinado ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o presente, assim como o passado, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não é&lt;/span&gt; monolítico. É amorfo e poroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler Borges após ter ouvido &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Z0ccHdvcGpg"&gt;Diana&lt;/a&gt; me deixa muito menos crente no Borges. E ouvir Diana tendo lido Borges faz com que eu ouça com mais prazer as músicas de Diana.  No caso, não importa quem veio antes e quem veio depois. Estando os dois no meu passado, estão ambos no meu presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "grande texto" é uma experiência pessoal ou coletiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler Kafka, Kafka é um precursor de Kafka.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8819844586779426500?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8819844586779426500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/09/notas-de-leitura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8819844586779426500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8819844586779426500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/09/notas-de-leitura.html' title='Notas de leitura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-735028168411850474</id><published>2009-09-02T11:40:00.004-03:00</published><updated>2009-09-02T13:05:16.325-03:00</updated><title type='text'>Dinheiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para o Belo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É certo que nós podemos significar as coisas que vivemos de jeitos distintos e pessoais. Por exemplo, um tropeção pode ser seguido de risos ou de impropérios. Ainda assim será um tropeção e, se nos levar o tampão do dedo do pé, nos terá levado o tampão do dedo do pé independente da nossa reação a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/de-todo-esse-mundo.html"&gt;Carolina Maria de Jesus&lt;/a&gt; escrevia passando fome. É uma personalidade admirável, essa que desmaia por falta de alimento (não acidentalmente, mas como um fato contínuo do cotidiano) e que escreve sobre isso. Ela escrevia seu diário muitas vezes à noite, em cadernos velhos e com luz fraca, passando frio e fome dentro de um barraco de madeira, e essa era sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Carolina não encarnava a missão do poeta marginalizado, sem lugar na sociedade de consumo, pária da burguesia e etc. Passa longe de seu diário qualquer ímpeto redentor. Carolina apenas deu de ser pobre, preta e mulher num país e numa cidade (São Paulo) em que ser pobre, preta e mulher basta para ser maltratada por qualquer um que se sinta no direito de. Seu livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quarto de despejo&lt;/span&gt; é cheio de raiva, mas também de generosidade e, sobretudo, de atenção. O valor da escrita de Carolina não está no divertimento quase circense, para nós de barriga cheia, de vermos a miséria; está na força de apreensão da palavra. Pois que a poesia se escreve com o sangue da experiência, é esse que inunda o livro de Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou absolutamente convicto (embora sempre disposto a mudar de ideia) de que as condições materiais de produção de um texto determinam o alcance e o limite desse texto. Não se trata de justificar a poesia pela classe social ou pela psicologia do poeta, mas de não, de modo algum, reduzir a experiência do poema a critérios de leitura fixos e circunscritos. Em outras palavras, também não se trata de justificar a poesia pela classe social ou pela psicologia do leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice Lispector, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt;, também escreveu a fome. E, para demarcar que a sua própria experiência excluía invariavelmente a fome da personagem Macabéa, Clarice chegou ao extremo de forjar um autor, Rodrigo S.M., que passa o livro inteiro falando sobre como ele e Macabéa são em tudo diferentes e como, escrevendo sobre ela, lhe é impossível ter a experiência que ela tem. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt;, nem Macabéa nem Rodrigo S.M. são personagem principal: quem é é a diferença entre os dois, é a dor inalienável e que, contudo, não se admite mais dolorida do que qualquer outra dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Preso à minha classe e a algumas roupas,&lt;br /&gt;vou de branco pela rua cinzenta.&lt;br /&gt;Melancolias, mercadorias espreitam-me.&lt;br /&gt;Devo seguir até o enjôo?&lt;br /&gt;Posso, sem armas, revoltar-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Drummond, trecho de "A flor e a náusea", em &lt;/span&gt;A rosa do povo&lt;span style="font-style: italic;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita, então, acontece nesse abismo da experiência, extremamente solitária e, justamente nisso, compartilhável (acho que estou discordando do que disse no &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/coracao-das-trevas-de-joseph-conrad-2.html"&gt;meu último texto&lt;/a&gt;). Cito mais um exemplo, que é o de Simone Weil.  Formada em Filosofia, filha de uma família culta e bem de vida, Simone Weil tinha desde cedo as inclinações humanitárias típicas de uma intelectual de esquerda com influências anarquistas. Nós, que defendemos a paz no mundo e lemos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O pequeno príncipe&lt;/span&gt;, sabemos bem o que é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pujante, portanto, é ler seus diários da época em que trabalhou, como operária, em uma fábrica. Weil buscava o despojamento &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/destruidores-do-eu.html"&gt;quase mártir&lt;/a&gt; de tudo o que não fosse compartilhado e compartilhável com os operários, então a classe marginalizada da França. Nisso incluem-se iniciativas de ensino de literatura grega (já que sua profissão era a de professora) dentro das fábricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nesses diários que citei, a intelectual de constituição frágil e desacostumada ao trabalho braçal, que se propôs justamente a teorizar sobre a vida do proletariado a partir da experiência do seu cotidiano, praticamente não consegue teorizar. Há dias em que lemos uma justificativa triste de não ter podido escrever por um longo período, graças às dores fortes de cabeça que sentia. Outras vezes, o que ela faz é desenhar as engrenagens das máquinas, explicando como elas funcionam, mostrando que o contato com a máquina era mais imediato do que a reflexão intelectualizada desse contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;condições materiais da escrita&lt;/span&gt; significa admitir que toda escrita é um ato corporal. Falta admitir que toda leitura também seja.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinheiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Oh! argent! Avec toi on est beau, jeune, adoré; on a consideration, honneur, qualité, virtus. Quand on n'a point argent, on est dans la dependance de toutes choses et de tout le monde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chateubriand&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sem ele não há cova - quem enterra&lt;br /&gt;Assim grátis, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deo&lt;/span&gt;? O batizado&lt;br /&gt;Também custa dinheiro. Quem namora&lt;br /&gt;Sem pagar as pratinha ao Mercúrio?&lt;br /&gt;Demais, as Dânaes também o adoram...&lt;br /&gt;Quem imprime seus versos, quem passeia,&lt;br /&gt;Quem sobe a Deputado, até Ministro,&lt;br /&gt;Quem é mesmo Eleitor, embora sábio,&lt;br /&gt;Embora gênio, talentosa fronte,&lt;br /&gt;Alma Romana, se não tem dinheiro?&lt;br /&gt;Fora a canalha de vazios bolsos!&lt;br /&gt;O mundo é para todos... Certamente&lt;br /&gt;Assim o disse Deus mas esse texto&lt;br /&gt;Explica-se melhor e doutro modo...&lt;br /&gt;Houve um erro de imprensa no Evangelho:&lt;br /&gt;O mundo é um festim, concordo nisso,&lt;br /&gt;Mas não entra ninguém sem ter as louras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Álvares de Azevedo, em &lt;/span&gt;Lira dos vinte anos&lt;span style="font-style: italic;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-735028168411850474?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/735028168411850474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/09/dinheiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/735028168411850474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/735028168411850474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/09/dinheiro.html' title='Dinheiro'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-948397765115834387</id><published>2009-08-31T16:47:00.005-03:00</published><updated>2009-08-31T18:10:06.214-03:00</updated><title type='text'>Coração das trevas, de Joseph Conrad (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o narrador que reivindica o livro não é Marlow. É um companheiro de viagem de Marlow, um dos que estão ouvindo essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse narrador primeiro do livro ocupa apenas alguns poucos parágrafos em mais de cem páginas de texto. E suas intervenções não são propriamente literárias; antes, elas situam a narrativa de Marlow para que ela não seja direta: não é uma voz que narra ao leitor, mas é um texto em que se transcreve uma voz que narrou, não ao leitor, mas àquele que escreveu o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma mediação que reproduz outra mediação, que vamos descobrindo ao longo da leitura: a história de Marlow, na verdade, não é dele, mas a de Kurtz, o lendário homem que será resgatado na expedição que Marlow comanda até um ponto longínquo do Congo Belga, misterioso - e perigoso - para os europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de Kurtz aparecer apenas no final da narrativa de Marlow, é em direção a ele que a história caminha o tempo todo. E, apesar de ele não protagonizar nenhuma das grandes aventuras dessa história, como os perigos que a expedição de Marlow enfrenta, foi Kurz quem viveu de fato a grande aventura, maior de todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão grande que é só dele. Tão dele que Marlow não a conhece, muito menos o homem que escreve a história de Marlow, muito menos o leitor. Não conhecemos os fatos, quero dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande aventura pessoal / o inominável / isso, no entanto, partilhamos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coração das trevas&lt;/span&gt; faz parte de um mundo (o nosso mundo? "nosso" de quem?) em que, pralém dos encontrões diários, o que as pessoas realmente têm em comum é a vivência indizível, é o lacônico do cotidiano. Comunhão frustrada em que, comunicando-nos, a vida pode ser apenas insinuada em processos de desregramento do discurso convencional, o que é exercitado, por exemplo, na psicanálise e na poesia. Em linhas gerais, desde o romantismo a dicção do poeta vem sendo encarada, cada vez mais, como algo pessoal, intransferível e independente das convenções de tema/gênero/público que pautaram toda a retórica poética de Aristóteles até Gregório de Matos, por assim dizer. Analogamente, hoje cada pessoa é encarada como portadora de uma dicção própria para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deixar de&lt;/span&gt; dizer aquilo que viveu sozinha: o trauma. Todos temos traumas, segundo se diz, e o nascimento é o primeiro trauma, pelo qual todos passam. O trauma, grosseiramente definido, é uma carga de estímulos simultâneos e tão grandes que o nosso corpo não tem condições de abarcar e que, por isso, se torna uma memória intocada e dolorosa, já que não pode ser moldada pela onipresente e necessária fala-de-si. Os vários modos de clínica terapêutica costumam ser tentativas de transformar essas experiências indizíveis em traumas discursivamente possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que Marlow conta a seus ouvintes o que Kurtz apenas entredisse,  o entredizer do próprio Marlow entra em cena, reverberando no entredizer do narrador anônimo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coração das trevas&lt;/span&gt;, que se encontrará com o entredizer do leitor ele mesmo (desde que esse leitor seja especial o bastante para ter dores íntimas indizíveis). Desse modo, a clássica fala de Kurtz ("O horror, o horror") é tomada por nós como o arquétipo (um arquétipo não-narrativo e não-personificado, logicamente) da experiência moderna.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-948397765115834387?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/948397765115834387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/coracao-das-trevas-de-joseph-conrad-2.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/948397765115834387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/948397765115834387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/coracao-das-trevas-de-joseph-conrad-2.html' title='Coração das trevas, de Joseph Conrad (2)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5729002892165009388</id><published>2009-08-28T12:33:00.005-03:00</published><updated>2009-08-31T18:00:36.190-03:00</updated><title type='text'>Coração das trevas, de Joseph Conrad (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na &lt;a href="http://74.125.93.132/search?q=cache:Jr-duFY7QvEJ:filosofiaexpress.files.wordpress.com/2009/05/walter-benjamin-o-narrador1.doc+benjamin+narrador&amp;amp;cd=14&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;ct=clnk&amp;amp;gl=br&amp;amp;client=firefox-a"&gt;teoria de Walter Benjamin&lt;/a&gt;, há dois protótipos de narrador: um é o velho, aquele que viajou grandes distâncias no tempo; outro, o marinheiro, aquele que viajou grandes distâncias no espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda história nasce de uma viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal narrador de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coração das trevas&lt;/span&gt; é Marlow, um velho marinheiro que, a bordo de um navio impedido de continuar a navegação por condições naturais (mudança da maré, calmaria do vento), começa a contar uma história de sua vida aos seus companheiros de viagem, enquanto todos esperam as condições favoráveis para que o iole prossiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nascer, toda história precisa de uma espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espera, definida no tempo, é um momento de iminência, de suspensão do presente e formação de um vácuo preparatório do porvir. É nessa espera que Marlow começa a narrar, mas sua narrativa não é, de modo algum, essa espera. A espera da narrativa é outra: definida no espaço, ela consiste na disposição corporal daquele que recebe a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor/ouvinte de uma narrativa tem de criar algum vácuo em si, nos movimentos do seu corpo, para poder receber a história que lhe é contada. É a espera da atenção, tal como a define Simone Weil: &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-65642003000100002&amp;amp;script=sci_arttext"&gt;um olhar e não um apego&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é uma força que preenche.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5729002892165009388?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5729002892165009388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/coracao-das-trevas-de-joseph-conrad-1.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5729002892165009388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5729002892165009388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/coracao-das-trevas-de-joseph-conrad-1.html' title='Coração das trevas, de Joseph Conrad (1)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3932216530315494483</id><published>2009-08-25T12:29:00.002-03:00</published><updated>2009-08-25T13:32:28.044-03:00</updated><title type='text'>Escrever. Escrever para</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa mesa cheia de jovens escritores, fez-se a pergunta: por que você escreve? E seguiram-se respostas exaltadas e passionais, típicas de jovens: eu escrevo para lembrar, eu escrevo para dizer, eu escrevo para mudar, eu escrevo para me vingar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuti, o único escritor maduro da mesa, com a pontualidade característica de quem mastiga o tempo, deu a resposta mais óbvia e, na minha opinião, a mais acertada: eu escrevo para ser lido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo o que um leitor atento deseja ouvir. A menos que esse leitor se identifique a tal ponto com os textos que lê que creia que a dor contida neles seja a sua própria dor, e não dor fingida, de ninguém e de todo mundo, que é dor sobre a dor que nós deveras sentimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita para ser lida refaz o caminho ancestral da palavra, água que banha duas margens e que segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de empatia. Nem de agrado. É sim uma comunhão que transcende o imediato. Quem olhar para o céu de uma noite clara de luar verá a lua. E quem não puder ver pode saber que é a lua se alguém, ao seu lado, lhe contar. Simples, bem simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Uma das pessoas que eu mais admiro é Susan Sontag. Seus ensaios têm a clarividência de um primeiro conhecimento, límpido aberto e ávido pelo avanço. Sontag é uma pensadora estadunidense por completo: afirma a liberdade de escolha, a diversão, o orgulho da razão e a vontade messiânica e evangelista por um mundo melhor. Todas qualidades que um americano intelectualizado, seja qual for o seu país e idioma, gosta de vislumbrar de um algum modo. Pois, ainda que longinquamente, os Estados Unidos são a grande promessa do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sontag foi uma americana disposta a cumprir essa promessa. Em meio à Guerra do Vietnã, ela viajou para o país que os EUA bombardeavam a fim de entendê-lo e assim humanizá-lo aos olhos de seus compatriotas, sendo uma missionária da justiça em toda parte, até em casa. Em setembro de 2001, foi talvez a única voz de peso em Nova Iorque a destoar do coro neobárbaro que se unanimizava após os ataques ao World Trade Center, negando radicalmente a retórica bélica e xenófoba que se instaurava sem, contudo, inocentar a barbárie do outro. Não justificar a barbárie é um traço comum em seus ensaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma pensadora militante, podemos dizer. Bem no rastro do que se entende por militância hoje, surgido com os modos de organização civil que apareceram nos anos 60: um posicionamento político incessante, que abrange todas as esferas da vida pública e privada e que advoga pela factibilidade da utopia do bem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas o que eu conheço de Susan Sontag são só alguns livros de ensaios. Ela também escreveu romances, contos e peças de teatro, gêneros fictícios e fingidores. Sobre isso, a pensadora se pronunciou ao receber um prêmio em Frankfurt, na Alemanha:&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;A escritora que há em mim desconfia da boa cidadã, da "embaixatriz intelectual", da ativista dos direitos humanos - papeis mencionados na apresentação deste prêmio, por mais que eu me empenhe neles. A escritora é mais cética, tem mais dúvidas a respeito de si mesma, do que a pessoa que tenta fazer (e apoiar) o que é certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das tarefas da literatura é questionar e construir contra-afirmações às crenças dominantes. E mesmo quando a arte não é de oposição, as artes gravitam rumo à contrariedade. Literatura é diálogo; receptividade (...) [e] escritores são criadores, não só transmissores, de mitos. A literatura oferece não só mitos, mas contramitos, assim como a vida oferece contra-experiências - experiências que perturbam aquilo que pensávamos pensar, sentir ou acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Susan Sontag, no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ao mesmo tempo&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3932216530315494483?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3932216530315494483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/escrever-escrever-para.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3932216530315494483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3932216530315494483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/escrever-escrever-para.html' title='Escrever. Escrever para'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5651744600961426583</id><published>2009-08-21T18:01:00.004-03:00</published><updated>2009-08-21T18:54:49.100-03:00</updated><title type='text'>pela estrada do sítio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que desde o acontecimento concretista, o que muito se dá valor é pra poesia culta - a personagem-poeta cultivando erudição, Haroldo de Campos de boinas com seu séquito / e os séquitos se sequitando. Em modos de produção de leitura que dragam tudo transformando tudo em diamante e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;make-it-new&lt;/span&gt;, de modo que o fazer anárquico de Paulo Leminski, o carcomido de Manuel Bandeira, o drenado de Orides Fontela, tudo se nivela à auto-satisfação do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;achievement&lt;/span&gt; (a conseguição do sucesso) poético / o poético um fenômeno que emana de si mesmo como uma luz abstrata que nada ilumina e não fabrica sombras. De repente estamos parnasianos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia, assim exercida, que exercício de avarezas. Pois avaro é aquele que delega ao mínimo a potência do máximo - e "ao mínimo", aqui, me refiro à técnica. A técnica é um acidente do Poeta. O Bardo é aquele que carrega, é o que anuncia e é o correnteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lógico que o fazer carece lá da sua fita métrica e nível, mas engana-se quem acha que os melhores momentos de João Cabral ou Haroldo de Campos são grandes feitos da engenharia assim como deve ser a ponte Rio-Niterói ou qualquer outra grande estrutura de aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que João Cabral seja o grande poeta da engenharia (e um grande engenheiro da poesia), seus poemas não estão em débito com técnica alguma, nem são sustentados por aquelas colunas fortes para as quais basta um Sansão inspirado por deus para derrubá-las. Um poema como "O engenheiro" é as colunas tanto quanto é o herói que as destrói, e os fariseus que caem pra morte, o céu indiferente no Japão,  a narrativa e a contranarrativa e a própria inspiração divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O POEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tinta e a lápis&lt;br /&gt;escrevem-se todos&lt;br /&gt;os versos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que monstros existem&lt;br /&gt;nadando no poço&lt;br /&gt;negro e fecundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que outros deslizam&lt;br /&gt;largando o carvão&lt;br /&gt;de seus ossos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o ser vivo&lt;br /&gt;que é um verso,&lt;br /&gt;um organismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com sangue e sopro,&lt;br /&gt;pode brotar&lt;br /&gt;de germes mortos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel nem sempre&lt;br /&gt;é branco como&lt;br /&gt;a primeira manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muitas vezes&lt;br /&gt;o pardo e pobre&lt;br /&gt;papel de embrulho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é de outras vezes&lt;br /&gt;de carta aérea,&lt;br /&gt;leve de núvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é no papel,&lt;br /&gt;no branco asséptico,&lt;br /&gt;que o verso rebenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um ser vivo&lt;br /&gt;pode brotar&lt;br /&gt;de um chão mineral?&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(João Cabral de Melo Neto no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O engenheiro&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um edifício / crescendo de suas forças  simples&lt;/span&gt;. Como ser vivo de sangue e sopro, mas essencialmente inorgânico, o poema me interessa enquanto o ato de amor que ele é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma lá: o que é o amor? Eros é a força primeira de união, no princípio uma molécula disse "sim" a outra molécula e aí se fez: o princípio. É o amor que move o Sol e as outras estrelas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5651744600961426583?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5651744600961426583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/pela-estrada-do-sitio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5651744600961426583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5651744600961426583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/pela-estrada-do-sitio.html' title='pela estrada do sítio'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5973753075970470621</id><published>2009-08-18T08:54:00.007-03:00</published><updated>2009-08-19T12:42:31.565-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Santiago Nazarian</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A biografia de um escritor é sua obra", corre por aí. Italo Calvino mentia em todas as entrevistas que dava, cada uma uma mentira diferente. Rubem Fonseca não dá entrevistas e não gosta de ser fotografado, quase que nem o J.D. Salinger, que no entanto é mais radical e chega a processar judicialmente quem fala dele sem permissão. Clarice Lispector entrevistou muitas pessoas, mas ela própria concedeu apenas uma ou outra entrevista. E dizem que, quando ela e Lígia Fagundes Telles estavam em algum evento e ela percebia alguém querendo fotografá-las, Clarice puxava Lígia de canto e dizia: faça cara de má, nós vamos ser fotografadas. Era a pose do escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, como leitor, poucas vezes me interessei a sério pelos autores. Quando comecei a ler Caio Fernando Abreu, aos 13 anos, eu quis muito ser amigo dele. Aí descobri que ele tinha morrido no ano anterior e fiquei triste. Depois, no final da adolescência, me deu um frisson de dois dias pensar que a Hilda Hilst, que tinha escrito aqueles livros que estavam me rasgando em mil pedaços, morava tão perto e eu não ia nem falar "obrigado" pra ela. Decidi com uma amiga que iríamos conhecê-la e a Hilda morreu no final daquela semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma coisa que acontece, os poetas mortos. Mas agora eu quero dizer que outra coisa acontece também, que é os poetas estarem vivos. E ter lido um livro do &lt;a href="http://santiagonazarian.blogspot.com/"&gt;Santiago Nazarian&lt;/a&gt; bastou para que eu quisesse saber como ele tinha chegado àquilo - e como tinha passado por aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Santiago acaba de publicar seu quinto romance, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rvAQrhK3k2w"&gt;O prédio, o tédio e o menino cego&lt;/a&gt;. Esse livro parece seguir uma trajetória similar à dos anteriores,* com boa recepção por parte da crítica e do público, coisa pouco comum no nosso mercado editorial. &lt;a href="http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/2009/08/09/um-romance-sobre-adolescentes-e-zumbis/"&gt;Agora&lt;/a&gt; ele fala de zumbis e da difícil passagem da infância para a adolescência, seguindo uma decisão corajosa de não deixar nada de fora e de não reproduzir as fórmulas prontas da &lt;a href="http://acabouproduto.blogspot.com/2008/12/e-e-cummings.html"&gt;boa literatura&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, ele responde a cinco perguntas que lhe fiz por email.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pergunta:&lt;/span&gt; Como você começou a escrever e quando foi que decidiu se autodenominar escritor? Você poderia traçar um percurso entre o surgimento da vontade e a opção mais formal (por assim dizer) pela profissão de escritor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Resposta:&lt;/span&gt; Eu venho de uma família de artistas, meu pai é artista plástico, tenho irmãos atores, e minha mãe sempre trabalhou com livros, em livrarias, na Biblioteca José Mindlin. Foi um percurso natural – porque sempre tive livros em casa, sempre gostei de ler. Até experimentei outras formas de arte – estudei piano, toquei teclado numa banda, fiz curtas-metragens na faculdade – mas escolhi a literatura pela independência, pela possibilidade de trabalhar sozinho, e fazer do meu jeito. Sempre fui muito individualista, então a literatura é a opção ideal. Comecei a escrever mais a sério, tentando formar livros, pelo final da adolescência, 17, 18... Era muito ruim, mas acho que tinha personalidade. Foi bom porque nunca fui travado para isso, escrevia muito, romances inteiros, horríveis, e passava para o próximo, aos poucos eles foram melhorando. Com 22 escrevi “A Morte Sem Nome”, que foi o segundo que publiquei, com 26. “Olívio” eu escrevi com uns 23, mas publiquei primeiro, com 25. Eu nunca achei que poderia ser escritor, como uma profissão, apenas gostava de escrever, e acho que estaria fazendo isso ainda hoje, mesmo que não tivesse publicado. O primeiro livro (“Olívio”) acabou saindo meio por acaso, porque tinha um concurso para romances inéditos (o Prêmio Fundação Conrado Wessel) e eu mandei, para ter uma certa avaliação. Ganhei o Prêmio, o livro saiu, daí me esforcei para que isso significasse alguma coisa, para que não morresse com a publicação de um livro, sem repercussão e sem novas possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P:&lt;/span&gt; Numa &lt;a href="http://walysalomao.com.br/?p=63"&gt;entrevista de 2003&lt;/a&gt; à Heloísa Buarque de Hollanda, o Waly Salomão diz o seguinte:&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;HBH:&lt;/span&gt; Como nosso defensor oficial da leitura [Waly havia sido nomeado secretário nacional do Livro e da Leitura], além de gostar de analfabetos você não tem medo da mídia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;WALY: &lt;/span&gt;De jeito nenhum. Foi o programa do Jô que me aproximou do Afroreggae. Por isso é que poeta não querer ir para arena pública está errado. Poeta criticar a coisa midiática é uma coisa da Europa civilizada pós-Hitler, mas que aqui não tem razão de ser. O poeta, o escritor tem que ter uma arena pública, tem que ter um modo de falar não só para o Departamento de Letras, não pode fazer uma poesia prêt-à-porter que agrade ao ouvido do professor. Ele tem obrigação de tentar alargar o seu escopo.&lt;/blockquote&gt; O poeta tem que ter uma arena pública? Tenho a impressão de que, nas suas entrevistas nos programas do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VySAWt2rzNM"&gt;Jô Soares&lt;/a&gt; e da &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=glrSQkBI0ZI"&gt;Adriane Galisteu&lt;/a&gt;, os entrevistadores deram mais enfoque ao lado anedótico da sua vida do que aos seus textos - e, pelo que eu vejo, isso tende a acontecer com qualquer escritor que apareça fora da mídia especializada em literatura e artes. Isso te incomoda ou incomodou em algum momento? E, quando você aparece como "celebridade" nessas arenas públicas, qual o lugar que fica para o seu trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;R:&lt;/span&gt; Acho que há um certo desperdício, sim... Essas entrevistas poderiam aproveitar mais o entrevistado, se aprofundar em questões literárias, e ainda assim serem divertidas. Mas é um risco, claro, quando você se aprofunda, pode estar perdendo público - perdendo audiência, no caso dos programas de TV. De qualquer forma, é inegável que programas como o do Jô... bem, principalmente o Programa do Jô, tenha aumentado meu público. Muita gente viu e achou engraçado, me achou um personagem interessante, começou a seguir meu blog. Alguns deles compraram meu livro – pode ter sido uma porcentagem pequena, mas de qualquer forma houve esse aumento no número de leitores. Então concordo com o Wally, é fundamental aproveitar qualquer arena que esteja disponível, na qual se possa fisgar novos leitores. Não me importa que um leitor compre meu livro porque me achou bonitinho... Aliás, pode ser mais interessante que um leitor compre meu livro porque me achou bonitinho, se é uma pessoa que não está acostumada a ler, e passa a ser. Me cansa um pouco falar da minha vida, mas me cansa também responder as mesmas perguntas sobre meus livros. É colocar no piloto automático e fazer, porque sempre terá gente que estará vendo pela primeira vez, e que vai se interessar.... Imagine quantas vezes já respondi a “por que você resolveu ser escritor”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P:&lt;/span&gt; O seu primeiro romance, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olívio&lt;/span&gt;, foi publicado em 2003, e agora você acaba de lançar seu quinto livro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O tédio, o prédio e o menino cego&lt;/span&gt;. De que modo você acha que as críticas literárias e a sua presença na mídia afetaram, ao longo desses anos, o seu trabalho de criação, composição e escrita de romances? (se é que você acha isso:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;R:&lt;/span&gt; Pode parecer contraditório, mas a exposição me tornou mais livre. Veja, antes eu não tinha editora, eu não tinha público, e eu tinha certa vontade de ser aceito, de ser lido, tinha medo da crítica, da classe literária, sim, ou de nem conseguir publicar. Daí publiquei um livro, dois livros... Eu percebo claramente que meus livros foram ficando cada vez mais com minha cara. Hoje em dia vejo “Olívio”... não tenho vergonha nem renego, mas não é um livro nada pessoal, é um livro muito parecido com muita coisa que existe aí. Sou eu tocando num universo que é comum para muita gente. Daí eu lanço meu quarto, um livro narrado por um jacaré de esgoto, por uma editora tradicional, e tenho ótima aceitação – é meu livro que mais vendeu, inclusive. Obviamente isso me deixa cada vez mais confiante e livre para fazer do meu modo. Também é um processo natural de amadurecimento – “torna-te quem tu és”. Você vai consolidando seu próprio estilo. Mas claro que, ainda hoje, tenho certo receio, sempre dou esse passo além (que às vezes é um passo largo) e penso: “Como será que o público receberá isso? Será que alguém vai entender o que eu quis dizer?” Até agora, o saldo tem sido bem positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P:&lt;/span&gt; Lembro de ler o Caio Fernando Abreu, numa crônica, acho, lamentando o fato de que "o escritor no Brasil" tem de conciliar o ganha-pão, muitas vezes extenuante, com a escrita. Nesse texto, Caio (que estava lançando Os dragões não conhecem o paraíso, se não me engano) dizia que adotara o seguinte método para escrever: trabalhava loucamente durante um tempo, até juntar uma grana razoável, e depois ficava um período de dois anos só escrevendo - e eventualmente contraindo dívidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um livro que eu acho que coloca esse lance na mesa é A hora da estrela, com o autor Rodrigo S.M. se referindo o tempo todo às suas contas a pagar e ao conforto em que escreve, uma espécie de burguês-pária).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você encara a relação entre as condições materiais da sua escrita e o resultado final dela, que são os romances e outros textos publicados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;R:&lt;/span&gt; Todos meus trabalhos giram em torno da escrita. E não lamento ter de fazer esses trabalhos para me sustentar. Eu aprendo muito como tradutor, por exemplo, acrescenta muito a mim como escritor. O mesmo como parecerista/resenhista. Para mim é um privilégio receber para ler um livro e dar minha opinião. Então agradeço conseguir viver disso, não me sinto prostituído, pelo contrário. Às vezes há trabalho demais, e falta tempo para escrever minha própria literatura, ou ler o que quero, mas sei que esses trabalhos vão me fortalecer como escritor, além de pagar minhas contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P:&lt;/span&gt; Como escritor, qual a sua ambição de vida? :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;R:&lt;/span&gt; Ter uma carreira sólida no exterior. Não é pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* Livros publicados por Nazarian&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olivionazarian.blogspot.com/"&gt;Olívio&lt;/a&gt; (Ed. Talento, 2003)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.amortesemnome.blogspot.com/"&gt;A morte sem nome&lt;/a&gt; (Ed. Planeta, 2004)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.feriadodemimmesmo.blogspot.com/"&gt;Feriado de mim mesmo&lt;/a&gt; (Ed. Planeta, 2005)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mastigandohumanos.blogspot.com/"&gt;Mastigando humanos: um romance psicodélico&lt;/a&gt; (Ed. Nova Fronteira, 2006)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.prediotediocego.blogspot.com/"&gt;O prédio, o tédio e o menino cego&lt;/a&gt; (Ed. Record, 2009)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5973753075970470621?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5973753075970470621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/entrevista-com-santiago-nazarian.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5973753075970470621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5973753075970470621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/entrevista-com-santiago-nazarian.html' title='Entrevista com Santiago Nazarian'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1665282682621024901</id><published>2009-08-12T19:58:00.009-03:00</published><updated>2009-08-16T13:57:00.578-03:00</updated><title type='text'>A paixão dos suicidas que se matam sem explicação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SoNhkJU9FnI/AAAAAAAAAVs/zmaATziNw_s/s1600-h/guilhermedefaria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 321px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SoNhkJU9FnI/AAAAAAAAAVs/zmaATziNw_s/s400/guilhermedefaria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369242454362756722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De um romance a gente espera começo, meio e fim. Que o romance trata de vidas exemplares, seja para você se identificar com elas ou rejeitá-las, total ou parcialmente. Mas um romance tem necessariamente personagens e as personagens são necessariamente antropomiméticas, quero dizer, à imagem e semelhança do Criador. À diferença da poesia, que é o discurso dos discursos e tantas vezes compartilha, com o leitor, apenas o eu pressuposto de qualquer enunciação, como quando a gente canta uma música imitando a Madonna ou a Ângela Maria. Poesia é coisa de xamã, de incorporar a voz do outro, enquanto o romance encena o teatro do mundo e há exterioridade mesmo na catarse. Não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A morte sem nome&lt;/span&gt;, do &lt;a href="http://santiagonazarian.blogspot.com/"&gt;Santiago Nazarian&lt;/a&gt;. Nesse, a personagem principal, que emite a voz narradora do livro, é uma personagem que se sabe fala / ou melhor, é uma personagem que se projeta fala, que se fala apenas fala, feita só de texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a personagem Lorena não é uma pessoa-Lorena, ela não precisa obedecer às leis da física e à lógica do cotidiano. Lorena é uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;suicida serial&lt;/span&gt;, que se mata a cada capítulo. O texto, inorgânico, torna possível a morte na vida - e as várias mortes várias vidas no seu encadeamento de palavras se lançam para a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo Letícia se lança para fora das janelas, para debaixo da água da banheira, para fora de seu corpo com sangue que encharca cinco andares de um prédio. No mundo da imaginação estruturada pelo texto, morrer é possível. Viver também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo um jogo. Como no videogame, game over, reset, outro jogo, quantas vidas você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Os capítulos se seguem melancólicos. Mas a pena é a da galhofa / ou antes, é a pena da vida que escreve com a tinta da morte. Lorena lembra a performer de &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/arts/poetry/outloud/plath.shtml#"&gt;Lady Lazarus&lt;/a&gt;, o poema de &lt;a href="http://www.culturapara.art.br/opoema/sylviaplath/sylviaplath.htm"&gt;Sylvia Plath&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;I have done it again.&lt;br /&gt;One year in every ten&lt;br /&gt;I manage it-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dying&lt;br /&gt;Is an art, like everything else.&lt;br /&gt;I do it exceptionally well.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I do it so it feels like hell.&lt;br /&gt;I do it so it feels real.&lt;br /&gt;I guess you could say I've a call.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Eu fiz outra vez. / Um ano em cada dez / Eu consigo---- (...) Morrer / É uma arte, como tudo mais. / Eu faço isso bem demais. //  Eu faço tantas vezes que parecem infernais. / Eu faço tantas vezes que parecem reais. / Eu acho que você pode chamar isso de um chamado.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renasce para remorrer / para renascer feito um Lázaro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stripper&lt;/span&gt;, mostrar a sua morte e a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Lorena (ou Letícia), no entanto, faz mais as vezes de Cristo do que de Lázaro. Na sua passionalidade rasgada, lê-la traz cá suas catarses. Talvez pelo reconhecimento das minhas próprias vontades de morte. Mas acho que principalmente pela delícia da ficção que é poder morrer de amor todos os dias / e continuar vivo. E com isso aprender que a morte está com a gente, beijá-la é possível, com ou sem dramalhão. E morrê-la será. Temer a morte é temer a vida, não é&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qVeml5Adnm4"&gt;?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esse papo me fez lembrar duma crônica do Caio Fernando Abreu. A crônica como gênero,   dizem, é diferente do romance: está mais pra comentário da vida do que para simulação desta. Isso se a gente estabelecer limites entre ficção e realidade / e fixarmo-nos neles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Ela se debruçou sobre mim, tão próxima que consegui ver meu rosto em suas pupilas dilatadas. Era bonita? Pergunta Alguém-Ninguém, a quem tento contar essa história que nem história seria. Fico aflito, tenho sempre tanto medo que me desviem do que estou tentando desesperadamente organizar para dizer; qualquer atalho poderia me perder, e à minha quase história, para todo o sempre. E nada mais triste que histórias abortadas, arrastando correntes, fantasmas inconsoláveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, pacientíssimo, respondi: Não, querido. Era, sim, uma cara de verdade. A de Simone Signoret no final, lembra? A de Irene Papa, Anna Magnani, Fernanda Montenegro. Sem artifícios, crua. Adéli a Prado, Jeane Moreau. Uma cara que se conquista e ousa, que a vida traça, impõe e esculpe fundo em lascas e vincos feitos num mapa em relevo. Anouk Aimée, Marguerite Duras, Vanessa Redgrave. Alguém-Ninguém entusiasma-se com o glamour dessas comparações. Cala-se, olho parado divaga em outras imagens, outras divas. Nem ouve mais, &lt;a href="http://semamorsoaloucura.blogspot.com/2006/12/mais-uma-carta-para-alm-dos-muros.html"&gt;eu continuo a contar&lt;/a&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1665282682621024901?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1665282682621024901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/paixao-dos-suicidas-que-se-matam-sem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1665282682621024901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1665282682621024901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/08/paixao-dos-suicidas-que-se-matam-sem.html' title='A paixão dos suicidas que se matam sem explicação'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SoNhkJU9FnI/AAAAAAAAAVs/zmaATziNw_s/s72-c/guilhermedefaria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2329772914547185277</id><published>2009-07-26T10:01:00.005-03:00</published><updated>2009-07-26T15:42:20.171-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>12 exemplares em exposição</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SmxVOYgbN8I/AAAAAAAAAUg/I4AHEZzVGXo/s1600-h/12+flyer-web-grande2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 282px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SmxVOYgbN8I/AAAAAAAAAUg/I4AHEZzVGXo/s400/12+flyer-web-grande2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362754961876400066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://12exemplares.blogspot.com/"&gt;Isso daqui&lt;/a&gt; é o acontecimento literário do ano. E agora vai ter essa exposição. Em &lt;a href="http://cecilia.org.br/"&gt;São Paulo&lt;/a&gt; e logo mais em Portugal. Não vou me estender sobre o assunto, mesmo porque tudo o que eu tenho escrito no último ano foi a partir dessa experiência da &lt;a href="http://cubodenoite.blogspot.com/"&gt;Júlia&lt;/a&gt;. São as alegrias possíveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2329772914547185277?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2329772914547185277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/07/12-exemplares-em-exposicao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2329772914547185277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2329772914547185277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/07/12-exemplares-em-exposicao.html' title='12 exemplares em exposição'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SmxVOYgbN8I/AAAAAAAAAUg/I4AHEZzVGXo/s72-c/12+flyer-web-grande2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8875095588733052957</id><published>2009-07-16T10:03:00.005-03:00</published><updated>2009-07-16T10:37:25.958-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>meu coração / galinha de leão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós entramos com frio pra ver a exposição de &lt;a href="http://www.sophiecalle.com.br/"&gt;Sophie Calle no SESC Pompeia&lt;/a&gt; e o frio aumentou. Sophie recebeu um email de seu homem rompendo o relacionamento. Aí ela pegou esse email e mandou pra um monte de mulheres pedindo que elas o interpretassem segundo suas profissões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colunista social escreve uma nota de fofoca, "a artista plástica Sophie Calle recebeu um email...". A linguista sublinha os verbos e faz uma transcrição fonética. A atriz interpreta, e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada interpretação do email está presa à pessoa que o interpretou - e cada pessoa está presa a si mesma. Disso resulta uma pobreza discursiva constrangedora. Pois não se pode esperar mais além do que já se tem. Se a motivação do trabalho de Sophie Calle é uma carta de &lt;a href="http://www.almacarioca.com.br/cro82.htm"&gt;amor&lt;/a&gt;, então o nosso amor é assim tão previsível e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;profissional&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um outro francês que deu pra falar de amor foi Roland Barthes. Partindo do pressuposto bakhtiniano de que nenhum discurso é original, toda fala já foi falada antes, Barthes compilou nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fragmentos de um discurso amoroso &lt;/span&gt;os lugares (linguísticos) comuns do amor moderno. O que se diz quando se diz "eu-te-amo"? E Barthes retira trechos de obras literárias como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Werther&lt;/span&gt;, de Goethe, para mostrar que o "eu-te-amo" que a gente diz já foi dito há três séculos, não é nada de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu te amo&lt;/span&gt; depende de muita coisa para ser um vácuo de contato ou o nirvana impossível dos corpos, entre tantas possibilidades. Os trabalhos de Barthes e de Sophie Calle são catálogos dessas possibilidades. Do amor catalogável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UEasgxSEjww&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/UEasgxSEjww&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Sjgv3J57Uoc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Sjgv3J57Uoc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8875095588733052957?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8875095588733052957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/07/meu-coracao-galinha-de-leao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8875095588733052957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8875095588733052957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/07/meu-coracao-galinha-de-leao.html' title='meu coração / galinha de leão'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-36347346759303630</id><published>2009-06-27T21:23:00.004-03:00</published><updated>2009-06-27T21:59:05.868-03:00</updated><title type='text'>de mudança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ska8H7WLGuI/AAAAAAAAATs/9DxE9YED6IE/s1600-h/caracol.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 5px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 232px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ska8H7WLGuI/AAAAAAAAATs/9DxE9YED6IE/s400/caracol.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352172051552213730" border="15" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;ponho os livros em caixas, numero-as e faço listas, vão se empilhando bíblias poemas putarias e &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/sobre-bibliotecas-e-livrarias.html"&gt;a única ordem é&lt;/a&gt; caber. fisicamente nas caixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois dos livros, essa vida, encaixotar todo o resto parece desnecessário, vulgar e complicado. tudo fica muito difícil ou muito fácil, uma bagunça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu sempre tive a mania de nunca sair de casa sem pelo menos três livros na mochila. libriano precisa de opção. um de poesia, um de ficção, um de ensaio. mas o único que ficou fora das caixas é o que já estava na mochila, faz tempo que eu leio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a autobiografia de alice b. toklas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;da gertrude stein&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que é um texto absolutamente moderno. pedante, sem graça, uma delícia. nada que eu queira deixar para o mundo - então nem vou escrever sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;digo é que acabei de escrever um posfácio para um livro que é um arraso e que fiquei muito feliz com o meu primeiro trabalho encomendado como crítico. gostoso mesmo é amar, texto só vale se for gesto. this is my letter to the world, essa história. muitos outros virão, filharada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ska_rpCI7qI/AAAAAAAAAT8/WKAGNyO7PZc/s1600-h/lauraw.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 298px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ska_rpCI7qI/AAAAAAAAAT8/WKAGNyO7PZc/s400/lauraw.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352175963646520994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a imagem do quarto é &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/chronoscopia/3526361781/"&gt;daqui&lt;/a&gt;. &lt;a href="http://www.curiosidadeanimal.com/anatomia_caracol.shtml"&gt;quanto ao caracol&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-36347346759303630?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/36347346759303630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/de-mudanca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/36347346759303630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/36347346759303630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/de-mudanca.html' title='de mudança'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Ska8H7WLGuI/AAAAAAAAATs/9DxE9YED6IE/s72-c/caracol.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3796130106269874720</id><published>2009-06-11T00:08:00.005-03:00</published><updated>2009-06-11T00:53:38.821-03:00</updated><title type='text'>ame-o e deixe-o</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esse texto é só para mostrar &lt;a href="http://nuno-ramalho.blogspot.com/search?updated-max=2009-05-28T05%3A19%3A00-07%3A00&amp;amp;max-results=1"&gt;isso&lt;/a&gt; / / / ainda lendo o maiakovski teórico da poesia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;Não basta alargar as fileiras em marcha. É necessário fazê-lo seguindo todas as regras do combate de rua, é necessário que o telégrafo, os bancos, os arsenais, passem para as mãos dos operários sublevados.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós que nos pensamos anacrônicos / sem ancestralidade / sendo &lt;a href="http://cubodenoite.blogspot.com/2009/06/greve.html"&gt;a política também anacrônica&lt;/a&gt; e tudo o mais que não estiver presentificado pelos juros / que arte para o nosso tédio alegre?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a possibilidade da melancolia / .   A Farmácia está voltada à pesquisa de um antidepressivo simultaneamente analgésico, faz uns anos eu ouvi. Serão admitidos sorrisos em documentos oficiais / nós inventamos a bipolaridade emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melancolia como descontentamento contemplativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que é o amor, não é?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual alegria arrancar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos bons momentos de Ana C., em que ela não anula -&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;MOCIDADE INDEPENDENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as consequências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- caminhando contra o vento / eu vou eu vou / na bateria da escola de samba mordida na ferocidade humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 51);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A melancolia não tem dentes. Esquenta bastante a batata e deixa de comê-la, de modo que os dentes se atrofiam. E ela endurece mole, quem quer que sopre a vê voar mas ela nunca se aliena de si. Como o Michael K do romance do Coetzee: a África do Sul em guerra deslocamentos civis ele vai montanhas comer mosquito e terra. Porque quer. (Querer, aí, é um desejo seco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria furiosa não tem nada a ver com a dos anúncios publicitários porque ela é / rasgada / &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pessoal&lt;/span&gt;. Uma que também não se aliena de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra essas duas o Outro nunca é uma questão. Tanto a alegria quanto a melancolia (políticas, coração) são materiais. Presença de corpo. o Outro só é uma questão pro arquétipo abstraído. Essas duas são arquétipos materializados. (Para a melancolia no entanto o Outro costuma ser uma dor, quando contemplação dói).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 51);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há que, portanto, materializar essa presença / a arte. Uma presença de corpo pra ter &lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;x&lt;/span&gt;s outr&lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;x&lt;/span&gt;s presentes. O artesanato das relações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;~&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3796130106269874720?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3796130106269874720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/ame-o-e-deixe-o.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3796130106269874720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3796130106269874720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/ame-o-e-deixe-o.html' title='ame-o e deixe-o'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4020119511389887754</id><published>2009-06-05T00:52:00.001-03:00</published><updated>2009-06-05T00:52:33.616-03:00</updated><title type='text'>Pra você, hipócrita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maiakóvski sabia que Klébnikov não era pra todo mundo. E escreveu mais precisamente: &lt;blockquote&gt;Se um livro se destina apenas a uns tantos e para seu exclusivo consumo e se, além disso, não tem qualquer outra finalidade, é sem dúvida alguma inútil. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se um livro se dirige a alguns - da mesma maneira que a energia do Volkstoi se transmite a umas tantas subestações que distribuem depois a energia transformada na corrente elétrica - é sem dúvida alguma útil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livros destes dirigem-se, na verdade, a um número reduzido de produtores, não de consumidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(do texto "Os operários e os camponeses não vos compreendem")&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Klébnikov, força dinamitante da palavra, não é para o leitor que não esteja interessado em construir com os escombros e entulhos dessa explosão. Porque quem vê a explosão sem o exercício da historicidade estará de mãos vazias. E é inadimissível uma leitura alienada da experiência artífice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Maiakóvski (que era poeta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de&lt;/span&gt; Estado, e não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;para o&lt;/span&gt; Estado. Um poeta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pelo&lt;/span&gt; Estado - porque o Estado são todos) o leitor não é um concorrente, não é o filho-da-puta que é para todo o resto da tradição moderna. Não tem hipocrisia: o leitor é camarada de barricada e fruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os escritores mais generosos são amargos para se dirigirem ao seu público. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt; (paradigma) está cheio de alfinetadas de raiva - "(Há os que têm. E há os que não têm. É muito simples: a moça não tinha. Não tinha o quê? É apenas isso mesmo: não tinha. Se der para me entenderem, está bem. Se não, também está bem.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém me ajuda a pensar, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo o livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A literatura em perigo&lt;/span&gt; /// lucidez. A começar pelo final da quarta capa, que é o cartão-de-visita do livro.&lt;blockquote&gt;Uma concepção estreita da literatura, que a desliga do mundo no qual ela vive, impôs-se no ensino, na crítica e mesmo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;em muitos escritores&lt;/span&gt;. O leitor, por sua vez, procura nos livros o que possa dar sentido à existência. E é ele quem tem razão.&lt;/blockquote&gt;Os grifos são meus. É que quando eu comecei a escrever este texto eu estava pensando num argumento de fundo que seria, mais ou menos, a sensação de termos hoje muitos escritores querendo dinamitar tudo e poucos querendo construir. Tem mais escombros que cidades. (Caetano Veloso canta: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Everybody knows that our cities were built to be destroyed&lt;/span&gt;). Mas temos que contruir cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem que morar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser o operante no capitalismo contemporâneo. A &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u558006.shtml"&gt;ênfase no consumo joga a produção para debaixo do tapete&lt;/a&gt;. A produção não deixa de existir, mas ela se reduz ao escasso e está cercada de tanto autoritarismo explícito que é bem pouco charmoso você querer produzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasolini defendia aos berros que a chamada "democratização da escola" era na verdade despida de bondades, destinada à padronização dos modos de vida, e o triunfo fascista aos sorrisos, vitoriosa naquilo que os fascistas carrancudos fracassaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todorov, no livro acima citado, pode reforçar esse argumento ao dizer que "a concepção redutora da literatura não se manifesta apenas nas salas de aula ou nos cursos universitários; ela também está representada de forma abundante entre os jornalistas que resenham livros, e mesmo entre os próprios escritores. Devemos nos espantar? Todos esses passaram pela escola. (...) Numerosas obras contemporâneas ilustram essa concepção da literatura; elas cultivam a construção engenhosa, os processos mecânicos de engendramento do texto, as simetrias, os ecos e os pequenos sinais cúmplices".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta é. O que resta?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MASSACRE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram mil a atacar&lt;br /&gt;o só objeto&lt;br /&gt;indefensável&lt;br /&gt;e pá e pé e ui&lt;br /&gt;e vupt e rrr&lt;br /&gt;e o riso passarola no ar&lt;br /&gt;grasnando&lt;br /&gt;e mil a espiar&lt;br /&gt;os alfabetos purpúreos&lt;br /&gt;desatando-se&lt;br /&gt;sem rota&lt;br /&gt;e llmn e nss e yn&lt;br /&gt;eram mil a sentir&lt;br /&gt;que a vida refugia&lt;br /&gt;do ato de viver&lt;br /&gt;e agora circulava&lt;br /&gt;sobre toda ruína&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Drummond)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o príncipe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei com alguém pra me proteger&lt;br /&gt;ele cortava o mato de uma clareira&lt;br /&gt;e eu a cada dia mais perto das ervas rasteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao topo de toda a minha época herói de mim mesmo revigoro:&lt;br /&gt;acredito que existam intimidade, calor e frio,&lt;br /&gt;o estômago é o novo coração e o coração é o novo leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Júlia de Carvalho Hansen)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4020119511389887754?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4020119511389887754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/pra-voce-hipocrita.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4020119511389887754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4020119511389887754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/06/pra-voce-hipocrita.html' title='Pra você, hipócrita'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2181937927031673200</id><published>2009-05-28T01:02:00.003-03:00</published><updated>2009-05-28T01:45:17.566-03:00</updated><title type='text'>Ensaio para a loucura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos antigos não tinha essa de louco: colocava-se tudo num barco, abandonando-se-o no horizonte. E que os loucos se comessem as carnes ou os tubarões se encarregassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já no&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Dom Quixote&lt;/span&gt; aparece: o herói não bate bem da bola. De tanto ler ficou confuso, acha que é um personagem de cavalaria. O que não acontecia nos antigos: ninguém achava que era Aquiles pra sair cercando Tróia por aí. A loucura no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quixote&lt;/span&gt; aparece como medo da ficção - que, sem limites, é um perigo - tal como uma cidade, um forte, um condomínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então aparece Freud pra dizer que de louco todo mundo tem um pouco (porque o Freud dizia que a razão não era assim tão razoável e estamos todos perigando). Só num século de Freud é que é possível Antonin Artaud. E é um tal de gente louca na literatura do século XX, que foi toda de escritores-incompreendidos-marginais-na-sociedade-capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escritores, claro, quase todos lúcidos queriam mais era colocar lenha na fogueira dos personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez os escritores loucos tenham tematizado menos a coisa. Sylvia Plath foi uma. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A redoma de vidro&lt;/span&gt;, que é uma espécie de sua autobiografia, não fala de uma loucura de triunfo. É um lugar atormentado que a personagem principal ocupa. Mas também não é trágico. É a loucura de quem percebe que precisa se adequar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente se você pega o Lima Barreto, o Machado de Assis, o Guimarães Rosa. Mesmo a Clarice Lispector. Nelxs a loucura tem um fundo moral calcado numa conceituação quase alegórica, mas essencialmente racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dos outros é refresco, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também há a loucura como referência para um processo criativo. O desregramento dos sentidos. No colégio é bem comum a gente achar que declamar dramaticamente um texto é se esgoelar e pôr a língua pra fora a cada estrondo. Às vezes a pessoa não percebe e fica a vida inteira refinando essa performance até que ela fique praticamente imperceptível. Outras vezes a pessoa desenvolve a ironia como sistema de defesa contra esses arroubos de seriedade da loucura fingida. E há, também, o exercício da desarticulação dos procedimentos artísticos para obtenção de um produto final inesperado pela percepção do espectador O.O&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Olhando o meu passeio&lt;br /&gt;Há um louco sobre o muro&lt;br /&gt;Balançando os pés.&lt;br /&gt;Mostra-me o peito estufado de pêlos&lt;br /&gt;E tem entre as coxas um lixo de papéis:&lt;br /&gt;- Procura Deus, senhora? Procura Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E simétrico de zelos, balouçante&lt;br /&gt;Dobra-se num salto e desnuda o traseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Hilda Hilst, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do desejo&lt;/span&gt;)&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título do texto é &lt;a href="http://cameraobscura.busdraghi.net/2009/interviste/madness-poetry-pinhole-portraits-gui-mohallem/"&gt;do trabalho do gUi mohallem&lt;/a&gt;, que eu estava vendo quando comecei a fazer as livres-associações. Mas pra falar de fotografia me falta repertório. Deixo o caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2181937927031673200?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2181937927031673200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/ensaio-para-loucura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2181937927031673200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2181937927031673200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/ensaio-para-loucura.html' title='Ensaio para a loucura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4505466463936067431</id><published>2009-05-22T01:39:00.005-03:00</published><updated>2009-10-15T00:00:25.293-03:00</updated><title type='text'>Resposta pra Júlia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a gente está vivendo uma espécie de parnasianismo não está?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, nunca tinha pensado nisso. Até porque é tanta a afoita modernista de achar que tudo começou em 22 que eu reluto em associar &lt;u&gt;parnasianismo&lt;/u&gt; com uma coisa ruim. Em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas "uma espécie" recoloca os termos. Nojinho da FLIP, dos saraus de governo, eventos literários e a-gi-ta-ção-cul-tu-ral. Tudo isso cheira a pompa. De pomba. Que é bicho com fama de bonito mas que é bem do-vagabundo. Que nem albatroz, imagina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, eu pergunto: quem é que diz ouvir estrelas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em tempo:&lt;/span&gt; por falar em estrelas e tal, a sempre citável epígrafe de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O caderno rosa de Lori Lamby&lt;/span&gt;, da Hilda Hilst:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Todos estão na sarjeta. Mas alguns de nós olham para as estrelas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oscar Wilde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E quem olha se fode.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lori Lamby&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4505466463936067431?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4505466463936067431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/resposta-pra-julia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4505466463936067431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4505466463936067431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/resposta-pra-julia.html' title='Resposta pra Júlia'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4895508419854059401</id><published>2009-05-22T01:35:00.001-03:00</published><updated>2009-05-25T13:48:20.567-03:00</updated><title type='text'>O espaço do afeto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;minha amiga faz um livro de poemas, fabrica: punhados na mão, cada um em sequência me dá sensação. e pergunta: "é bom? que tal?". olha, primeiro eu respondi que era. mas, agora, pensando bem, percebo que eu gostar dos seus poemas é muito saber para quem eles foram escritos, sentir o gosto que você joga no meu ouvido e todo o nosso papo de amor e as nossas crenças similares, se eu não te tivesse nas mãos não será que os seus poemas iriam me parecer insossos e ralos no lugar de tanto abalo sísmico? Primeiro eu respondi que era, mas, agora, pensando bem, eu respondo: que são.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4895508419854059401?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4895508419854059401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/o-espaco-do-afeto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4895508419854059401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4895508419854059401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/o-espaco-do-afeto.html' title='O espaço do afeto'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4714571489661223902</id><published>2009-05-21T01:17:00.003-03:00</published><updated>2009-05-21T01:27:27.229-03:00</updated><title type='text'>Fatura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Emily Dickinson passou a vida inteira fechada em casa vestida de branco escrevendo poemas que depois ela costurava em grossos volumes e guardava. Tudo no dentro e de pano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E o José de Anchieta, que escrevia na areia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4714571489661223902?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4714571489661223902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/fatura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4714571489661223902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4714571489661223902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/fatura.html' title='Fatura'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-87402460279089160</id><published>2009-05-16T01:04:00.001-03:00</published><updated>2009-05-16T02:17:16.551-03:00</updated><title type='text'>Anotação de método</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;descubro que me é difícil ler filosofia porque eu leio as palavras não as ideias. feito peixes que nadam sem terra. e as ideias das palavras. feito as vidas dos peixes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-87402460279089160?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/87402460279089160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/anotacao-de-metodo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/87402460279089160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/87402460279089160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/anotacao-de-metodo.html' title='Anotação de método'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5810380176001070953</id><published>2009-05-14T00:19:00.003-03:00</published><updated>2009-11-16T23:29:23.336-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a novíssima literatura'/><title type='text'>Poemas para o nosso tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Só se escreve no conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma estante na livraria é berço pro Cabral, pro Rimbaud e pro Dirceu Villa. Se bobear é também pro Groucho Marx: "Não entro em nenhum clube que me aceite como sócio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessam os modos de produção, mas apenas os de consumo. Bom poeta aquele que vende - sempre, claro, intermediado. Coragem é fazer pose e aparecer na orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição que a gente segue é mallarmeana. Mas as palavras, elas mesmas, dizem nada. Fica essa eterna falta do que falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrota peru mas comeu mortadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escreve por mim nem por você. Celebridade sem mito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5810380176001070953?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5810380176001070953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/poemas-para-o-nosso-tempo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5810380176001070953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5810380176001070953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/poemas-para-o-nosso-tempo.html' title='Poemas para o nosso tempo'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2721443134493302651</id><published>2009-05-11T17:10:00.001-03:00</published><updated>2009-11-09T23:08:06.775-02:00</updated><title type='text'>Como educar meninxs</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%; font-style: italic;"&gt;Reduzir a poesia ao lirismo abreviado é desvirilizá-la. Não é à toa que às mulheres só são acessíveis os gêneros poéticos menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Antonio Candido, 1944. Notas de Crítica Literária da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%; font-style: italic;"&gt;Folha da Manhã&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;, jornal de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Man's love is of his life a thing apart,&lt;br /&gt;'Tis woman's whole existence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Byron&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto Clarice Lispector como Hilda Hilst escolheram homens como autores de seus últimos livros. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt;, o autor ("na verdade Clarice Lispector" aparece sob a dedicatória) Rodrigo S.M. é quem escreve o livro que qualquer "outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL sabia que esse seria seu último livro, assim como Hilda Hilst, que escreveu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estar sendo. Ter sido&lt;/span&gt; como ponto final da carreira literária. Em entrevistas, HH disse que a escolha de um autor-homem se dava pelo reconhecimento final de que, afinal, uma mulher que pensa e escreve é uma terrível contradição de termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um dos meus contos preferidos de Hemingway (que é um dos meus contistas preferidos) é aquele que se chama "A mãe do viado" (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"The mother of a queen"&lt;/span&gt;). Roger, o narrador, conta a história de seu amigo Paco, toureiro que, ao voltar para o México de uma temporada na Espanha, recebe a notícia de que, se não comprar uma perpétua para enterrar sua mãe, os restos mortais dela serão depositados na vala comum. Não fica claro qual o papel de Roger na história: ele dá a entender que ficou cuidando da casa de Paco enquanto ele estava fora e que os dois são bons amigos. Mas, quando Paco se recusa a pagar um jazigo para a mãe, Roger fica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;transtornada do edi&lt;/span&gt;. Começa a cobrar uma grana que Paco lhe deve e diz que não quer mais morar com ele. Como alguém deixa a própria mãe ser jogada na vala comum?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Eu estou feliz com o que aconteceu com a minha mãe," ele disse. "Você não vai entender".&lt;br /&gt;"Graças a Deus que eu não vou," eu disse.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;E, embora Roger seja o macho da história, xingando a bicha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;truqueira&lt;/span&gt; que dá o golpe no amigo e concluindo que "aí é que está uma bicha. Você não consegue tocá-la. Nada, nada pode tocá-las.", no final do conto tem-se a impressão de que o narrador lembra muito mais uma mulher rejeitada do que o machão íntegro guardião da moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu diz que ler Hemingway é sentir os colhões suados esfregando no seu rosto. E ele diz isso sem intenção de homoerotismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro escritor que te põe os colhões na cara (sem pavonear tanto quanto o Hemingway, no entanto) é Horace McCoy, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas não se matam cavalos?&lt;/span&gt;. McCoy, que foi conteporâneo de Hemingway, também escreve essa sensibilidade viril do homem duro cheio de compaixão, que tem um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emo&lt;/span&gt; dentro de si. Esse registro, aliás, deságua nos filmes do Clint Eastwood, mas não tem nada a ver com a tal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sensibilidade gay&lt;/span&gt;. Enquanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brokeback mountain&lt;/span&gt; é um filme que alardeia os sentimentos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre meninos e lobos&lt;/span&gt; (por exemplo) é um filme em que os sentimentos se truncam e não conseguem fluir. Não existe a auto-redenção de quem se volta para si, porque o macho está sempre voltado para os outros, já que ele é o próprio ponto zero da epistemologia. Não à toa a psicanálise é uma ciência de homens para mulheres e bichas, mas poucas vezes para os próprios homens. Excetue-se aí o Woody Allen, que é bastante afeminado, e inclua-se o Analista de Bagé, que faz o que seria a psicanálise do macho ideal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Hilda Hilst e Clarice Lispector, na minha opinião, estavam mais se posicionando politicamente no cenário literário do que atestando a incapacidade feminina para os gêneros poéticos maiores. Parece que nenhuma das duas partilhou de uma tradição que pode ter começado com a virada do avesso que Adélia Prado deu em Drummond no poema "Com licença poética":&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quando nasci um anjo esbelto,&lt;br /&gt;desses que tocam trombeta, anunciou:&lt;br /&gt;vai carregar bandeira.&lt;br /&gt;Cargo muito pesado pra mulher,&lt;br /&gt;esta espécie ainda envergonhada.&lt;br /&gt;Aceito os subterfúgios que me cabem,&lt;br /&gt;sem precisar mentir.&lt;br /&gt;Não sou feia que não possa casar,&lt;br /&gt;acho o Rio de Janeiro uma beleza e&lt;br /&gt;ora sim, ora não, creio em parto sem dor.&lt;br /&gt;Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.&lt;br /&gt;Inauguro linhagens, fundo reinos&lt;br /&gt;— dor não é amargura.&lt;br /&gt;Minha tristeza não tem pedigree,&lt;br /&gt;já a minha vontade de alegria,&lt;br /&gt;sua raiz vai ao meu mil avô.&lt;br /&gt;Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.&lt;br /&gt;Mulher é desdobrável. Eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Essa é uma linha de escritoras (vão aí Leila Míccolis, Ana C., quem mais?) que veste o vestido com leveza de versos sempre irônica, desdenhando dos gêneros poéticos maiores porque desdenham também do machismo - e se assumem mulher junto com a mise-en-scène dos sexos (já que ninguém nasce mulher, torna-se mulher etc.). É a poesia do feminismo escrachado brasileiro, que faz topless em vez de queimar sutiãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a Adélia Prado tem um dos versos mais politicamente incorretos, e que é uma delícia:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O amor me envergonha&lt;br /&gt;Da geração da cachaça, do é ou não é, do ou casa ou vai para o convento, não posso ser gay e dizer depende, vou ver, vou tratar do seu caso.&lt;br /&gt;Comigo é na pandega ou na santidade mais rigorosa.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2721443134493302651?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2721443134493302651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/como-educar-meninxs.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2721443134493302651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2721443134493302651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/como-educar-meninxs.html' title='Como educar meninxs'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4352199531685560610</id><published>2009-05-11T15:05:00.001-03:00</published><updated>2009-05-11T15:07:02.384-03:00</updated><title type='text'>Todo coração é uma célula revolucionária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;da mala direta do Quilombhoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Escrever é, em última instância, um ato solitário e que se completa quando há a leitura. Sozinho(a), quem escreve enfrenta o papel ou o monitor do pc para trazer todo um universo que talvez venha a ser partilhado por outras pessoas.Escrita e leitura, faces da mesma moeda, dependem de posições de raça, gênero e classe. Há coisas de mulheres que só elas podem escrever, coisas que só os índios, que só os negros podem transformar em conto, poema, romance, peça de teatro. Se o leitor não estiver aberto a essa viagem, criará muros e deixará de viver uma experiência fascinante."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4352199531685560610?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4352199531685560610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/todo-coracao-e-uma-celula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4352199531685560610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4352199531685560610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/todo-coracao-e-uma-celula.html' title='Todo coração é uma célula revolucionária'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8365381480876984513</id><published>2009-05-03T01:50:00.002-03:00</published><updated>2009-05-03T02:07:17.475-03:00</updated><title type='text'>Contato</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceria se os astrônomos descobrissem, vindos do universo que não é nosso, sinais de vida inteligente? E se esses sinais não fossem conquistados por nós, mas nos achassem? E se houvesse alguma intenção - que não a nossa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei muito sobre a vida de Carl Sagan, mas me parece que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Contato&lt;/span&gt; foi o seu único trabalho de ficção. E, ultimamente, é o livro que eu elegeria para me acompanhar numa ilha deserta. É um romance difícil de classificar, principalmente porque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ficção científica&lt;/span&gt; é um rótulo geralmente dado a histórias fantasiosas demais, onde os seres humanos são muito melhores (ao menos tecnologicamente) do que no tempo em que o autor escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Sagan escreve uma história sobre a plausibilidade. Não há nada de fantástico no nosso maquinário, nem no fato de que alguns países gastam quantias inimagináveis de dinheiro em armas de conquista, sejam elas mísseis nucleares ou observatórios. É apenas corriqueiro o mundo em que vivemos. E os sinais enviados pela estrela Vega (na verdade emissões de televisão que os extraterrestres receberam e que agora mandam de volta para nós, dizendo "sabemos que vocês estão aí") escancaram isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ellie, a astrônoma estadunidense responsável pela descoberta, brinda com Vaygay, a autoridade soviética no assunto. "Toda aldeia é um planeta", ele diz. "Todo planeta é uma aldeia", ela complementa. Brindando ao penhasco que existe entre as aldeias / e ao canto que as une sobre os penhascos / Carl Sagan escreveu um romance profundamente humanista - no sentido mais bonito da palavra. E gostoso de ler.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8365381480876984513?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8365381480876984513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/contato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8365381480876984513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8365381480876984513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/05/contato.html' title='Contato'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6695234787622571819</id><published>2009-04-26T01:00:00.003-03:00</published><updated>2009-04-26T01:54:29.092-03:00</updated><title type='text'>Così fan tutti</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com vistas ao aniversário de 150 anos da unificação italiana, em Turim termina hoje &lt;a href="http://www.biennaledemocrazia.it/"&gt;um evento&lt;/a&gt; em que se está discutindo a democracia / as possibilidades democráticas / na unidade nacional. Na vaga dos acontecimentos, &lt;a href="http://www.lastampa.it/_settimanali/ttL/default.asp"&gt;o suplemento literário do La Stampa&lt;/a&gt; publica matérias sobre as relações entre democracia e literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na matéria de capa, a afirmação de que a luta do escritor contra a opressão pode se dar, segundo a opinião de "muitos", de duas formas: uma, cívica; outra, estética. Na primeira forma, a literatura deveria representar a opressão e os modos que o oprimido possui para se libertar. Na segunda, a literatura deveria, através da linguagem po-é-ti-ca (ou seja, singular e maravilhas), ser o próprio ato de libertação da barbárie que é a nossa vulgar eloquência. E a matéria conclui que, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na verdade&lt;/span&gt;, o papel da literatura contra a opressão deve ser cívico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; estético, que uma coisa não faz muito sem a outra, vocês podem imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da democracia / que é o que importa / a literatura deve atuar contra o populismo estético - pois este é um mal para a poesia e a inteligência das nações, assim como o populismo político é uma ameaça às instituições democráticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Mia Couto, para mim, é todo o mistério do contemporâneo. Um homem branco com um emprego acadêmico (Mia é biólogo) escreve, num país em que não há editoras, histórias sobre povoados de analfabetos e diplomatas europeus, publicadas em livros que se tornam best-sellers na antiga metrópole e no atual império. E é uma pessoa com uma fineza de raciocínio sedutora e um sentimento de possibilidades de salvação que seria ingênuo se não fosse, do modo como ele o formula, tão evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja difícil mesmo entender uma escrita assim, lendo-a num país que nem na história oficial tem metade da auto-estima de Moçambique. Nas narrações de Mia Couto, o contexto político é sempre uma briga de crianças ricas que, embora audível o tempo todo, jamais toma a cena principal. É do outro lado que as coisas acontecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem cuspia na democracia, lá ao seu modo, era o Pasolini. A inteligência do Pasolini é oposta à do Mia Couto, porque o Pasolini tinha a capacidade de destruir a melhor das intenções - e não de revelá-la no que ela realmente tem de bom, só que não sabe. Um dos lances dele foi perceber uma licenciosidade das idéias cuja força motriz é o aburguesamento irreversível das minúcias. O campesinato acabou, ele dizia. E agora toda a vida é um modo de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, acabou de chegar às lojas a edição nacional de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Salò ou Os 120 dias de Sodoma&lt;/span&gt;, último filme do diretor e, cá do nosso modo, última fronteira de um tabu. O filme ficou proibido pela censura da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ditabranda&lt;/span&gt; até o fim do governo Sarney (que já era democrático?) e permaneceu ainda por 20 anos fora de mercado, transmitido em cópias piratas e exibições lotadas de cineclubes. É um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;clássico&lt;/span&gt;, em suma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Salò&lt;/span&gt; é baseado, como o próprio título diz, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os 120 dias de Sodoma&lt;/span&gt;, do Marquês de Sade. Mas Pasolini ambienta a ação despótica sadeana na Itália fascista (embora seus fascistas se vistam como industriais milaneses dos anos 60, preste atenção). Aliás, a Iluminuras acaba de lançar tradução nova do Marquês: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os infortúnios da virtude&lt;/span&gt;. E é isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6695234787622571819?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6695234787622571819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/cosi-fan-tutti.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6695234787622571819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6695234787622571819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/cosi-fan-tutti.html' title='Così fan tutti'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-620916814313155674</id><published>2009-04-17T02:03:00.007-03:00</published><updated>2009-04-17T02:33:02.951-03:00</updated><title type='text'>Cada um no seu quadrado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que o Barthes fala, n'&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O prazer do texto&lt;/span&gt;, que só se pode escrever crítica de uma coisa da qual não se goste tanto assim. Ou melhor: na qual se sinta prazer um prazer espraiado, mas não gozo. Como na teoria do sublime, em que a maior delícia é inominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pro gozo na leitura não carece uma delícia tão tão grande. Aliás, a primeira frase das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cartas de um sedutor&lt;/span&gt;, da Hilda Hilst, é lapidar: "Como pensar o gozo envolto nestas tralhas?". E como os meus últimos livros lidos têm sido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que de melhor se escreve na literatura brasileira contemporânea&lt;/span&gt;, sinto-me agora sem palavras para escrever sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A arte de produzir efeito sem causa&lt;/span&gt;, do Lourenço Muttareli, que, gente, é bem escrito pra caralho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o dis-tan-cia-men-to crítico novas blablações virão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cão sem dono&lt;/span&gt;, adaptação para o cinema de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Até o dia em que o cão morreu&lt;/span&gt;, do Daniel Galera. Não li o livro ainda, mas, a depender das minhas leituras do Galera, tudo parece em seu lugar. Aquela coisa de quem conhece a técnica, sobe até um sangue pelo corpo, mas tudo morre na praia. É um cavalo preso. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luz, quero luz&lt;/span&gt;. Quem escreve com palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o novo livro do Moacyr Scliar é i-le-gível. Uma das minhas melhores lembranças de leitor é o final de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um sonho no caroço do abacate&lt;/span&gt;. Mas o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manual da paixão solitária&lt;/span&gt; tem uma inconsistência narrativa, de forçações de barra no nível sintático, que tem textura de descuido. Beirando o tato duro de escritores como Milton Hatoum e Cristovão Tezza, com pouco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yin&lt;/span&gt; e um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yang&lt;/span&gt; medroso. A capa do livro, no entanto, é belíssima.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-620916814313155674?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/620916814313155674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/cada-um-no-seu-quadrado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/620916814313155674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/620916814313155674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/cada-um-no-seu-quadrado.html' title='Cada um no seu quadrado'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3392411835103690838</id><published>2009-04-09T00:30:00.005-03:00</published><updated>2009-04-17T02:21:57.765-03:00</updated><title type='text'>Para aprender da pedra, frequentá-la</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem, vamos lá, dois jeitos de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um é no amor da palavra. Outro é no conjunto. No primeiro cada letra é burilada, são tampinhas de garrafa caminho acima que brilham na montanha. No segundo as palavras são linha de tecido. É de quem faz tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na palavra tem o conceito (poundiano?) de condensação, que muita gente atribui ao próprio ser-poético de um texto. Quer dizer, quando a sujeita escreve&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Que vertigem, Pai.&lt;br /&gt;Pueril e devasso&lt;br /&gt;No furor da tua víscera&lt;br /&gt;Trituras a cada dia&lt;br /&gt;Meu exíguo espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Hilda Hilst, Via Vazia)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;a conjunção fonética de /t/ e /r/ e /d/, a alternância de vogais abertas e fechadas e a carga semântica do verso "Trituras a cada dia" devem supostamente provocar no leitor a sensação religiosa (que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;re-liga&lt;/span&gt; e faz sentido, "sentimento oceânico" o Freud chama pela amplidão) de ter Deus mastigando seus próprios tímpanos e cartilagens, o que no contexto da leitura do poema vai fazer um supra-eu dizer "você sabe exatamente do que eu estou falando", porque é a constatação do absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se o sujeito escreve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um dia - ou uma noite, de preferência uma noite, a noite é mais propícia para gente como nós e para a evocação da memória que deixamos - alguém lembrará de mim. Quando isso acontecerá, não sei. (...) A entidade que sou - pobre entidade, modesta entidade, lamentável entidade - terá desaparecido. Estarei reduzido a diminutas partículas que ventos e águas disseminarão pelo mundo. Uma partícula fará parte de uma pedra, outra estará na casca de uma fruta, outra na córnea de um leão, no pêlo de uma raposa, no osso de um ser humano. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Moacyr Scliar, Manual da Paixão Solitária)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;a gente geralmente se dá o direito de colocar "(...)" quando essa passagem não é bonita o bastante ou então ai-que-preguiça-de-escrever. Porque perder palavras não vai te fazer perder a leitura. Lembro de pular umas cem páginas quando eu li &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Relíquia&lt;/span&gt;, do Eça de Queiroz, pensando ai-que-chato-não-sou-obrigada. E não era mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Barthes, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O prazer do texto&lt;/span&gt;, fala que essa é a grande diferença da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;literatura&lt;/span&gt; do século XIX e a do XX. Segundo ele, não se espera que alguém leia Zola ou Dumas com atenção pesada para cada termo posto. O lance desses caras era escrever folhetim e, se você não relaxar e entrar na história, vai fazer uma leitura muito anal-retentiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não dá pra pular páginas quando você lê &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ulisses &lt;/span&gt;(ou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande sertão: veredas&lt;/span&gt;), porque aí você vai perder muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O que, pensando bem, agora me parece uma bobagem. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande sertão&lt;/span&gt; não foi feito pra ser lido, né gente. Ou, se foi, tá na hora de a gente se perder um pouco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, a idéia geral é de que a prosa (o texto prosaico) é mais espraiado, enquanto que o texto poético é pedra dura enigmática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Falando em pedra, tem a do Cabral. Na primeira estrofe de "A educação pela pedra" ele descreve uma pedra didática, onde o didatismo está na pessoa que observa a pedra e dela tenta tirar lições. De poética, de economia, de dicção... de vida. Umas diquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda estrofe, ele fala de uma pedra pré-didática. No Sertão (falando em sertão) a pedra não aprende nada. E nem a gente com ela ("a gente" sendo modo de dizer, porque eu passo cremes e "o sertanejo é antes de tudo..."). A pedra, segundo o poema, "entranha a alma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Supostamente a gente não deveria resumir poemas, à diferença de textos não poéticos, em que a palavra não é pedra, é mais biscoito. E aí daria pra trocar seis por meia-dúzia e todo mundo ia entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tenta pegar um texto de jornal qualquer e começa a perceber que tudo ali está nas entrelinhas. Justamente pra não ser dito. Ao modo dos poemas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3392411835103690838?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3392411835103690838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/tem-vamos-la-dois-jeitos-de-escrever.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3392411835103690838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3392411835103690838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/tem-vamos-la-dois-jeitos-de-escrever.html' title='Para aprender da pedra, frequentá-la'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8643587036289791545</id><published>2009-04-02T11:27:00.005-03:00</published><updated>2009-04-02T11:56:15.403-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fazer crítica'/><title type='text'>A chave emperrada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/chave-de-casa.html"&gt;A chave de casa&lt;/a&gt; eu escrevi um texto em cima do muro, sem juízo de valor. É o caso?&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas eu também preciso dizer: é um texto cafona, sim, arremedo de Lispector. Não dos piores imitadores da Clarice, mas de alguém que segue o rastro sem pólvora. Desses, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A chave de casa&lt;/span&gt; é dos melhores. Chafurdemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um livro ruim, no geral. Falta corpo, falta fogo&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;--- falta amor ---&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Tem, no entanto (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;falta-amor-tem-no-entanto&lt;/span&gt;) uma arquitetura charmosa e, fora o descuido com as palavras, um encadeamento legível. Quer mais? Bom pra passar um tempo, sentir um prazerzinho e adquirir um pouco de conhecimento pitoresco sobre a Turquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Proust também é bom. E &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt; não é pra qualquer domingo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8643587036289791545?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8643587036289791545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/chave-emperrada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8643587036289791545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8643587036289791545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/04/chave-emperrada.html' title='A chave emperrada'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7225506603183432847</id><published>2009-03-25T11:18:00.004-03:00</published><updated>2009-10-15T00:05:58.939-03:00</updated><title type='text'>A chave de casa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o texto ficcional, se for um trabalho de luto / para freud (1917), o luto é o lento e penoso redirecionamento do desejo de algo que não mais está para algo que ainda esteja. E, à diferença da melancolia, o luto não é patológico, mas sim um estado na-tu-ral que surge como reação a uma perda e que terminará também na-tu-ral-mente tão logo o indivíduo encontre um brinquedo novo com que se distrair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa perda pode ser, ainda Freud, a “de uma pessoa querida ou de uma abstração que esteja no lugar dela”, qualquer razão de afeto / pela morte, um rompimento, tais buracos. É nestas perdas que se escreve &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A chave de casa&lt;/span&gt;, de Tatiana Salem Levy. Capítulos curtos flutuam nas páginas (como nas boas edições de Machado de Assis) sem números ou nomes, sem localizar x leitor/a, intercalando mortes de uma mesma narrativa sem totalizá-las. A estética do fragmento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim de um namoro violento e apaixonado / A morte da mãe / O arquétipo judaico da expatriada vivido na expulsão da família de Portugal pela inquisição / depois na emigração do avô da Turquia / depois no exílio político dos pais em Portugal / depois na volta da narradora à Turquia e a Portugal / nos passos lúdicos do turismo. Em estado inicial de autoflagelo e punição de si (mais próximo da melancolia do que do luto, ah somos categorizáveis), a narradora recebe, do avô, a chave de sua antiga casa em Esmirna. “Olhei-o com expressão de desentendimento. Agora, deitada na cama com a chave nas mãos, sozinha, continuo sem entender. E o que vou fazer com ela? Você é quem sabe, ele respondeu, como se não tivesse nada a ver com isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa então o remoer criar e contar as histórias que acontecem no romance, na reformulação da mobilidade para superar essas perdas. Porque (freud freud freud)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Em cada uma das recordações e situações de expectativa que mostram a libido ligada ao objeto perdido, a realidade traz à tona seu veredicto de que o objeto não existe mais e o ego, por assim dizer, indagado se quer compartilhar esse destino, deixa-se determinar pela soma de satisfações narcísicas dadas pelo fato de estar vivo, e desfaz sua ligação com o objeto aniquilado.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O luto, então, é um processo de reafirmação do eu / a tiros de vamos pra vida / de lembrar do caixão baixando e formular de tantas formas “pelo menos não sou eu que estou ali”. /// E se o texto ficcional for um trabalho de luto. Simular um trabalho de luto. O livro de Tatiana Salem Levy, no entanto, talvez não conclua uma superação. Não, pelo menos, como quem manda um beijo-não-me-liga para a morte e as coisas voltam a ter cor pela desligação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;com o objeto aniquilado&lt;/span&gt;. Quem se desliga? A epígrafe do livro já diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Dizem que o tempo ameniza.&lt;br /&gt;Isto é faltar com a verdade.&lt;br /&gt;Dor real se fortalece&lt;br /&gt;Como os músculos, com a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um teste no sofrimento&lt;br /&gt;Mas não o debelaria.&lt;br /&gt;Se o tempo fosse remédio&lt;br /&gt;Nenhum mal existiria&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Emily Dickinson&lt;br /&gt;Tradução de Idelma Ribeiro de Faria&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7225506603183432847?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7225506603183432847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/chave-de-casa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7225506603183432847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7225506603183432847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/chave-de-casa.html' title='A chave de casa'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5019584309417384611</id><published>2009-03-14T10:49:00.006-03:00</published><updated>2009-10-15T00:10:28.411-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><title type='text'>Essas distâncias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminar de ler um livro pode ter vários efeitos no seu dia. Eu geralmente sinto uma euforia antecipada, nas últimas dez páginas leio cada uma me certificando de que agora faltam nove, agora oito, agora sete, e quando finalmente chego ao fim as últimas linhas é como se não as lesse. Às vezes tenho de voltar e reler o último parágrafo pra me certificar: acabou. Mas sempre faço isso com um pouco de tristeza, porque afinal de contas o fim já passou. Feito corpo que demora no velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo as últimas páginas percorrendo as estantes e os neurônios me perguntando: qual o próximo que vou ler? Tento entender o que está se passando nessas últimas páginas, qual a estória o ritmo a atmosfera e me pergunto: quero continuar assim? Ou quero uma mudança brusca, freada e outras armadilhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem frequente é não conseguir começar nada logo após. Fico numa pasmaceira preguiçosa, nem triste nem alegre, e nada me parece bom o suficiente para que eu me levante, agarre a lombada, abra a primeira página e encadeie as palavras, começando de novo essa brincadeira de adultos que não leva a lugar nenhum: "It was a dark and stormy night..."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Sbu4oBSrxFI/AAAAAAAAASA/kpRGXWUmsMs/s1600-h/peanuts01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 327px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Sbu4oBSrxFI/AAAAAAAAASA/kpRGXWUmsMs/s400/peanuts01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313043183094711378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Sbu4vS9ms2I/AAAAAAAAASI/acnaeRfFV0A/s1600-h/peanuts02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 323px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Sbu4vS9ms2I/AAAAAAAAASI/acnaeRfFV0A/s400/peanuts02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313043308097221474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um luto anunciado, o fim de um livro. E o começo de outro é um nascimento incerto, pelado de afetos mas cheio de espectativas que podem te botar comovido como o diabo se na terceira página você o fecha sobre o marcador, coloca-o de lado e se dá ao desleixo de nunca mais voltar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5019584309417384611?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5019584309417384611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/essas-distancias.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5019584309417384611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5019584309417384611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/essas-distancias.html' title='Essas distâncias'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/Sbu4oBSrxFI/AAAAAAAAASA/kpRGXWUmsMs/s72-c/peanuts01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7954779138235358118</id><published>2009-03-06T00:30:00.005-03:00</published><updated>2009-10-15T00:07:04.973-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa que dá prêmio'/><title type='text'>quem é que lê</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;O filho eterno&lt;/i&gt; é um livro sobre um escritor/intelectual/acadêmico frustrado cínico com relação a si mesmo e às suas leituras e ironiza inclusive a sua própria covardia / fazendo fita / citando e desabando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espanta: tantos prêmios, jabuti portugal telecom apca e muitos mais. Com o pessoal dos &lt;a href="http://www.quilombhoje.com.br/"&gt;Cadernos Negros&lt;/a&gt; eu aprendi: quem lê lê pra si, cara pálida. (Não será também assim com Machado de Assis*?)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*ou inclua aqui o nome do seu escritor preferido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7954779138235358118?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7954779138235358118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/quem-e-que-le.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7954779138235358118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7954779138235358118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/03/quem-e-que-le.html' title='quem é que lê'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4604493520742113533</id><published>2009-02-18T23:29:00.004-03:00</published><updated>2009-10-15T00:09:55.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mercado editorial'/><title type='text'>Mal nenhum (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas vender livros pela rua, hoje, soa bobagem e muito fake. O fim das utopias, o sonho acabou, o nosso amor de hoje parece durar bem menos do que o nosso amor de ontem. Existe uma espécie de consenso quanto ao reacionarismo dos jovens (what the hell) hoje em dia, que nutrem uma nostalgia tímida pelo último regime militar e pela ordem social que ele promovia ou dizia promover. É um consenso também conservador esse, já que desconsidera os Comandos de Caça aos Comunistas e os próprios comunistas, a guerrilha urbana, que a martirização constante divulgada desde os anos 90 lapida justamente para fornecer a nostalgia dos anos de chumbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí acontece que sair pelas ruas hoje bancando o próprio trabalho nos soa demodê e, pior, desnecessário, visto que vivemos num país livre, com liberdade de imprensa, de expressão, de comércio, de vida - e ninguém precisa mais fazer nada sozinho, porque vai ter sempre uma empresa pública ou privada te patrocinando. O governo brasileiro (o Gil era ministro da Cultura!) quer a diversidade de vozes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado num bar na região da Av. Paulista, é com uma impressão de inconsequência política e de coragem lavada que eu vejo o &lt;a target="_blank" href="http://carlaccio.zip.net/"&gt;Ricardo Carlaccio&lt;/a&gt; vender, a cinco reais, seus pocket books produzidos com um capricho gráfico fora de série, até mesmo sofisticado. Os livros de Carlaccio não têm nem cheiro de mimeógrafo, são lisos ao toque e limpos de olhar. Sua prosa é essencialmente bukowskiana, apresentando gângsteres, mendigos e prostitutas que circulam pelo centro estragado de São Paulo, bem longe da boemia leve que frequenta a fronteira dos Jardins. Balzaquiano bonito, simpático e bom de lábia, Carlaccio é o beijo da boca do luxo na boca do lixo, ou vice-e-versa, gingando entre as mesas com os exemplares na mão e anunciando pra gente como eu: "tou aqui divulgando o meu trabalho...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o máximo de risco que a gente consegue. Na livraria Cultura, que tem o maior acervo do país, pufes e carpetes te convidam a deitar entre as estantes pra ler hedonísticamente livros que brotam como frutos bons de uma árvore que nunca seca. Existe cada vez mais beleza e refinamento nesses desejos e é extremamente difícil se posicionar além disso, ou antes disso, ou contra isso. O tempo, esse que é gosma, uterino, mastiga incessantemente e digere tudo o que apontar pra fora de si. O que me incomoda é não conseguir vislumbrar outra coisa, outro jeito de ler, que não pareça piegas escapista ou radicalmente entranhado no que eu absolutamente não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz muito tempo escrevi na parede do meu quarto, meio escondido, e de vez em quando vejo que está lá e leio:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A dissonância, naturalmente, é áspera, desagradável, exige de nós o esforço e a virtude. A virtude de se opor ao louvado, de parecer feio e desfigurado como os fracos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando na Simone Weil, na Hilda Hilst, no Pasolini. Todos nomes com maiúsculas, grifes intelectuais e o que eu puder tirar de dentro deles? De fora deles? Ler é muito perigoso. E eu gostaria de achar um jeito de ler além da compra. Gostaria? Meu partido é um coração partido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4604493520742113533?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4604493520742113533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/mal-nenhum-2.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4604493520742113533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4604493520742113533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/mal-nenhum-2.html' title='Mal nenhum (2)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2504558026917222089</id><published>2009-02-16T01:30:00.003-03:00</published><updated>2009-10-15T00:08:52.939-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mercado editorial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Cristina Cesar'/><title type='text'>Mal nenhum (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comer pelas beiradas. Chama-se de "fatia" do mercado um grupo ("nicho") de pessoas prontas a consumir determinado produto. Como num bolo. Tem cada vez menos livrarias de bairro (desde sempre escassas) e mais megastores. Em Jundiaí (que fica no interior de São Paulo), havia a tradicional livraria D. Quixote, com uma loja grande ao lado da igreja matriz, onde há muito havia sofás, conforto e encontro dos leitores da cidade. Até chegarem a Nobel e a Saraiva, suas filiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consta nos manuais escolares que a geração marginal dos anos 70 mimeografava seus poemas e vendia-os nas ruas pra driblar as circunscrições do mercado editorial brasileiro. Isso numa época em que o mercado estava só engatinhando, se comparado ao de hoje, quando as editoras proliferam feito gremlin pra otimismo dos entusiastas da "democratização da cultura". Sinal dos tempos, a Cosac publicou há pouco as obras completas do Chacal, inclusive com o "Preço da passagem" que, trinta anos atrás, Chacal vendia nos ônibus, pelo preço da passagem, pra bancar a passagem de ida dele para Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Cristina Cesar, eu acho, soube como ninguém captar o começo da estabilidade do mercado editorial brasileiro e jogar com isso a seu favor e pela sobrevivência do seu trabalho. Dizem que mesmo as edições independentes dela eram muito bem cuidadas, sempre um apreço pelo livro - que ela chamou de "meu filho", em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A teus pés&lt;/span&gt;: "É prosa que dá prêmio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A teus pés&lt;/span&gt; compila os volumes independentes anteriores num projeto que é uma grande sacada da editora Brasiliense nos anos 80. A coleção Cantadas Literárias apostava em escritores jovens provenientes, de certo modo, do desbunde da década anterior, escrevendo uma literatura aparentemente despretensiosa, pop, cheia de sexo fortuito e de praia. Os anos 80 foram basicamente uma década alegre, estreando com "Pro dia nascer feliz" e Ana C. publicando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;É domingo de manhã (não é dia útil às três da tarde).&lt;br /&gt;Quando a memória está útil.&lt;br /&gt;Usa. Agora é sua vez.&lt;br /&gt;Do you believe in love...?&lt;br /&gt;Então está.&lt;br /&gt;Não insisto mais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2504558026917222089?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2504558026917222089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/mal-nenhum-1.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2504558026917222089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2504558026917222089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/mal-nenhum-1.html' title='Mal nenhum (1)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4319917523857300496</id><published>2009-02-03T09:18:00.006-02:00</published><updated>2009-10-15T00:09:38.663-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livraria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biblioteca'/><title type='text'>Sobre bibliotecas e livrarias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A biblioteca é um depósito de livros; a livraria, uma vitrine. Na biblioteca o livro é livro-arquivo, repositário de idéias e de intenções moralizantes; seu próprio estar-na-biblioteca transforma-o num fragmento de tradição: alguém está guardando alguma coisa para um outro alguém, quase sempre um desconhecido, que escolherá das prateleiras da biblioteca o seu quinhão de história. A livraria também está aberta ao livre-arbítrio do leitor, suas estantes também delimitam e fornecem caminhos. Mas na livraria o livro é livro-mercadoria: ele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;precisa&lt;/span&gt; ser visto, tocado e consumido. E não voltará mais: a livraria é um lugar sem pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pó é um diferenciador de leituras. Um nariz sensível dificilmente se arriscaria a um mergulho mais prolongado entre os volumes quase mortos de uma biblioteca grande. Há bibliotecas que já estão abolindo o pó, transformando seus espaços de leitura em exposições de livros sensuais e iluminação exata. Ainda assim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emprestar&lt;/span&gt; um livro que já foi emprestado antes e que o será depois de você é a admissão da sujeira (os gordurosos dedos do corpo) na leitura mais clara que possa haver. Tem pessoas que limpam seus livros de biblioteca com uma flanela e em hipótese alguma o lêem sobre a cama. Devem ser as mesmas pessoas que se dirigem ao vendedor da livraria com um exemplar na mão e perguntam: "tem plastificado?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O falecido Mattia Pascal&lt;/span&gt;, encontramos a personagem dentro de uma igreja abandonada que deveria ter virado biblioteca, mas que está mais para depósito de livros, sem as portas abertas que caracterizam as bibliotecas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espaços públicos &lt;/span&gt;(quase como as livrarias que, no entanto, por serem espaços também privados, podem selecionar ainda mais aqueles que passarão pelas suas portas automáticas). Mattia Pascal observa o Padre Pellegrinotto escalar as pilhas de livros da imensa coleção que o Monsenhor Boccamazza doou ao município e que foram "arrumados ao deus-dará, tal como vinham às mãos". A ordem é absolutamente necessária, seja à biblioteca ou à livraria. Nenhum desses dois lugares quer a surpresa ou o acaso.  E, apesar do pó das bibliotecas, existe sempre um imperativo de limpeza para resguardar a unidade de cada volume de livro. Mas no caso da biblioteca municipal que o padre organiza, a ordem é só uma esperança elegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ADENDO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo um livro muito legal que tem um trecho assim, ó:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O sebo já fora uma igreja. Agora era a igreja dos livros. Mas não são assim tantos os livros cedidos por outros que conseguimos folhear sem sentir uma certa náusea. Igual àquele poema que eu conheço, sobr sentar, ler um livro até o fim, depois fechá-lo e colocá-lo na estante, e quem sabe, sendo a vida curta como é, você acabe morrendo sem ter tido a chance de abrir o livro de novo, e suas páginas, suas páginas únicas, fechadas dentro do livro na estante, talvez nunca mais vejam a luz de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ali Smith, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Garota encontra garoto&lt;/span&gt;, Companhia das Letras, 2009.)&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4319917523857300496?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4319917523857300496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/sobre-bibliotecas-e-livrarias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4319917523857300496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4319917523857300496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/02/sobre-bibliotecas-e-livrarias.html' title='Sobre bibliotecas e livrarias'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4620429697443678551</id><published>2009-01-25T20:03:00.003-02:00</published><updated>2009-10-15T00:07:19.047-03:00</updated><title type='text'>O sol se põe em São Paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Liberdade pra mim ainda é desses bairros em que as coisas somem e reaparecem, aqui como por mágica, lojas e restaurantes que nunca estão onde você os deixou. É também o único lugar de São Paulo que me arrisco a chamar de cosmopolita, pois a pose oriental que se fabrica aqui caminha tão perto da multidão de estrangeiros que vira uma pose autêntica (diferente do neoclassicismo da Faria Lima, das catedrais frustradas da Paulista, da clandestinidade desavergonhada dos Campos Elíseos). Andando pela Liberdade eu me sinto tão nativo quanto estrangeiro, dominando uma parte dos códigos sociais ao mesmo tempo em que me sinto refém da outra, temeroso de cometer gafes que me exponham como forasteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse cenário, e mais ou menos esse sentimento, em que aparece o romance &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O sol se põe em São Paulo&lt;/span&gt;, de Bernardo Carvalho. Dos restaurantes misteriosamente escondidos nas poucas e pequenas ruas do bairro, surge uma história em que o simulacro se desdobra em simulacros e, nesse velamento multiplicado, a verdade aparece possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo é uma cidade que ainda não foi escrita, senão pelas beiradas. O maquinário dos poetas concretos, a ginga asfaltada dos poetas da periferia, a geléia tropicalista, o punk rock, o lirismo pedante dos mários de andrade - apenas partes, instantâneos dessa cidade - que, talvez, não tenha um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Carvalho, escrevendo a Liberdade, escreveu uma parte de São Paulo que estava faltando nesse quebra-cabeça: a arquitetura japonesa que não foi construída, mas que está escondida atrás dessas fachadas de arquitetura japonesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4620429697443678551?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4620429697443678551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/o-sol-se-pe-em-so-paulo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4620429697443678551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4620429697443678551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/o-sol-se-pe-em-so-paulo.html' title='O sol se põe em São Paulo'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4507181709764547081</id><published>2009-01-09T14:13:00.010-02:00</published><updated>2009-10-15T00:06:39.229-03:00</updated><title type='text'>destruidores do eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na introdução à sua autobiografia, Gandhi diz que&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Não é minha intenção escrever propriamente uma autobiografia. Apenas desejo contar a história de minhas várias experiências com a verdade.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;A diferença está em que, em uma &lt;i&gt;propriamente autobiografia&lt;/i&gt;, o relato da vida dx biografadx esgota-se nele mesmo, forjando um texto frequentemente em tom jornalístico que molda o muitas vezes banal ficcionalizando uma vida exemplar, um herói ou anti-herói que fará bonito nas vitrines. A biografia é um gênero textual localizado, da época do sujeito e da celebridade, o que dá a Gandhi suas dúvidas na hora de iniciar a empreitada. Um colega de cela questiona: "Escrever autobiografias é uma prática típica do Ocidente. Não conheço ninguém do Oriente que as tivesse escrito, com exceção dos que se ocidentalizaram. Além do mais, sobre o que escreveria? Suponha que amanhã o senhor rejeite os princípios que o orientam hoje, ou então que suas intenções presentes não sejam as mesmas no futuro. Não é provável que as pessoas que se espelham em sua palavra, escrita ou falada, se sintam desorientadas?"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWd9homM2pI/AAAAAAAAARM/VXW4BSPZN8Q/s1600-h/gandhi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 289px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWd9homM2pI/AAAAAAAAARM/VXW4BSPZN8Q/s400/gandhi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289334304156736146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever demanda leviandade, uma prática de linguagem laica e promíscua. Buda não escreveu nada. As únicas palavras escritas por Cristo o foram na areia - e ele logo tratou de apagar. O deus hebreu escreveu apenas uma vez, em tábuas seus dez mandamentos, que Moisés tratou de destruir antes de mostrar a qualquer um assim que viu que o povo não era digno do dedo divino. Durante séculos na Europa a escrita era guardada pelos monges, assim como a história e a poesia, nos povos iorubás, eram guardadas pelos griots. Na cristandade, o protestantismo é que foi responsável pela impressão desenfreada da Bíblia, que se tornou acessível a qualquer um e a Salvação não tem nada de coletiva, é prática do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;self-made&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Gandhi, que escreveu muito e muitos panfletos de ação política, agora não escreve uma autobiografia. Mais como Agostinho, relata sua jornada pessoal apenas no que dela se pode extrair de proveitoso para as jornadas pessoais de seus leitores. Ainda diz na Introdução:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O que pretendo alcançar, o que na verdade venho tentando ansiosamente alcançar nos últimos trinta anos, é a auto-realização, encontrar-me frente a frente com Deus, atingir o &lt;i&gt;moksha&lt;/i&gt; [liberação]. Minha vida e meu ser caminham em função desse objetivo. Tudo o que faço, falo e escrevo, todas as minhas incursões no campo político, têm essa finalidade. Como sempre acreditei que aquilo que é possível para mim é possível para todos, minhas experiências não acontecem às escondidas e sim abertamente, o que em nada diminui o seu valor espiritual. Há coisas a nosso respeito que só Deus e nós mesmos sabemos. São fatos que não revelamos a ninguém. Os que narrarei aqui não são dessa natureza. São acima de tudo vivências de natureza espiritual e também moral, pois a essência da religião é a moralidade.&lt;/blockquote&gt;Gandhi tenta arrancar o fetiche do fetiche, escrevendo não o autocentramento, mas o relacional, sem o qual a verdade não pode ser experienciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.tate.org.uk/servlet/ViewWork?cgroupid=999999961&amp;amp;workid=25981&amp;amp;searchid=8851&amp;amp;tabview=image"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWeIPB2rX9I/AAAAAAAAARU/7BIFRVKcPI8/s400/nangoldin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289346079147122642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ADENDO 1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Cristina Cesar, paradigma, não faz o movimento oposto, ao centrar o texto tão nele mesmo - a confecção do livro-objeto, as referências truncadas, o diário íntimo cifrado - que rasga o propósito destinatário das cartas para fixá-las em leito estéril de papel só remetente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ADENDO 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre vidas exemplares, um artigo agudo da &lt;a href="http://www.nybooks.com/articles/13783"&gt;Susan Sotag&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;The culture-heroes of our liberal bourgeois civilization are anti-liberal and anti-bourgeois; they are writers who are repetitive, obsessive, and impolite, who impress by force—not simply by their tone of personal authority and by their intellectual ardor, but by the sense of acute personal and intellectual extremity. The bigots, the hysterics, the destroyers of the self—these are the writers who bear witness to the fearful polite time in which we live. It is mostly a matter of tone: it is hardly possible to give credence to ideas uttered in the impersonal tones of sanity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;[Xs heróis culturais da nossa civilização burguesa e liberal são antiliberais e antiburgueses; são escritorxs repetitivos, obsessivos e mal-educados, que impressionam por sua força - não simplesmente por seu tom de autoridade pessoal e por seu ardor intelectual, mas pelo sentimento de aguda extremidade pessoal e intelectual. Xs fanáticxs, xs histéricxs, xs destruidorxs do eu -  essxs são escritorxs que testemunham os temerosos bem-educados tempos em que vivemos. É majoritariamente uma questão de tom: é quase impossível dar crédito a idéias proferidas nos tons impessoais da sanidade.]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4507181709764547081?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4507181709764547081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/destruidores-do-eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4507181709764547081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4507181709764547081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/destruidores-do-eu.html' title='destruidores do eu'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWd9homM2pI/AAAAAAAAARM/VXW4BSPZN8Q/s72-c/gandhi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8757770983928972350</id><published>2009-01-07T16:31:00.006-02:00</published><updated>2009-10-15T00:08:12.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ai que divertido'/><title type='text'>synchronoscopio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o livro não deveria valer mais do que cinco reais, e de brinde uma camisinha ou um bibelô ou um lambe-lambe&lt;br /&gt;com o seu avô&lt;br /&gt;na orelha do livro a pergunta "no território da poesia, cadê a graça?" que a Angélica Freitas faz, responde "E chegou o livro do Ismar", que é um livro que diz&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;você me diz: nunca dês um nome a um trem&lt;br /&gt;sempre é outro trem a passar&lt;br /&gt;eu digo: ha. Ha ha&lt;br /&gt;ha ha&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;num poema que começa falando&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;você - como tantos outros - acabou&lt;br /&gt;não morrendo&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;e que se chama "Rufus", o que deixa tudo mais bonito ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem barato, deveria ser, como a locação daqueles filmes que ninguém quer, pra gente dar de presente com dedicatórias de "Feliz aniversário!" ou "eu te amo" ou "Força no divórcio!" e a pessoa ia abrir e ler&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;quase morri&lt;br /&gt;não morri e engordei&lt;br /&gt;hoje em dia uso samba-canção&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;e achar muito engraçado, ainda mais se fosse gorda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ismar escreveu um livro nele mesmo com corpos e versos tesudos palavras densas e cheias de vultos fogos de artifício que estouram na sua boca feito diplink mas seguros te deixam com todos os dedos, só os movem de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ser bem barato, de brinde da Brahma, no bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8757770983928972350?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8757770983928972350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/synchronoscopio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8757770983928972350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8757770983928972350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/synchronoscopio.html' title='synchronoscopio'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1028452212094331216</id><published>2009-01-05T23:30:00.009-02:00</published><updated>2009-10-15T00:07:55.328-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Um All Star para Brecht</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Devemos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;denunciar&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;torturas&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;são&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; perpetradas &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;para&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; as &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;relações&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; de &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;propriedade&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; sejam mantidas. &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;Naturalmente&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;, dizendo &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;isso&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;, perdemos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;muitos&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;amigos&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;, &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;são&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;contra&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; as &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;torturas&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;porque&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; acreditam na possibilidade de &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;manter&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; as &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;relações&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; de &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;propriedade&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;sem&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;torturas&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; (o &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;não&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; corresponde à &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;verdade&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;).&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Mais&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;ainda&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;: devemos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;dizer&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; a &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;verdade&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;sobre&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; o &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;estado&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;bárbaro&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;em&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; se &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;encontra&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;nosso&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;país&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;, &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;para&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;possibilitar&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;aquilo&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;que&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; conduz ao &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;desaparecimento&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; desse &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;estado&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;. &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;Isto&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; é, devemos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;dizer&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;como&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; podem &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;ser&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; alteradas as &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;relações&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; de &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;propriedade&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; dos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;meios&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; de &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;produção&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;, &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;mesmo&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; participando dos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;lucros&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;. E devemos &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;agir&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;com&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;muita&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;astúcia.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(Bertolt Brecht, 1934)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Walter Benjamin conta, nas suas teses sobre o conceito de História, que durante a revolução francesa atirava-se nas torres nos relógios, e interpreta: a revolução tratou de parar o tempo, o tempo do Antigo Regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que a História, a "historicidade" com que procuramos abordar hoje os acontecimentos (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fatos históricos&lt;/span&gt;) é um instrumento analítico forjado pelos meios de produção burgueses - do tempo burguês que se instaurou a partir do século 18. Todo relógio é passível de uns bons tiros, quando convém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís XVI era a fusão, em um corpo humano, da França terrena e da vontade de Deus para a França. Seu corpo era o próprio Estado. Disso há resquícios hoje, mas é óbvio que vemos nossos governantes de maneira bem diferente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWK3ZAeockI/AAAAAAAAAQ8/7Oo5GwcUHJY/s1600-h/lula.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 247px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWK3ZAeockI/AAAAAAAAAQ8/7Oo5GwcUHJY/s400/lula.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287990552739476034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria Antonieta&lt;/span&gt;, Sofia Coppola conta a história da revolução francesa de um ângulo diferente do que aparece nos materiais didáticos que a gente estuda (eu estudei) na escola e nos cursinhos pré-vestibulares. De certo modo, ela faz aquilo que Benjamin chama de narrar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;história dos vencidos&lt;/span&gt;, daqueles que não aparecem - ou aparecem pisoteados - nas narrativas oficiais. Maria Antonieta, que os revolucionários nos legaram como a caricatura perfeita da nobreza mole fútil e mesquinha, transforma-se, no filme de Coppola, em uma menina ingênua e assustada, ignorante da França que ultrapassava os jardins de Versalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coppola transforma radicalmente o corpo-Estado da rainha, público porque incoporação do poder, em corpo individual, com direito a ego, id e super-ego, como qualquer ser humano tem direito hoje em dia. No lugar da rainha da França, Sofia Coppola filma, apenas, Maria Antonieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é uma transposição sonsa, como o Aquiles-Brad Pitt de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tróia&lt;/span&gt;. O objetivo de Sofia Coppola parece ser não só recontar a revolução francesa do ponto de vista daqueles que não passavam fome, mas principalmente retratar a nossa contemporaneidade para mostrar, talvez, que certas coisas nunca mudam, por mais que insistamos em quebrar relógios every now and then.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Antonieta-Kirsten Dunst ouve Strokes e usa All Star. Vive uma vida de ócio e consumo, despreocupada do que acontece do lado de fora dos muros altos de seu condomínio de luxo, como se seu único horizonte fosse cuidar de si. E ser feliz. O All Star que ela experimenta é uma piscada de olho para o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem de consumo, era de se esperar, o filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria Antonieta&lt;/span&gt; perde esses momentos de desalienação estética para sinopses que vendem a história da "primeira estrela pop de todos os tempos", tornando-o palatável como rock'n'roll. Mas esse discurso deve apenas se somar ao filme como o meio de produção e circulação do qual nenhum bem cultural pode escapar. Se o próprio Brecht só é possível pela editora 34 dos Bracher, não deveis vos indignar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWLAg6E2u5I/AAAAAAAAARE/CGYhtGw_Rbs/s1600-h/34_poemas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 150px; height: 217px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWLAg6E2u5I/AAAAAAAAARE/CGYhtGw_Rbs/s400/34_poemas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288000584064351122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a turba segurando foices e tochas chegou aos urros na porta do palácio, eu tive medo e compaixão. Maria Antonieta, afinal de contas, não teve culpa de nada, não poderia saber que havia tanta gente assim passando fome, fermentando ódio no estômago. Se ela soubesse, certamente teria tido compaixão também, ela que gostava de cães e crianças, de flores, de gente. É triste quando ela se despede de sua vida para que outras pessoas possam ter um pouco do que ela tem, protagonismo e pão. Porque ela não é má pessoa. E é inocente, tão inocente quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1028452212094331216?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1028452212094331216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/um-all-star-para-brecht.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1028452212094331216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1028452212094331216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/um-all-star-para-brecht.html' title='Um All Star para Brecht'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SWK3ZAeockI/AAAAAAAAAQ8/7Oo5GwcUHJY/s72-c/lula.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4283240542066363431</id><published>2009-01-04T13:34:00.006-02:00</published><updated>2009-10-15T00:07:33.969-03:00</updated><title type='text'>Vida e Época de Michael K</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontrei a Júlia na biblioteca, um dia, e ela me diz "já leu o Coetzee? Desde que li Machado de Assis é o único autor que eu quero ler tudo!". E ela tinha acabado de comprar o &lt;i&gt;Desonra&lt;/i&gt; em inglês, porque aqui os livros importados são mais baratos que os nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que se passaram alguns meses ou talvez uns dois anos e um dia, trabalhando na casa dela, eu queria ler um romance, pedi. Ela me olhou torto e riu ("romance?!"), passou os dedos nas lombadas e acabou me dando este &lt;i&gt;Vida e Época de Michael K&lt;/i&gt;, edição nacional mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um texto duro, com uma guerra e um homem bobo de lábio leporino, uma mãe à morte e muitos soldados e refugiados sem refúgio. Falando assim a gente lembra "realismo social" das aulas de literatura. É mesmo uma história, sem os tiques metalingüísticos daquela literatura que corre em volta do próprio rabo. É um livro que late - não, é um livro que rosna. Não tem alarde. Duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duro, sem piadas, inscrito no trágico. Mas um trágico tão patético que a gente fica se sentindo até envrgonhado de estar lendo. (Felizmente há um destaque "Prêmio Nobel" na capa, e isso dá muito orgulho no metrô e auto-satisfação deitado na cama sozinho). E não é um livro de epígrafes, então é como mastigar arroz e engolir, sem ninguém em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Machado de Assis a gente morde a língua, ou põe pimenta, ou cospe sem querer um grão pro copo de suco, ou então pensa em alguma coisa e dá risada sozinho. Com o &lt;i&gt;Michael K&lt;/i&gt;, no máximo, o gosto na boca perde o sabor, o que faz a gente perder a fome e ficar um pouco triste, na barriga, em tons pastéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4283240542066363431?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4283240542066363431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/vida-e-poca-de-michael-k.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4283240542066363431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4283240542066363431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2009/01/vida-e-poca-de-michael-k.html' title='Vida e Época de Michael K'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-7097535310087177454</id><published>2008-12-28T11:34:00.002-02:00</published><updated>2009-10-15T00:01:33.934-03:00</updated><title type='text'>pastiches et mélanges</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;faço o novo descosturando textos velhos / poulet: o pastiche é o primeiro ato crítico: a vontade de imitar, ser o outro / reforjar o ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;xxx&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;dentadura perfeita, ouve-me bem:&lt;br /&gt;não chegarás a lugar algum.&lt;br /&gt;são tomates e cebolas que nos sustentam,&lt;br /&gt;e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita.&lt;br /&gt;ah, sim, shakespeare é muito bom,&lt;br /&gt;mas e beterrabas e chicória e agrião?&lt;br /&gt;e arroz, couve e feijão?&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;o &lt;i&gt;rilke shake&lt;/i&gt; é meio que: sai pra lá shakespeare gertrude stein "eu peço um rilke shake/ engulo um toasted blake/ e danço que nem dervixe" evocando essa galera ao mesmo tempo em que diz mas gente eu não quero ela ou quero só um pouco o tanto for preciso pra fazer bonito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em &lt;i&gt;a teus pés&lt;/i&gt; as citações são mais fugazes, vêm pouco nomeadas ou então cifradas. mas qualquer manual de pós-modernidade vai dizer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;É de propósito? Medo de dar bandeira? Ouça muito Roberto: quase chamei você mas olhei para mim mesmo etc. Já tirei as letras que você pediu.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;xxx&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inscrever o texto na roda de leituras: destinatários sempre em vista: xs leitorxs possíveis, xs escritorxs que você tenta bater. ninguém quer agradas a gregos e troianos: com livro em mão,na frente da televisão, cada um sabe muito bem pra que time torce. e de quem quer receber a carícia no dorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-7097535310087177454?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/7097535310087177454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/pastiches-et-mlanges.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7097535310087177454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/7097535310087177454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/pastiches-et-mlanges.html' title='pastiches et mélanges'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1498575173436661063</id><published>2008-12-24T02:13:00.009-02:00</published><updated>2009-11-20T18:29:09.520-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Cristina Cesar'/><title type='text'>balões incendiados / coisas que caem do céu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;agora eu não falo do livro-produto tão bem pensado pela artífice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;livro póstumo é raspas e restos me interessam, mas não interessavam pra ela desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;a gente sempre acha que é&lt;br /&gt;Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu estilhaçado, eu monumento. A marca mais valiosa do mundo é "Google", que sem patrimônio físico, apenas logotipo, custa mais de 60 bilhões de dólares [2007, ranking BrandZ].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.1.82: "Angústia é fala entupida". Então se desentope: em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A teus pés&lt;/span&gt; [agora sim] verborragia conversa de senhoras descontrole do ouvido em multidão. Diferente da voz endiabrada do Cazuza, com letras egogênicas unitárias mas figuras incendiadas performance do fogo, fogo do começo. Angústia é pretensão de quem fica/ escondido fazendo fita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana C também:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Lá onde cruzo com a modernidade e meu pensamento passa como&lt;br /&gt;um raio, a pedra no caminho é o time que você tira de campo.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não tem impedimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a red &lt;span style="color: red;"&gt;yes&lt;/span&gt; !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1498575173436661063?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1498575173436661063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/bales-incendiados-coisas-que-caem-do-cu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1498575173436661063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1498575173436661063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/bales-incendiados-coisas-que-caem-do-cu.html' title='balões incendiados / coisas que caem do céu'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-4195477518096154568</id><published>2008-12-21T23:12:00.010-02:00</published><updated>2009-11-20T18:25:58.061-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>A viagem de Chihiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com o Belo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;guarda o seu nome pra voltar pra casa xxx a plenitude do que faz sentido xxx não há tempo pra rancor medo xxx não há tempo pro pensamento perdido xxx desejo é fazer o movimento xxx vem comigo no caminho eu te explico xxx tudo o que pede requer ação xxx seja porco monstro ou dragão xxx todo vivo um impasse velado xxx não caminha solitário xxx só me sou na relação xxx meu nome está dentro de você xxx o seu no rio em que eu caí xxx todo vivo um espírito pesado xxx todo vivo um banho tomado xxx todo ouro revelado barro xxx aqui não há cartão de crédito xxx aqui não há cinto de segurança xxx el camino se hace al caminar xxx dá a mão se quiser alcançar xxx o fim do feitiço de zeniba xxx o presente que diz obrigado xxx  é a ilusão que te faz enxergar xxx os espíritos viajam também xxx atenção xxx e o trem no mar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SU7rOJxgB6I/AAAAAAAAAPY/HykJWquyxPI/s1600-h/chihiro.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282418041326405538" src="http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SU7rOJxgB6I/AAAAAAAAAPY/HykJWquyxPI/s400/chihiro.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 290px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-4195477518096154568?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/4195477518096154568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/viagem-de-chihiro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4195477518096154568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/4195477518096154568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/viagem-de-chihiro.html' title='A viagem de Chihiro'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SU7rOJxgB6I/AAAAAAAAAPY/HykJWquyxPI/s72-c/chihiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6690068450014315958</id><published>2008-12-20T11:54:00.006-02:00</published><updated>2009-10-15T00:02:21.576-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Cristina Cesar'/><title type='text'>a vaca que ri</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ela produz as entrelinhas em que você vai passar o seu dia, medusa libertadora, você vive no pastiche, ela vai lá pega o momento e diz "tá aqui a epígrafe". uma poesia só de epígrafes: como não amá-la? se eu só for possível com uma frase lapidar, com canção-tema-de-novela, essas verdades sintéticas que fazem chorar. "Autobiografia. Não, biografia. Mulher.", todo o arroto de cultura, o índice onomástico, ainda mais cifrado, cérebro esfinge e seios fartos, quem não beberá das tuas tetas, vaca sagrada, sua vaca, cotidiano permeado de poesia pedra de toque mote da vida, pensa em toda a psicanálise hoje em dia, há espaço para não haver ana cristina? singularidade do sujeito, contra-cultura pop que me livra, castelo de ilusões, floresta de espelhos, anjo? que extermina a dor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SUz6v3N1WmI/AAAAAAAAAPQ/nq8yqqgGHiU/s1600-h/anac.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 212px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SUz6v3N1WmI/AAAAAAAAAPQ/nq8yqqgGHiU/s400/anac.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281872163181517410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6690068450014315958?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6690068450014315958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/vaca-que-ri.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6690068450014315958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6690068450014315958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/12/vaca-que-ri.html' title='a vaca que ri'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SUz6v3N1WmI/AAAAAAAAAPQ/nq8yqqgGHiU/s72-c/anac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-2717963029440905984</id><published>2008-11-26T18:42:00.011-02:00</published><updated>2009-10-15T00:03:18.924-03:00</updated><title type='text'>velhice</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;De que servem os jogos e as alegrias, se eu sou a morada da futura velhice?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_EyI4p0yjDQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_EyI4p0yjDQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A velhice é um dos três estados humanos que despertam a busca do Buda. Refugiado de seu carma no palácio do pai, o príncipe Sidarta escapa um dia aos gozos e se depara, nos arredores miseráveis, com as visões inéditas de um homem doente, um homem velho, um homem morto. E então - com um homem asceta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velhice é um modo de miséria. Minha avó repete intransitiva há pelo menos quinze anos: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como é ruim ficar velha&lt;/span&gt;. Minha outra avó, quando lhe pergunto "como está", ela quase sempre responde: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cada vez mais velha&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegam juntos o enfraquecimento do corpo e a marginalização da qual poucos escapam. Não há homem branco e bonito que, quando velho, não se torne apenas um velho. A Simone de Beauvoir, ecoada no Brasil pela Ecléa Bosi, diz que a velhice é o momento da vida burguesa em que se evidencia que o ser humano nunca teve valor enquanto tal, mas apenas como força-trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trágico na velhice não é a descartabilidade do humano - à qual está submetida, afinal de contas, a maior parte das pessoas do planeta, assim como o próprio planeta e tudo aquilo que  não é reconhecido como discurso -, mas a coisificação do protagonista, aquele que um dia teve voz e poder e que, velho, se torna ridículo, débil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô um dia, vendo televisão, um comercial em que o &lt;i&gt;vovô&lt;/i&gt; era o centro da piada. E ele pra mim criança: "Tá vendo, Marcos: velho é assim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade, durante dois ou três anos, eu foquei as minha atenções no estudo da velhice, de suas representações em alguns textos teóricos (Bosi, Benjamin), mas principalmente na ficção da Hilda Hilst. Nos livros dela eu li mais o abandono dos meus avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que na ficção de HH, as velhas e os velhos também tristes e sozinhos são punhais pulsantes esguichando sangue e asco, cuspindo nos passantes, luxuriosa sabedoria e corpo aceso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Roberto Piva cita Salvador Dali para dizer-se favorável ao regime monárquico: "A monarquia é o sistema político que, pela absoluta centralidade do poder, permite à anarquia nas classes mais baixas". Pois quem não é visto não pode ser punido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no Brasil, proliferam os discursos sobre a velhice. (É melhor calar?). A população brasileira envelhece cada vez mais e os velhos e as velhas, tornados problema de saúde pública, entram cada vez mais nas luzes dos governantes e dos acadêmicos, nós empenhados em cercar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas crônicas que escrevia para o Correio Popular de Campinas (começo dos anos 90), Hilda Hilst propõe a criação do Esquadrão Geriátrico de Extermínio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Arregimentaríamos várias senhoras da terceira idade, eu inclusive, lógico, e com nossas bengalas em ponta, uma ponta-estilete besuntada de curare (alguns jovens recrutas amigos viajariam até os Txucarramãe ou os Kranhacarore para consegui-lo) nos comícios, nos palanques, nas Câmaras, no Senado, espetaríamos as perniciosas nádegas ou o distinto buraco malcheiroso desses vilões, nós, velhinhas misturadas às massas, e assim ninguém nos notaria, como ninguém nota a velhice. Nossas vidas ficariam dilatadas de significado, ó que beleza espetar bundões assassinos, nós faceiras matadoras de monstros!&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;***&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rubem Fonseca tem um conto muito bonito de velhos. Está no livro &lt;i&gt;O cobrador&lt;/i&gt;, que é todo propaganda pra que os lascados peguem armas (o livro é de 1979, os militares estavam chafurdando o caminho pra fora). Um asilo campo de concentração e um grupo de velhos parte para o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;***&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Júlia me mandou um link pra esse vídeo. Eu também achei bonito, Júlia, e primeiro até sorri. Talvez seja porque a minha reação mais comum é ficar triste. Li outro dia no Yahoo!Notícias que em dois-mil-e-daqui-a-pouco o Brasil terá 40% da população idosa da América Latina. Você sabia?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-2717963029440905984?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/2717963029440905984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/11/velhice-um-dos-trs-estados-humanos-que.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2717963029440905984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/2717963029440905984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/11/velhice-um-dos-trs-estados-humanos-que.html' title='velhice'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1842288335091446345</id><published>2008-10-25T15:31:00.010-02:00</published><updated>2009-10-15T00:04:43.474-03:00</updated><title type='text'>Poetas, não</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu lia&lt;br /&gt;poesia&lt;br /&gt;a dar com pau&lt;br /&gt;e o make it&lt;br /&gt;new&lt;br /&gt;sempre pensando&lt;br /&gt;"bom que&lt;br /&gt;boa a poli-&lt;br /&gt;lalia que não&lt;br /&gt;tá à toa" ah&lt;br /&gt;poesia o&lt;br /&gt;verbo&lt;br /&gt;vivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;que tal&lt;br /&gt;comoção não&lt;br /&gt;me aco-&lt;br /&gt;meta hoje&lt;br /&gt;em dia&lt;br /&gt;é que&lt;br /&gt;se eu leio&lt;br /&gt;tanta&lt;br /&gt;coisa que&lt;br /&gt;meu olho&lt;br /&gt;enguiça&lt;br /&gt;travo a&lt;br /&gt;língua e a&lt;br /&gt;grafia me&lt;br /&gt;suspendo e&lt;br /&gt;sempre penso&lt;br /&gt;"que preguiça!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;p.s.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;que isso&lt;br /&gt;impeça&lt;br /&gt;de postar&lt;br /&gt;nos&lt;br /&gt;quatro&lt;br /&gt;blogues&lt;br /&gt;periódicos&lt;br /&gt;mantidos por&lt;br /&gt;mim&lt;br /&gt;é só que há&lt;br /&gt;um certo&lt;br /&gt;alívio de me&lt;br /&gt;ver todo&lt;br /&gt;altivo&lt;br /&gt;dando a&lt;br /&gt;público estes&lt;br /&gt;textos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;além&lt;br /&gt;do que&lt;br /&gt;sempre&lt;br /&gt;há olhos&lt;br /&gt;frescos&lt;br /&gt;que&lt;br /&gt;vão ler&lt;br /&gt;versos que&lt;br /&gt;pra outros são&lt;br /&gt;toscos e&lt;br /&gt;dizer&lt;br /&gt;"bom que&lt;br /&gt;boa a vida&lt;br /&gt;voa&lt;br /&gt;!&lt;br /&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1842288335091446345?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1842288335091446345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/poetas-no.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1842288335091446345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1842288335091446345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/poetas-no.html' title='Poetas, não'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-5534052161043063939</id><published>2008-10-21T21:05:00.009-02:00</published><updated>2009-10-15T00:03:53.177-03:00</updated><title type='text'>no escuro não no claro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre pego três quatro livros passo horas a folhear procurando dois três versinhos bonitinhos que eu possa dar de presente pro meu bem, quem diz que eu acho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer o quê? Se não leio com tanto amor quanto os herdeiros do Drummond e seus editores, que lançaram o gracinha bonitinho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Declaração de amor&lt;/span&gt; cheio de desenhinhos e dádiva pra presentear quem se ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro procuro e o mais perto que chego:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que desenhos e rictus na tua cara&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como os frisos veementes dos tapetes antigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que sombrio te tornas se repito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O sinuoso caminho que persigo: um desejo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E que escura me faço se abocanhas de mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Palavras e resíduos. Me vêm fomes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cordura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crueldade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem que ama em crueldade? Senão párias pederastas cafetões gente que eu tenho a mínima intenção de ser quando tento me vender como carne para a vida, afeto além minuto, dedicável e saboroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas horas de marketing pessoal nada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alta poesia&lt;/span&gt;, quando muito algum clichê mascado "para mim já não adianta/ tanta coisa sem você", que é toda a alta poesia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;r.c.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade/ do que aprendi nas canções/ é verdade/ nem saberão/ descrever com tanta precisão/ aquela janela da bolha de sabão/meu bem eu li a barsa/ eu li a britannica/ e quando sobrou tempo eu ouvi/ a sinfônica/ eu cresci/ sobrevivi/ a privada de perto/ muitas vezes eu vi/ mas a verdade é que/quase tudo aprendi/ ouvindo as canções do rádio/ as canções do rádio/quando meu bem nem/ a verdadeira maionese/ puder me salvar/ você sabe onde me encontrar/quando meu mundo cair/ e a luz faltar/ num cantinho do meu quarto/ vou estar/com um panasonic quatro pilhas AAA/ ouvindo as canções do rádio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? Até ficar tonto e se estatelar. Aí sim, com todos os versinhos do mundo pra apoiar o cotovelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-5534052161043063939?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/5534052161043063939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/no-escuro-no-no-claro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5534052161043063939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/5534052161043063939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/no-escuro-no-no-claro.html' title='no escuro não no claro'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1445215662891332093</id><published>2008-10-13T16:43:00.009-03:00</published><updated>2009-10-15T00:00:56.425-03:00</updated><title type='text'>1984</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Calvino em algum lugar fala da diferença que faz: ler um livro na juventude, lê-lo com a juventude pra trás. Diz que "as leituras da juventude podem ser pouco profícuas pela impaciência, distração, inexperiência das instruções para o uso, inexperiência da vida. Podem ser (talvez ao mesmo tempo) formativas no sentido de que dão forma às experiências futuras, fornecendo (...) coisas que continuam a valer mesmo que nos recordemos pouco ou nada do livro lido na juventude. Relendo o livro na idade madura, acontece reencontrar aquelas constantes que já fazem parte de nossos mecanismos interiores e cuja origem havíamos esquecido. Existe uma força particular da obra que consegue fazer-se enquanto tal, mas que deixa sua semente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos frescos encontram as linhas e o livro arrebata; os calos reconhecem na lombada o que os calejou. Descontado o bibliômano de Brás Cubas (que se arrepiou todo na velhice com um exemplar mais velho que), considerado o presidente Lula (que disse que socialismo é coisa de adolescente), Calvino está tão certo que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou começar a reservar alguns livros para a velhice. Coisas amenas e baixinhas, Garret só depois dos quarenta, Alencar dos cinqüenta, nada antes dos trinta. Guardar o Stendhal para a aposentadoria. Por enquanto, só os livros que possam semear uma vida deserto adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as senhoras católicas são piedosas&lt;br /&gt;os comunistas são piedosos&lt;br /&gt;os comerciantes são piedosos&lt;br /&gt;só eu não sou piedoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, só o que me deixe bravo e com vontade de explodir. Só o que me faça sentir Winston Smith me embrenhando no mato para escapar do Grande Irmão. Sem conseguir. Mas quem consegue? "Agora que possuíam um esconderijo seguro, quase um lar, já não lhes parecia tão mau encontrar-se raramente, e apenas por algumas horas. O que importava era a existência do quarto sobre a loja do antiquário. Saber que estava lá, inviolado, era quase que o mesmo que estar nele. O quarto era um mundo, uma redoma do passado, onde sobreviviam animais extintos." Animais que são eu mesmo, mais uma porção de gente e o conforto dos começos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1445215662891332093?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1445215662891332093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/o-calvino-em-algum-lugar-fala-da.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1445215662891332093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1445215662891332093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/o-calvino-em-algum-lugar-fala-da.html' title='1984'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1396047130876536406</id><published>2008-10-05T15:16:00.011-03:00</published><updated>2009-10-15T00:02:37.023-03:00</updated><title type='text'>Só lendo</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;a faculdade de letras me viciou.&lt;br /&gt;poesia não é pra ser chata&lt;br /&gt;perdoai&lt;br /&gt;(só) hoje eu acredito&lt;br /&gt;(sei não)&lt;br /&gt;que não ser chata&lt;br /&gt;é o único antídoto&lt;br /&gt;pra chateação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SOkFts1oF4I/AAAAAAAAALg/tRDbjOAL-94/s1600-h/violin_broken.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SOkFts1oF4I/AAAAAAAAALg/tRDbjOAL-94/s400/violin_broken.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253736722992732034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso depois de ter lido o &lt;i&gt;Rilke Shake&lt;/i&gt;, da Angélica Freitas (Rio de Janeiro: 7Letras, 2007) - do qual eu já tinha muito falado, mas nunca lido comprado, agora sim, de que mais adiantaria um salário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a Angélica eu conheci de orelhada quando ela morava em São Paulo eu tinha acabado de mudar e ela me escreveu no orkut "vai ler o uivo do ginsberg" eu li fiquei grato e resolvi ter uma boa impressão dela até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não tem nada a ver com o &lt;i&gt;Rilke Shake&lt;/i&gt;, porque de boas impressões o tédio está cheio, não é esse o caso. O &lt;a href="http://www.loop.blogspot.com/"&gt;blog dela&lt;/a&gt; é muito legal, sempre recomendei, mas não, o caso ainda não é esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti enquanto lia o livro no ônibus - como senti quando li o &lt;i&gt;A teus pés&lt;/i&gt; pela primeira vez - como um banho de menta e alecrim nos olhos, lavando e fresh! Diferente ler espaçado a história do moço do Stradivarius. Diferente ler com comments o love affair de Gertrude Stein. E, entre os posts, os relatos de poeira no pé que a Angélica vai deixando pelo caminho (ela agora está no México?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro duro na mão é um bloquinho de alegria sacolejando comigo no busão. São trocentos poemas para ser leídos en el transvía - uma masturbação urgente de tesão no transporte público. Não, não é nada de &lt;i&gt;poesia&lt;/i&gt;. É diversão. Precisa mais?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SOkJ90iF6sI/AAAAAAAAALo/x2VMVHafTVM/s1600-h/MarisViolin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SOkJ90iF6sI/AAAAAAAAALo/x2VMVHafTVM/s400/MarisViolin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253741397982702274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As leituras interceptadas. Muito do que eu já tinha lido do &lt;i&gt;Rilke Shake&lt;/i&gt; foi trilhado por artiguelhos críticos [ca-han] que falavam de intertextualidade, de crítica social, ao machismo, make-it-new e o escambau. Só no livro em mãos é que dá pra ler, no fluxo, que&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As bruxas de Bruxelas&lt;br /&gt;batem panelas&lt;br /&gt;pra espantar as baratas tontas&lt;br /&gt;que vivem nas pontas&lt;br /&gt;dos sapatos delas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;, coisa que eu não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse livro é um objeto gostoso de ser folheado e conversado. E mais uma vez eu fico agradecido à Angélica: obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1396047130876536406?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1396047130876536406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/faculdade-de-letras-me-viciou.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1396047130876536406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1396047130876536406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/10/faculdade-de-letras-me-viciou.html' title='Só lendo'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aLL0Qghrggs/SOkFts1oF4I/AAAAAAAAALg/tRDbjOAL-94/s72-c/violin_broken.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3248945300332043041</id><published>2008-07-30T17:17:00.002-03:00</published><updated>2009-10-15T00:03:40.977-03:00</updated><title type='text'>Excesso, latifúndio, dispersão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do desânimo de bibliômano da semana passada, dois encontros me fizeram voltar a gostar de ler: um com a Andrea, que voltou de viagem prolongando experiências; outro com o &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=238" target="_blank"&gt;Pierre Bayard&lt;/a&gt;, que chegou pelos correios dizendo "ih, relaxa, mona". Aí, sobre excessos e tal, eu fiquei pensando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se "as grandes obras do século XX" foram escritas justamente para não serem lidas? O que os literatos, cheios de si, gabam como uma recusa da poesia ao mundo burguês, automatizado, materialista, consumista, blablablá, pode ser uma bomba de sentido oposto: uma recusa da poesia às pretensões totalizantes, lucrativas (talvez não de capital financeiro, mas sem dúvida de capital simbólico), redutoras e pedantes desses mesmos literatos. Que direcionam o texto pelos seus interesses e dão cabo de todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande sertão: veredas&lt;/span&gt;, por exemplo, é um texto de perdas e descaminhos, do impreciso. E a crítica literária (que é um gênero textual histórico, não posso abrir mão disso) reconhece isso ao mesmo tempo em que tece interpretações e ergue monumentos para um livro cuja leitura é porosa, areia, impegável. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande sertão&lt;/span&gt; recusa reducionismos. E - vejam-se os congressos e teses que se multiplicam em mônadas - falha nessa recusa. Assim como todas as outras "grandes obras" que, na verdade, permitem apenas percursos precários de leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem no conjunto essa recusa é bem sucedida. Poderia ser? É humanamente impossível que alguém leia com dedicação punhetórea e minúcia todos os catataus editoriais que o século XX deixou, mas ainda assim os literatos conseguem domesticar nomes e idéias por aquilo que Pierre Bayard chama de "faculdades de orientação" numa "visão de conjunto" do que é entendido como &lt;i&gt;alta cultura&lt;/i&gt;. Ou seja, o manejo do cânone - que é aquilo que a gente chama, não inocentemente, de "literatura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Mas que besteira falar em "recusa da poesia". Não é ela também que engendra a biblioteca como teatro? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3248945300332043041?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3248945300332043041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/excesso-latifndio-disperso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3248945300332043041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3248945300332043041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/excesso-latifndio-disperso.html' title='Excesso, latifúndio, dispersão'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8346530607695170370</id><published>2008-07-23T20:19:00.008-03:00</published><updated>2009-10-15T00:04:59.820-03:00</updated><title type='text'>Apatia</title><content type='html'>O excesso de versos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;insônia, ruminação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;arruína?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As citações, as retomadas, as investidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em torno da &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=657#texto"&gt;engrenagem burocrática de escrever&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e de prazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temendo deste agosto o fogo e o vento&lt;br /&gt;Caminho junto às cercas, cuidadosa&lt;br /&gt;Na tarde de queimadas, tarde cega.&lt;br /&gt;Há um velho mourão enegrecido de queimadas antigas.&lt;br /&gt;E ali reencontro o louco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temendo os teus limites, Samsara esvaecida?&lt;br /&gt;Por que não deixas o fogo onividente&lt;br /&gt;Lamber o corpo e a escrita? E por que não arder&lt;br /&gt;Casando o Onisciente à tua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8346530607695170370?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8346530607695170370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/apatia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8346530607695170370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8346530607695170370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/apatia.html' title='Apatia'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-6787166847871713283</id><published>2008-07-18T14:02:00.005-03:00</published><updated>2009-10-15T00:04:10.489-03:00</updated><title type='text'>Escrita / Travesti (II)</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;b&gt;3&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Dia dos namorados" é um conto de Rubem Fonseca publicado originalmente em &lt;i&gt;Feliz ano novo&lt;/i&gt; (1975) e incluído por Luiz Ruffato na antologia &lt;i&gt;Entre nós: contos sobre homossexualidade&lt;/i&gt;, publicada pela &lt;a href="http://www.linguageral.com.br/site/" target="_blank"&gt;Língua Geral&lt;/a&gt; no ano passado. Não é exatamente um "conto sobre homossexualidade"; talvez, um conto de um tempo em que travestismo e homossexualidade eram quase sinônimos, quando ainda não havia a figura &lt;i&gt;friendly&lt;/i&gt; e bem-aceita do &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt; nem a apropriação das tecnologias médicas de escultura corporal com que as travestis se produzem hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveca é uma menina linda de dezesseis anos que, apesar de estar parada no calçadão de Ipanema, não faz o "tipo piranha de praia". J.J. Santos, o ricaço, fica fascinado e pára sua Mercedes tempo o bastante para que a garota entre no carro e eles sigam em direção ao quarto espelhado da suíte presidencial de um hotel na Barra da Tijuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;J.J. Santos tomou um gole, tirou o paletó, e disse, vou ao banheiro, fique à vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Quando saiu do banheiro a garota estava nua, deitada na cama, de bruços. J.J. Santos tirou a roupa e deitou-se ao lado dela, fazendo-lhe carinhos, olhando-se nos espelhos. Então a garota virou-se de barriga para cima, um sorriso nos lábios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Não era uma garota. Era um homem, o pênis se refletindo, ameaçadoramente rijo, nos inúmeros espelhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no filme &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0104036/" target="_blank"&gt;Traídos pelo desejo&lt;/a&gt;, o surgimento do pênis muda radicalmente o estatuto da personagem de "garota" para "homem". Viveca, até então fêmea-passiva, torna-se não um &lt;i&gt;garoto&lt;/i&gt;, o que ainda poderia denotar delicadeza e submissão, mas, "ameaçadoramente", um "homem". Inifinitamente homem, pois o pênis (mais metáfora do que metonímia) se reflete "nos inúmeros espelhos", cercando J.J. como flechas por todos os lados. E, como não poderia deixar de ser, Viveca-homem é o perigo de quaisquer masculinidades confrontadas no espaço íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;O quê? O quê? Está me chamando de ladrão? Eu não sou ladrão! gritou Viveca, levantando-se da cama. Subitamente uma gilete apareceu em sua mão. Me chamando de ladrão! Num gesto rápido Viveca deu o primeiro golpe no próprio braço e um fio de sangue borbulhou na pele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;J.J., estarrecido, fez um gesto de nojo e medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Sou viado sim, sou VI-IIII-ADO! o grito de Viveca parecia que ia romper todos os espelhos e lustres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Não faça isso, suplicou J.J., apavorado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveca, antes uma "garota tão bonita", metamorfoseia-se num corpo estranho e barulhento que causa pavor e nojo em J.J. A situação será resolvida por Mandrake, o narrador do conto que, contratado pelo advogado de J.J., levará Viveca até uma delegacia, onde  descobrirão que ela aplica golpes para tirar dinheiro dos clientes, e  então ela será presa e silenciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveca pertence a uma extensa galeria de personagens cuja corrupção moral está intrinsecamente ligada à corrupção de seu corpo e das funções sexuais que esse corpo deveria ter. É uma personagem má, porque perturbada, que tem um corpo mau, porque perturbado. Ainda assim, a escrita de Rubem Fonseca pouco se perturba: após a revelação do pênis, toda a gramática do conto passa Viveca para o masculino, inclusive quando as frases são atribuídas à personagem. No plano da escrita, a identidade de gênero de Viveca está muito bem resolvida - e o resto não passa de fato pitoresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-6787166847871713283?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/6787166847871713283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/escrita-travesti-ii.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6787166847871713283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/6787166847871713283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/escrita-travesti-ii.html' title='Escrita / Travesti (II)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-8364632754731107309</id><published>2008-07-16T13:54:00.009-03:00</published><updated>2009-10-15T00:05:12.803-03:00</updated><title type='text'>Escrita / Travesti (I)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para a Jana&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento social de travestis tem investido cada vez mais numa legitimação de "travesti" como identidade, e não como estado. Isso quer dizer que, segundo as travestis (a maioria delas, pelo menos), "travesti" não é o-homem-que-se-veste-de-mulher, mas uma pessoa que não se identifica nem como homem, nem como mulher, e sim como: travesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, isso pode parecer estar na contramão das atuais discussões sobre identidade de gênero, em que cada vez mais se entende (graças ao feminismo, desde Simone de Beauvoir) que ninguém é/nasce "homem" ou "mulher": tornamo-nos "homem" ou "mulher" por uma série de mecanismos simbólicos socialmente legitimados. Então, se o sexo de uma pessoa é sempre artifício, de que vale esse engajamento na criação de um "terceiro sexo", quando poderíamos nos engajar na destruição de "o sexo" pela consideração da pessoa como além-gênero, como supra-gênero, talvez como todo-gênero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é justamente nesse movimento de historicização das identidades de gênero que as travestis se inscrevem. Lembro de Janaína Lima, uma amiga militante de Campinas (SP), dizendo: "se a identidade é historicamente construída, então nós, travestis, estamos construindo a nossa".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao dizer isso, numa mesa redonda em frente a um auditório lotado, Janaína estava tornando-se sujeita do discurso, e não objeto, como eu faço aqui neste texto. Quando eu falo sobre travestis, falo de um lugar em que essa experiência não se dá. Minha escrita não tem silicone, embora eu possa escrever sobre silicone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é problema, de modo algum, que um homem escreva uma travesti. Mas é um problema enorme que travestis não se escrevam nem escrevam um homem. Porque o texto não emana de um centro neutro e anterior a tudo, e sim de sujeitxs historicamente situadxs, com experiências historicamente limitadas - absolutamente importantes, mas irremediavelmente limitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como, se Carolina Maria de Jesus jamais tivesse escrito &lt;a href="http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/de-todo-esse-mundo.html" target="_blank"&gt;Quarto de despejo&lt;/a&gt;, minha única referência da fome seriam as elocubrações digestivas que fazem meus pares da classe média.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-8364632754731107309?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/8364632754731107309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/escrita-travesti-i.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8364632754731107309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/8364632754731107309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/escrita-travesti-i.html' title='Escrita / Travesti (I)'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-9067180078346551448</id><published>2008-07-09T00:15:00.002-03:00</published><updated>2009-10-15T00:04:23.470-03:00</updated><title type='text'>De todo esse mundo</title><content type='html'>Imagino Carolina acordada às quatro da manhã, com a luz de uma lâmpada fraca e solta acesa em seu escritório improvisado, entre as tábuas podres de madeira, a pilha de cadernos ao lado e mais um entre os dedos, as palavras sendo cavadas para fora da folha, as três crianças dormindo com fome ao lado, ela com fome, ela escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fome é uma coisa da qual sempre estive muito longe. De modo que é fácil, tão fácil ter uma opinião sobre ela. Assim como é fácil falar, sem vontade de ênfase, a palavra: fome. Uma palavra gorda, que enche a boca, que exige movimento de mastigação para ser pronunciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quarto de despejo&lt;/i&gt;, de Carolina Maria de Jesus, é o encontro da fome com a poesia. Mas não de um jeito canalha. Canalhas somos nós. Carolina é poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQnVqc5A2I/AAAAAAAAAJk/duRta-Wlan4/s1600-h/carolinamariadejesus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQnVqc5A2I/AAAAAAAAAJk/duRta-Wlan4/s400/carolinamariadejesus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220841121155449698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;27 de maio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? Parece que quando eu nasci o destino marcou-me para passar fome. Catei um saco de papel. Quando eu penetrei na rua Paulino Guimarães, uma senhora me deu uns jornais. Eram limpos, eu deixei e fui para o deposito. Ia catando tudo que encontrava. Ferro, lata, carvão, tudo serve para o favelado. O Leon pegou o papel, recibi seis cruzeiros. Pensei guardar o dinheiro para comprar feijão. Mas, vi que não podia porque o meu estomago reclamava e torturava-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Resolvi tomar uma media e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as arvores, as aves tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... A comida no estomago é como o combustivel nas maquinas. Passei a trabalhar mais depressa. O meu corpo deixou de pesar. Comecei andar mais depressa. Eu tinha impressão que eu deslisava no espaço. Comecei sorrir como se estivesse presenciando um lindo espetaculo. E haverá espetaculo mais lindo do que ter o que comer?. Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fome amarela o mundo. É isso o que Carolina conta. E comer é o espetáculo mais lindo. Isso não é simbólico (não tem nada a ver com antropofagia!) e é tão difícil compreender a falta no estômago que eu nunca tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona nos diários de Carolina o relato da miséria, que ela faz, revoltada contra tudo, impiedosa, citando nomes de políticos eleitoreiros, mas também dos vizinhos violentos. "Acho que se eu estivesse num campo de batalha, não ia sobrar ninguém com vida", escreve ela no dia 20 de junho de 1958.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQhEvhWK2I/AAAAAAAAAJc/7Fy_6nPCXZg/s1600-h/CMJ02.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQhEvhWK2I/AAAAAAAAAJc/7Fy_6nPCXZg/s400/CMJ02.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220834233388772194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a irrupção da beleza. &lt;i&gt;Quarto de despejo&lt;/i&gt; não é um relato chapado. Não é denuncismo. É a história de uma vida. Com a fome no corpo, Carolina ama um cigano de rosto bonito com quem goza e se decepciona ("O nome do cigano é Raimundo. (...) Êle parece o Castro Alves. Suas sobrancelhas unem-se"). E registra, no dia 25 de julho, um sublime sutil: "Achei o dia bonito e alegre. Fui catando papel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda pela cidade, pára nas bancas de jornal para conversar sobre política, registra as pichações dos estudantes, conversa sobre literatura - sempre catando papel. "Fui na sapataria retirar os papeis. Um sapateiro perguntou-me se o meu livro é comunista. Respondi que é realista. Êle disse-me que não é aconselhável escrever a realidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E conta, diversas vezes, sobre a impossibilidade de publicar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;16 de junho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] Eu escrevia peças e apresentava aos diretores de circos. Êles respondia-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É pena você ser preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecendo êles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça êle já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reincarnações, eu quero voltar sempre preta.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQr3Mt8bBI/AAAAAAAAAJs/YpUinJrlpVo/s1600-h/carolinamariadejesus02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQr3Mt8bBI/AAAAAAAAAJs/YpUinJrlpVo/s400/carolinamariadejesus02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220846095335975954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-9067180078346551448?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/9067180078346551448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/de-todo-esse-mundo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/9067180078346551448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/9067180078346551448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/de-todo-esse-mundo.html' title='De todo esse mundo'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SHQnVqc5A2I/AAAAAAAAAJk/duRta-Wlan4/s72-c/carolinamariadejesus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-3410352093874061167</id><published>2008-07-04T20:52:00.013-03:00</published><updated>2009-10-15T00:05:33.702-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>Clarice Lispector, difícil de pegar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SG7KbETlQuI/AAAAAAAAAJM/_Ok3aqD5kUE/s1600-h/lispector1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SG7KbETlQuI/AAAAAAAAAJM/_Ok3aqD5kUE/s400/lispector1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219331584530137826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu li &lt;i&gt;A via crucis do corpo&lt;/i&gt;, depois de já ter passado por &lt;i&gt;A paixão segundo G.H.&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Laços de família&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A hora da estrela&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Perto do coração selvagem&lt;/i&gt; ao menos duas vezes cada, e de ter ouvido tudo quanto é opinião comum sobre "a Clarice" (o prenome íntimo que as pessoas usam tanto quanto a menção ao "olhar dela"), e numa época em que estava fortemente envolvido pelos textos de Hilda Hilst, sobretudo por sua "trilogia obscena", a primeira coisa que lembro de ter pensado, com essa mania de um pensar distanciado com que a faculdade de Letras nos impregna, mas também com raiva por perceber o quanto esse "pensar distanciado" é simplificador e abominável, eticamente falando, por &lt;i&gt;domesticar&lt;/i&gt; textos de elevado potencial bélico, a primeira coisa que lembro de ter pensado foi: "&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SG7Kjwy-o3I/AAAAAAAAAJU/9QuwTxFVYA8/s1600-h/lispector2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SG7Kjwy-o3I/AAAAAAAAAJU/9QuwTxFVYA8/s400/lispector2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219331733911937906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Clarice Lispector foi uma &lt;i&gt;escritora&lt;/i&gt;. Não no sentido profissional da palavra. Foi escritora porque escreveu, só. Sem amarras, sem escolas, absolutamente &lt;b&gt;texto&lt;/b&gt;. Escreveu por diversos gêneros, para diversos públicos, em diversos meios - e fiquei muito aborrecido e emburrecido com os comentários acerca do "intimismo", ou do "engajamento", ou do "feminino" e o escambau. Por que recusamos ser proféticas? E por que gostamos tanto d'"a Clarice" e prestamos tão pouca atenção no que seus textos nos esfregam na cara? Pornografia, denúncia social, auto-ajuda, filosofia, literatura, biografia. Crítica e consumismo. Sem vergonhas. &lt;i&gt;Il mondo è bello perché è vario&lt;/i&gt; - e o trabalho de Clarice Lispector também. Intimistas são as opiniões da maioria de seus leitores, acostumados a se apropriar da "literatura" na privatização prática (hedonista ou utilitarista) das nossas expectativas mesquinhas e egocentradas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;As fotos são da Júlia Hansen e podem ser vistas, mais outras, &lt;a href="http://flickr.com/photos/maisqueumarbusto/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-3410352093874061167?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/3410352093874061167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/clarice-lispector-difcil-de-pegar.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3410352093874061167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/3410352093874061167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/clarice-lispector-difcil-de-pegar.html' title='Clarice Lispector, difícil de pegar'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SG7KbETlQuI/AAAAAAAAAJM/_Ok3aqD5kUE/s72-c/lispector1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1559386045970361109.post-1172734492249486575</id><published>2008-07-03T00:18:00.003-03:00</published><updated>2009-10-15T00:01:12.872-03:00</updated><title type='text'>Música simples</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As melhores leituras, eu acho, são aquelas em que o texto propõe um ritmo - e você o abraça, enlaçam-se as cinturas e começa-se a dançar. Eu não danço, nunca tive jeito pra isso, mas já ouvi falar que o legal da dança a dois é que, por mais que haja passos pré-definidos e papéis bem demarcados, os movimentos sempre acontecem como um diálogo, como em teatro, organicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roçando um ritmo. A leitura é que torna o texto orgânico, vegetal. Uma leitura é uma vida. Própria e presente. E quando há consonância e acertos, dança-se bem, lê-se bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei de ler o último livro de Denilson Lopes, &lt;i&gt;A delicadeza: estética, experiência e paisagens&lt;/i&gt;, sentado na rede da sala, sozinho na meia-luz da casa, acompanhado apenas pelo barulho dos carros na rua - que às vezes parece, coisa mais estranha, como o barulho do mar - o qual, segundo Denilson, "é preciso desatenção para ouvir. Som repetido, quase imperceptível, quase invisível. É preciso tempo. É preciso se deixar. É preciso não ter medo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo, então, por instantes, de me sentir desconfortável com o súbito conforto de que gozo numa noite de terça, deitado na rede de um apartamento amplo e quente, longe do frio e da tortura que açoitam lá fora pessoas que eu não sou. Deixo, deixo. Não na recusa da alteridade, não recusando os outros. Mas recusando a mim mesmo, porque o desconforto também pode ser muito agradável e isso, agora, não está. &lt;i&gt;Non c'entra&lt;/i&gt;. Tento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SGxJtrJ53LI/AAAAAAAAAIc/lBDiTwDZ1io/s1600-h/wave.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SGxJtrJ53LI/AAAAAAAAAIc/lBDiTwDZ1io/s320/wave.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218627117242768562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo o que Denilson escreve me agrada; muito, não alcanço; outro tanto, não concordo. Mas quero - e sobretudo danço, junto com ele, pelas páginas. Tento sentir a beleza, o leve e o banal enquanto agarro o livro com ambas as mãos para conter o sacolejo rude do ônibus. Tento imaginar, ao ver retalhos de travestis assassinadas, como engendrar a delicadeza - e como suportá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por mais que não saiba ainda se isso me faz algum sentido, escolho conviver com esse livro - e compartilhá-lo, mas sem pressa. Para dançar é necessário respeitar o parceiro, o compasso da sua caminhada, a hesitação de seus movimentos, para que ambos possam, juntos, decidir o próximo passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado na rede, folheio o livro que fala de paisagens, de &lt;i&gt;lounge&lt;/i&gt;, bossa nova e sutilezas com a curiosidade de quem já conhece, mas duvida; de quem duvida, mas acolhe. E admite, como experimento de um baile, dançar em outra velocidade, mesmo que só por um momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1559386045970361109-1172734492249486575?l=quaseresenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseresenha.blogspot.com/feeds/1172734492249486575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/msica-simples.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1172734492249486575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1559386045970361109/posts/default/1172734492249486575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseresenha.blogspot.com/2008/07/msica-simples.html' title='Música simples'/><author><name>marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10101670818323686415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_aLL0Qghrggs/SGxJtrJ53LI/AAAAAAAAAIc/lBDiTwDZ1io/s72-c/wave.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
