Então
quando Pessoa escrevia o Mensagem, o Supra-Camões não se tratava de uma superação qualitativa, mas sim de uma superação mística, poética
emulação do gênero
Mas não do gênero "epopeia". E sim do gênero "gênio" e do gênero "nação" (minha pátria é minha língua).
Trata-se - pensando na tradição hoje - de emular. Não é uma linha sucessória e competitiva.
Como ser, hoje, o Supra-Camões?
Aí está uma questão de projeto. Camões não me interessa. Quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo. [Aqui estou autobiográfico]. Super-Lispector, então? Qualquer que seja o máximo da Arte.
Super-Cachorro Vivo.
Meu gênero é a vida.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
poesia
hilda hilst, em determinado momento, citando bataille:
"Sinto-me livre para fracassar."
se o sucesso é a ordem das coisas, a palavra sequestrada.
a boa poesia é aquela que mina por dentro a tradição da boa poesia.
"Sinto-me livre para fracassar."
se o sucesso é a ordem das coisas, a palavra sequestrada.
a boa poesia é aquela que mina por dentro a tradição da boa poesia.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Confissões de leitura
O livro, como produto, independe do texto. Quero dizer: qualquer texto pode ser formatado assim ou assado. Uma boa edição com ilustrações bonitas e voalá, temos um bom livro - de folhear, amor táctil.
§
O texto é apenas um dos componentes da leitura. (Machado de Assis, na biblioteca, sempre teve cheiro de pó)
§
Comprei um livro lançado neste ano. Tive ânsia de tê-lo. Fui ler e. Era um doce bonito de gosto vagabundo. Cuspi, dei embora.
§
De uma propaganda da Estante Virtual: compre em sebos, as livrarias estão cada vez mais achatadas em lançamentos.
§
Eu vejo um museu de grandes novidades.
§
Diz que perguntavam pro Drummond "e a literatura contemporânea?", e ele respondia "Estou atrasadíssimo nos gregos."
E que perguntaram pra Clarice "que conselho você dá aos jovens escritores" e ela: "Que escrevam."
§
Floradas na serra é um romance de Dinah Silveira de Queirós que foi um sucesso na época, 1939. Deu filme com Cacilda Becker nos anos 50. É a história de um grupo de jovens que vai para Campos do Jordão, acho, tratar da tuberculose. A narrativa alterna amores cândidos com golfadas de sangue, mas não chega a ser melodramática. Parece que Cacilda Becker protagonizou o filme no papel da antagonista do livro, a fatal Lucília, que recusa tratamentos e se envolve com muitos homens, mas se fode e termina com uma costela a menos - por conta da tuberculose. Tirar costelas era um tratamento extremo.
Lucília também é título de um romance do Alencar que conta a história de uma mulher forçada pela vida a se prostituir, mas ela tem um bom coração. O nome da heroína e do livro devem remeter ao pirilampo, vagalume, também lucíola, como uma luz fraca e incerta que atravessa densidades escuras até sumir da nossa vista.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky. Confissão de leitura
Comecei a ler deu desgosto no estômago.
"E os mortos voltarão à vida", exclamou o xamã na noite, e seu grito ecoou e foi ouvido. O céu estava particularmente belo, em tons arroxeados com nuvens esparsas e finas fatiando a lua.
E havia o medo. Havia o medo em todos os cantos. Hoje em dia, os homens temem bobagens; outrora, temiam a noite e a morte. Não importava a arma no coldre.
"Exclamou na noite", "o céu belo", "a marquesa aceitou o chá", "E havia o medo. Havia o medo". Nas primeiras linhas a gente percebe: é uma paródia, uma emulação de faroeste. Isso a capa já havia dito. Eu é que começo cada livro esperando encontrar X Grande Escritorx da Minha Geração.
*
Depois de poucas horas, já havia lido mais da metade do romance. "É um nada", pensei. Em nenhum momento levantei os olhos do livro para estranhar as palavras.
*
Ao final da leitura, percebi que estava me divertindo. Apesar de nos últimos capítulos o livro assumir de vez um recurso didático de ficar se justificando, se explicando à guisa de metalinguagem, coisa que aparece no livro inteiro. Mas eu me divertindo.
*
Me ocorreu que, não só na poesia, mas também na prosa. Diversão tem sido uma constante. Pensei na presença do folhetim no século XIX. Alexandre Dumas, José de Alencar. A "alta literatura" produzindo entretenimento.
*
Se o buraco negro é o paradigma da leitura. Perder-se no vácuo. Uma literatura da alienação, a grande do século XX? Kafka, Lispector, Faulkner. Mesmo noutra linha. Bukowski, por exemplo. Alguém sempre te chuta as muletas.
Agora: não será também isso datado? Essa uma literatura netunoplutoniana, talvez uraniana (netuno as névoas, plutão a morte, urano a ruptura, os três planetas descobertos de 1781 pra cá). E agora, Plutão deixando de ser planeta, nós num tempo sem profundidade escura (o blablá do pós-moderno).
No entanto Dumas, Alencar. Saint-Clair das Ilhas. E "literatura" é um conceito romântico. Dante não tinha interioridade freudiana. Até o século XVIII, em grande parte, o que hoje a gente chama de literatura era reprodução de gêneros. A crítica é descritiva, a poética era prescritiva.
*
Não sei.
*
Divertido, sim, o Areia nos dentes. Isso é um problema?
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Projeções & narrativas de si: notas
a alegria é a prova dos nove
1.
A premissa de que a literatura, desde o fim do século XIX, encena um derrotismo do sujeito. Procede? Uma falha absoluta da existência, vanidade. O não-autor que não-diz.
Ou isso é invenção da crítica? Será que é a crítica literária que, desde os anos 1940, empreendeu esse projeto de literatura desencantada?
Será que isso é um projeto político de apatia?
2.
O suicídio é uma atitude extrema. Que personagens de romances / que poemas encenam o suicídio? Clarice Lispector, num conto (acho que de A bela e a fera), a personagem-narradora conversando com um homem que pensa em se matar diz que não nos é permitido o suicídio, que o nosso dever é querer viver.
Na minha adolescência, Clarice Lispector era sinônimo de autoaniquilação. Era assim que a gente lia.
Os sofrimentos do jovem Werther é de 1774. Todo o romantismo emo oitocentista é evocado pelos adolescentes góticos que curtem cemitério, aquela necrofilia do Álvares de Azevedo. Mas aí acho que o suicídio é mais alegórico.
O suicídio de Sylvia Plath e de Ana Cristina Cesar, como fato, têm muito mais força e veracidade.
Sylvia Plath particularmente. Sua obra é considerada suicida. Em A redoma de vidro, espécie de autobiografia (o que é autobiografia?), a personagem principal é uma suicida frustrada. Assim como o eu-lírico de "Lady Lazarus".
No entanto, Ariel. Quando Plath morreu, deixou o livro pronto. Ted Hughes editou-o. Sua alteração mais significativa foi a inclusão, como último poema do livro, de "Edge", talvez o último poema escrito por Plath.
Beira
A mulher está perfeita.
Morto, seu
Corpo veste o sorriso da conquista,
A ilusão de uma Grega necessidade
Escorre nos cortes de sua toga,
Nus, seus
Pés parecem dizer:
Viemos tão longe. Acabou-se.
Cada filho morto encolhido, cobra branca,
Um em cada pequena
Tigela de leite, agora vazia.
Ela os dobrou
De volta ao seu corpo como pétalas
De uma flor que fecha quando o jardim
Espeta e odores sangram
Da funda e doce garganta da dama da noite.
A lua não tem porque ficar triste,
Atenta com seu chapéu de osso.
Ela sabe como funcionam essas coisas.
O escuro dela quebra e draga.
Cerca de vinte anos depois, Ariel foi republicado, agora como o tinha planejado Sylvia Plath. O último poema é "Wintering", o inverno. O poema fala sobre mel e seu último verso é
The bees are flying. They taste spring.
"As abelhas voam. Saboreiam primavera." E Plath dedica Ariel a seus filhos.
3.
O suicídio não é apático. A melancolia é.
Mesmo na arte pop: a Marilyn de Andy Warhol é uma paródia melancólica, não afirmativa. Como a música de Tom Zé, "a Brigitte Bardot está ficando velha / envelheceu antes dos nossos sonhos". Marylin já tinha morrido quando Warhol reproduziu seu rosto.
4.
A música pop, no entanto. A música disco é afirmativa: "I am what I am", "I will survive", "Hey boy, there's no need to feel down", "I've got all my sisters with me".
Na literatura, a alegria? Só consigo pensar no Guimarães Rosa. Como uma alegria que não passa pelo filtro do cinismo ou da ironia. A visão do peru no quintal, a de uma árvore enorme. Logo depois, a morte. Mas não é uma morte de derrota, porque não é racional. É o menino que vê a morte, aprende com a morte, mas ele vive a morte com seu corpo fresco de menino, como uma surpresa, não uma fatalidade. Olha o menino, ui ui ui.
Na música é mais fácil encontrar essa atitude. Caetano Veloso. Alegria e generosidade.
5.
O que é mais difícil encontrar na música pop é o suicídio. Os astros da música geralmente esgotam a vida. Janis Joplin, Cazuza. Mesmo Kurt Cobain não cantava o derrotismo. "Eu sou tão feio, mas tudo bem / Você também, a gente quebra os espelhos. // Manhã de domingo é todo dia / E eu não ligo, não tenho medo".
O suicídio aparece nessa música aí debaixo.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Nada é fácil de entender
6.
O pop destes últimos anos. Girls just wanna have fun. Lady Gaga parodia e homenageia o kitsch. É quase tropicalista (kkkkkkkkkk). Será legal ler o Rilke Shake vendo um show da Lady Gaga?
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade
Do que eu conheço, o Rilke Shake é o melhor da literatura brasileira comercial dos últimos treze anos.
*
*
É um livro coeso, em que não há poemas de sobra ou destoantes. Além disso, é um livro que, sozinho, inaugura um tom, uma dicção. A última vez que isso aconteceu foi com o A teus pés, em 82.
*
dentadura perfeita, ouve-me bem:
não chegarás a lugar algum.
são tomates e cebolas que nos sustentam,
e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita.
ah, sim, shakespeare é muito bom,
mas e beterrabas, chicória e agrião?
e arroz, couve e feijão?
dentinhos lindos, o boi que comes
ontem pastava no campo. e te queixaste
que a carne estava dura demais.
dura demais é a vida, dentadura perfeita.
mas come, come tudo que puderes,
e esquece este papo,
e me enfia os talheres.
*
O Rilke shake tem um descompromisso. Acho que a palavra é essa.
Descompromisso é um termo inexistente no cânone brasileiro. Aí vem a Angélica e faz A poesia do descompromisso, alinha o blasê na tradição da grande poesia. Mas não é descaso. Dá risada.
*
A arte moderna é essencialmente (estruturalmente) de ressentimento. Na literatura, o século XX se construiu sobre o estar-fora-de-lugar de Baudelaire e Kafka. Clarice Lispector, atestam as capas da Rocco, só interessa naquilo que a inclinação de uma cabeça tem de melancólico. E seria uma boa enumerar a constante do suicídio nos últimos cem anos, assim como da morte no que ela tem de sofrimento individual, e não de acontecimento público.
*
Tem um lugar em que o Nietzsche diz que o excesso de consciência histórica causa embotamento da vida. Isso já no século XIX. Lembro agora da G.H., presa entre a barata e a porta, vendo do alto do seu apartamento a evolução das civilizações africanas.
No Rilke shake, não se trata de uma recusa da tradição intelectual. Mas de uma alternativa à decadência da civilização ocidental, alternativa que aparece em grande parte pela atenção à memória afetiva criada dentro da indústria cultural.
(Nunca estudei isso de "indústria cultural", nunca li Adorno, mas me parece que um livro de Gertrude Stein e um cd do Roberto Carlos, numa prateleira, gozem do mesmo estatuto de presunto.)
*
r.c.
os grandes colecionadores de mantras pessoais não saberão a metade/ do que aprendi nas canções/ é verdade/ nem saberão/ descrever com tanta precisão/ aquela janela da bolha de sabão/ meu bem eu li a barsa/ eu li a britannica/ e quando sobrou tempo eu ouvi/ a sinfônica/ eu cresci/ sobrevivi/ a privada de perto/ muitas vezes eu vi/ mas a verdade é que/ quase tudo aprendi/ ouvindo as canções do rádio/ as canções do rádio/ quando meu bem nem/ a verdadeira maionese/ puder me salvar/ você sabe onde me encontrar/ e se a luz faltar/ num cantinho do meu quarto/ eu vou estar/ com um panasonic quatro pilhas AAA/ ouvindo as canções do rádio
*
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A novíssima literatura
*
É só um palpite.
*
Quando a gente fala em "poesia de uma época", há uma questão que antecede a própria poesia, que é a seleção que fazemos do que vamos considerar "poesia" e relevante como tal.
Isso é a especificidade e o ônus de qualquer leitura geracional.
E tem também que o que a gente quer é a brasa na nossa sardinha.
*
Mas então.
Esses dias eu percebi homogeneidades nas minhas referências.
*
Do final dos anos 70 e começo dos 80 no Brasil, o que a gente escolhe hoje é a chamada poesia marginal, ou geração mimeógrafo, ou geração do desbunde. Poetas que circularam pelo Rio de Janeiro e talvez por São Paulo entranharam o tropicalismo como poética e, na tradição do modernismo de Oswald de Andrade, o humor como método.
Esse rasga-coração vai dar frutos tão maduros quanto a Ana Cristina Cesar, que faz lirismo de televisão, e o Paulo Leminski, que faz rockstar do poema.
*
Nos anos 90, no entanto, a poesia mainstream bebe da obsessão formalista à Haroldo de Campos, dos impulsos épicos de Drummond e João Cabral e do acanhado melancólico de um Manuel Bandeira. Disso aparece uma dicção que, se eu fosse o Antonio Candido nos anos 40, eu diria "pouco viril".
Todo mundo está preocupado, então, com os insondáveis da linguagem o deslocamento do poeta no mundo contemporâneo ao mesmo tempo em que faz uma poesia de concisão que pretensamente deve se autobastar.
O épico no lírico sem épico sem lírico.
Drama.
*
A galera que está sendo eleita hoje como a boa nova jovem poesia pela mídia dá risada dessa pretensão poética.
O ponto em comum com a poesia marginal talvez seja só o humor. Mas é um humor de outro modo, mais cínico e cético.
você me diz: nunca dês um nome a um trem
sempre é outro trem a passar
eu digo: ha. Ha ha
ha ha
(de "Rufus", do Ismar Tirelli Neto)
Ponto em comum com a poesia dos anos 90 são as referências literárias. Que são evocadas com certo descaso. Na verdade é mais uma briga com a Grande Poesia do que uma devoção solene às suas conquistas verbivocovisuais. O ponto em comum então, se é que existe, é mais temático, e não de método.
na banheira com gertrude stein
gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertude
stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como
se alguém passasse um pano molhado na vidraça
enorme de um edifício público
gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar
atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho
de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas
mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum
debaixo d’água eu hein gertrude stein? não é possível
que alguém goste tanto de fazer bolha
e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba
a toalha
e sai correndo pelada a bunda enorme descendo a
escada e ganhando as ruas de st.-germain-des-prés
O verdadeiro descaso é com os cânones e a posição cânonica dxs Grandes Poetas. Legal que esta é uma geração extremamente escolarizada, jovenzinhos de classe média que cresceram num país em que se falou muito em democratização e, especialmente, democratização do ensino. E que escrevem dando de ombros às instituições.
a novíssima literatura
você quer um dia
ser estudado
numa sala de aula qualquer
por uma turma de pirralhos
que vão zoar suas roupas hoje modernas
falar que o que você escreveu é chato pra caralho
fazer chifrinho na sua foto
interrogação.
queira morrer antes
comendo caramelos
a estranha paixão de Hitler
caramelos.
(de Bruna Beber, em A fila sem fim dos demônios descontentes)
(Me ocorreu agora que o hip hop não tem registro de humor. É só reparar na molecada de periferia vestida de rapper. Os meninos, principalmente. O próprio gingado da caminhada simula que se carrega um peso. A classe social também é um fator geracional.)
*
adendo: esse poema da Bruna Beber é bastante citado por aí. Pra analisar a poesia contemporânea, mais legal acho que era analisar as reportagens que têm sido feitas sobre a poesia contemporânea. A leitura deste post vai por aí, especialmente na seleção dos poemas. Bom observar também que tem toda uma mancomunação implícita entre as editoras, os jornais, quero dizer, uma sardinha lava a outra. Legal também seria fazer um recorte geracional contra isso. Mas, ao mesmo tempo, tem também que eu não posso simplesmente fingir que nada me afeta e que eu não gosto desse tom isento e pueril dos poemas de hoje. Então bora fazer a nossa antítese.
*
adendo: esse poema da Bruna Beber é bastante citado por aí. Pra analisar a poesia contemporânea, mais legal acho que era analisar as reportagens que têm sido feitas sobre a poesia contemporânea. A leitura deste post vai por aí, especialmente na seleção dos poemas. Bom observar também que tem toda uma mancomunação implícita entre as editoras, os jornais, quero dizer, uma sardinha lava a outra. Legal também seria fazer um recorte geracional contra isso. Mas, ao mesmo tempo, tem também que eu não posso simplesmente fingir que nada me afeta e que eu não gosto desse tom isento e pueril dos poemas de hoje. Então bora fazer a nossa antítese.
*
(Nota mental: e a prosa nesses termos? Deve ser divertido pensar no estrago que a Clarice Lispector fez na literatura séria, tudo quanto é contista e romancista atribulado com angústias interiores.)
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Poemas para o nosso tempo
Só se escreve no conforto.
***
A mesma estante na livraria é berço pro Cabral, pro Rimbaud e pro Dirceu Villa. Se bobear é também pro Groucho Marx: "Não entro em nenhum clube que me aceite como sócio".
***
Não interessam os modos de produção, mas apenas os de consumo. Bom poeta aquele que vende - sempre, claro, intermediado. Coragem é fazer pose e aparecer na orelha.
***
A tradição que a gente segue é mallarmeana. Mas as palavras, elas mesmas, dizem nada. Fica essa eterna falta do que falar.
***
Arrota peru mas comeu mortadela.
***
Não escreve por mim nem por você. Celebridade sem mito.
***
A mesma estante na livraria é berço pro Cabral, pro Rimbaud e pro Dirceu Villa. Se bobear é também pro Groucho Marx: "Não entro em nenhum clube que me aceite como sócio".
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Não interessam os modos de produção, mas apenas os de consumo. Bom poeta aquele que vende - sempre, claro, intermediado. Coragem é fazer pose e aparecer na orelha.
***
A tradição que a gente segue é mallarmeana. Mas as palavras, elas mesmas, dizem nada. Fica essa eterna falta do que falar.
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Arrota peru mas comeu mortadela.
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Não escreve por mim nem por você. Celebridade sem mito.
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